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A tratar da saúde dos automóveis há mais de meio século

A tratar da saúde dos automóveis há mais de meio século

José Cardoso trabalhou com marcas de prestígio e ofertas de trabalho nunca lhe faltaram

Em nome da estabilidade familiar, o mecânico recusou duas propostas bastante atractivas para trabalhar nos Estados Unidos da América, e mais tarde, na Rússia.

Edição de 07.01.2009 | Identidade Profissional
Apesar de garantir que está reformado há cerca de um ano, José Cardoso continua a trabalhar na sua oficina, a Auto São Domingos - situada na descida para São Domingos, em Santarém - todos os dias. Começa o dia sempre às oito e meia da manhã. Aos 66 anos, José Cardoso é mecânico de automóveis há mais de meio século. Com o apoio de três funcionários faz o diagnóstico de cada viatura que vai parar à sua oficina. Desde as revisões periódicas de manutenção dos automóveis até às reparações do motor e das caixas de velocidades, afinação de travões, suspensões e direcção, tudo tem solução na Auto São Domingos. “Quando há uma avaria no automóvel tem que se analisar o carro a pente fino para detectar a origem do problema e resolvê-lo. É fundamental para a viatura poder circular na estrada sem perigo”, afirma o mecânico.A paixão pelos automóveis e o facto do tio também trabalhar com carros levou-o a enveredar pela profissão que ainda hoje mantém. Mas antes de se iniciar nesta profissão teve outra actividade profissional. Começou a trabalhar aos 11 anos como relojoeiro. A minúcia e dedicação necessárias para o êxito daquele trabalho conquistaram-no. Desistiu apenas devido a um inconveniente. Para se ser bem sucedido na arte de relojoeiro é necessário ter sempre as mãos secas e as de José Cardoso transpiravam com frequência. “Tinha que andar sempre a lavar as mãos com amoníaco e fartei-me. Aproveitei esse inconveniente para deixar o ofício”, recorda a O MIRANTE.Começou a trabalhar na mecânica geral – nome que se dá quando trabalham com todo o tipo de marcas automóveis – numa casa em Santarém, cidade de onde é natural. Aos 17 foi convidado para trabalhar na Volkswagen. Começou a destacar-se na empresa devido aos conhecimentos e habilidade que demonstrava no dia-a-dia.A continuidade na empresa foi interrompida três anos depois quando foi destacado para cumprir o serviço militar em Moçambique. “Apesar da tropa me ter atrasado o percurso profissional foi uma experiência muito interessante e dei continuidade à profissão uma vez que também trabalhei como mecânico de automóveis enquanto estive em África”, explica.Quando regressou da tropa voltou a trabalhar na Volkswagen onde ficou durante cerca de 25 anos. Quando a empresa fechou em Santarém convidaram-no para trabalhar na empresa em Lisboa. Apesar de contrariado, por ter que se afastar da sua cidade e da sua família, aceitou o desafio. Só aguentou nove meses. “Queriam que ficasse e ofereceram-me qualquer lugar à minha escolha para chefiar. Mas não aceitei. Era muito complicado para mim estar longe da minha família”, diz José Cardoso.Oportunidades de trabalho nunca lhe faltaram. Foi convidado para chefiar a Mercedes e a Volkswagen na ilha da Madeira. Decidiu aceitar. Mais tarde ficou a chefiar também a BMW. Foi trabalhar para uma representante da BMW, Mazda e Volkswagen em Viseu onde ficou dois anos. Foi quando resolveu estabelecer-se por conta própria em Santarém. “Existem alturas na vida em que temos que tomar opções e foi o que fiz. Estava cansado de andar de um lado para outro, longe da minha terra. Tinha uma família e dois filhos para criar e por isso decidi abrir um negócio por conta própria”, explica, adiantando ainda que foi por causa da estabilidade familiar que recusou duas propostas bastante atractivas para trabalhar nos Estados Unidos da América, e mais tarde, na Rússia.Aos 35 anos começou a trabalhar por conta própria. Uma carreira de sucesso da qual faz um balanço muito positivo. O mecânico de Santarém elege as décadas de 70 e 80 como as melhores para o sector. “O negócio estava em expansão e foi quando se ganhou mais dinheiro”, conta. Trabalho nunca lhe tem faltado. Apenas no final de 2008 começou a sentir uma diminuição na procura dos seus serviços derivada da crise financeira que Portugal e também o resto do mundo atravessam.José Cardoso confessa que quando começou a trabalhar no ramo automóvel o negócio era melhor. E explica porquê. “Os clientes tinham um comportamento diferente. Quando não pagavam na hora comprometiam-se a pagar em determinado dia e cumpriam. Hoje, as pessoas levam os carros arranjados, dizem que pagam e depois não voltam para acertar as dívidas”, afirma o mecânico confessando que já teve que recorrer aos tribunais para conseguir que lhe pagassem o que deviam.Cardoso considera que o desenvolvimento tecnológico veio revolucionar o negócio e foi necessário adaptar-se às novas tecnologias com rapidez e eficácia. Considera, no entanto, que, actualmente, os carros estão muito melhor equipados e são fabricados de modo a proteger de forma segura os passageiros.
A tratar da saúde dos automóveis há mais de meio século

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