
Ezequiel Estrada volta a candidatar-se a uma freguesia no Entroncamento
Na apresentação dos cabeças de lista do PS Alexandre Zagalo acusou a gestão PSD de só fazer erros
O ex-presidente da Junta de Freguesia do Entroncamento (mandato 2001-2005), Ezequiel Estrada – na altura eleito numa lista do PSD – encabeça a lista do PS à Assembleia de Freguesia de Nossa Senhora de Fátima, naquela cidade.Ezequiel Estrada que nas últimas eleições tinha sido o segundo da lista do PS à câmara municipal, sendo actualmente vereador da oposição com o mandato suspenso, foi uma das surpresas da noite de apresentação dos cabeças de lista socialistas aos órgãos autárquicos daquele concelho.O candidato à Assembleia de Freguesia de S. João Baptista (a outra freguesia resultante da divisão em duas da freguesia do Entroncamento) é José Leote, um professor de educação física com trabalho realizado na área do associativismo, que já foi membro da assembleia municipal. Alexandre Zagalo e António Ferreira Marques voltam a ser os primeiros das listas concorrentes à câmara municipal e assembleia municipal, respectivamente, como já tinha sido anunciado há um mês. Os cabeças de lista socialistas foram apresentados sábado à noite, no decorrer de um jantar em que estiveram presentes cerca de cem pessoas, algumas das quais vindas de concelhos vizinhos. O presidente da Distrital do PS, Paulo Fonseca, face à ausência do militante João Lérias e de alguns outros que o apoiaram na tentativa interna de ser escolhido como candidato à câmara, fez um apelo à unidade do partido. “Temos que ter capacidade e humildade para estarmos unidos. Se, por imaturidade democrática, alguns não se juntarem a este colectivo, a tarefa vai ser mais difícil”, avisou.Alexandre Zagalo atacou a gestão da actual maioria PSD acusando-a de acumulação sucessiva de erros. “O executivo não teve um erro no mandato. Teve um mandato cheio de erros”, afirmou, depois de ter explicado que tinha sido aconselhado a falar apenas nas suas propostas. “Disseram-me para não falar do executivo mas tenho que falar”.Prometeu, em caso de vitória, conseguir que o Entroncamento volte a ter ensino superior e acabar com o estrangulamento do crescimento da cidade provocado pelas zonas de servidão do espaço militar e do espaço ferroviário. Garantiu ainda intervir na estação de caminho de ferro que considerou envergonhar a região e o país. “Se nada for feito a câmara assumirá – embora não seja da sua competência - as obras necessárias para que os utentes deixem de arriscar a vida diariamente naquele local, nomeadamente através da construção de uma passagem aérea para atravessamento das linhas”, disse a O MIRANTE.Alexandre Zagalo recuperou uma antiga ideia da construção de um Centro de Dia na zona sul da cidade, referiu-se à venda de um terreno que deveria ter sido disponibilizado para a construção de uma escola (ver caixa) e criticou o endividamento da câmara para o que classificou de obras de fachada. “É verdade que votámos favoravelmente algumas obras mas com a condição de terem financiamento. Mas elas estão a ser feitas com dinheiro dos bancos”, afirmou.O cabeça de lista à assembleia municipal, Ferreira Marques, que fechou os discursos, por volta das 22h00, exortou os presentes a participar regularmente nas sessões daquele órgão autárquico. “Apareçam porque aquele é um espaço de cidadania. Percebam como funciona e participem colocando problemas”.O terreno da escolaOs socialistas não se conformam com a venda de um terreno na zona norte da cidade, junto ao lar dos Ferroviários, que chegou a ser apontado para cedência ao Ministério da Educação a fim de ali ser construída uma escola do 2º ciclo. O vereador Ezequiel Estrada já apresentou argumentação jurídica que, segundo diz, prova que a venda foi feita de forma ilegal, embora não tenha recorrido aos tribunais nem tenha apresentado queixa à Inspecção. Ele e Alexandre Zagalo insistem que a escola deveria ser construída no local, argumentando que, dos 630 alunos que frequentam a Escola EB 2,3 Ruy de Andrade, na parte Sul da cidade, 430 habitam na zona Norte. Estes números são contestados pelo vereador responsável pelas questões da educação, João Fanha, que é professor na Escola Ruy de Andrade. Segundo ele há um equilíbrio entre alunos da zona norte e da zona sul e além disso o problema não é tão premente nesta altura devido à existência de transportes urbanos. “A construção de uma escola do Ensino Básico Integrado com Jardim-de-Infância está prevista na Carta Escolar do Concelho, que também foi aprovada pela DREL. Se aquela entidade quiser avançar disponibilizaremos um terreno para o efeito”, diz o autarca. Só que o terreno a disponibilizar deverá ser o do velho campo de futebol, situação que desagrada aos eleitos do PS. “A zona onde o PS pretendia colocar a escola não está destinada a equipamentos escolares e mesmo na altura em que o terreno foi indicado à DREL não agradou por estar junto a uma grande superfície comercial e a uma auto-estrada”, explica o vereador do PSD.A construção de uma escola do segundo ciclo chegou a ser equacionada no tempo em que o presidente da Câmara era José Cunha (PS). O governo inscreveu uma verba no Orçamento Geral de Estado para o efeito mas a câmara não disponibilizou o terreno e a oportunidade perdeu-se. João Fanha considera que uma nova escola fará ainda mais sentido se o ensino obrigatório for alargado até ao 12º ano. “Nessa altura a actual escola secundária não terá capacidade de resposta”, diz.

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