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Beber até cair durante três dias em Aveiras de Cima

“Ávinho” foi considerada um sucesso e promete voltar em 2010

Durante três dias a vila de Aveiras de Cima, Azambuja, ofereceu uma das maiores festas do vinho do Ribatejo. O segredo para o sucesso está na fórmula “portas abertas” das adegas privadas da freguesia. Com uma caneca de dois euros é possível provar o vinho de 15 casas diferentes.

Edição de 09.04.2009 | Sociedade
A poucas horas do início daquela que está já entre as festas mais populares do vinho do Ribatejo a população de Aveiras de Cima, concelho de Azambuja, já anda em alvoroço. Tudo tem de estar aprimorado para receber os visitantes da edição 2009 da “Àvinho – Festa do Vinho e das Adegas”. Os velhos têm a caneca na mão desde o meio-dia, ainda que as adegas só abram depois das 19h00. Vão salivando e antecipando o gosto da “pomada”.“Está tudo pronto para beber até cair!”, diz Márcio Rato, 78 anos, com um enorme sorriso. Para este residente a possibilidade de ter tanto vinho à disposição não é milagre. É simplesmente uma boa ideia. “Temos de ajudar e promover a vinha que o negócio está de rastos”, garante. A premissa da “Àvinho” é a mesma desde a primeira edição: com dois euros o visitante recebe uma caneca de barro e pode provar gratuitamente e à discrição o vinho de 15 adegas diferentes. Cada uma delas terá petiscos próprios e iguarias da região. Diz quem ali mora que o “objectivo é chegar à última adega e ainda conseguir falar sem enrolar a língua”. Aparte toda a diversão e alegria provocada pelo deus Baco, o objectivo central da “Àvinho” é promover a produção vinícola da vila de Aveiras de Cima, que tem atravessado uma longa e penosa crise. “A festa pode dar uma ajuda mas se não existirem apoios mais directos e uma promoção mais feroz do nosso vinho, quer ao nível concelhio quer ao nível do governo central, o nosso destino é fechar as portas”, lamentou um dos participantes a O MIRANTE. Mesmo com nuvens negras a encobrir o futuro de muitos dos produtores presentes, em dia de festa muitos evitaram falar de tragédias. “Vamos tentar vender o máximo que pudermos”, afiança outro participante, enquanto assa umas febras para acomodar o estômago, na noite de inauguração da festa. As receitas obtidas com as canecas destinam-se a auxiliar uma instituição carenciada do concelho.A edição deste ano foi musicalmente abrilhantada pelo comediante Marco Horácio e o seu “Rouxinol Faduncho”, que atirou para fora do Palco da República alguns fados apimentados. Seguiram-se ao longo dos três dias de festa os Deolinda, espectáculos de Jazz e Filarmónicas, cavaquinhos e um desfile etnográfico intitulado “O Ciclo do Vinho”. As adegas fecharam com o grupo de teatro de rua “Gazua”. Ficou para trás o empenho da população, que transforma a festa num evento nacional, decorando as fachadas das casas, criando bonecos animados e restaurando adegas que não conseguiram sobreviver à globalização. Na “Ávinho” foram coroados os vencedores do 27º concurso de vinhos do produtor, selecção realizada por provadores oficiais do Instituto da Vinha e do Vinho. Davide Vieira, nos vinhos brancos e a Agro Batoreu, nos vinhos tintos, foram os vencedores.“A festa é muito atractiva em termos de visitantes, tem crescido de interesse e é uma festa para manter e desenvolver cada vez mais”, assegurou a O MIRANTE o presidente da câmara da Azambuja, Joaquim Ramos.

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