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Misericordioso Manuel Serra d’Aire

Edição de 15.04.2009 | E-mails do outro mundo
Ultrapassada esta fase difícil do ano em que o consumo de carne se torna inconveniente para quem tenha receio de ir assar sardinhas para o Inferno, é hora de voltar a atacar umas costeletas de novilho e uns secretos de porco preto, porque o estômago não tem culpa da crise. É isso que tenho feito nos últimos dias, para me desforrar da Quaresma e empaturrar o bandulho.Faz-me confusão o caso que envolve um vereador da Câmara de Almeirim a quem uns funcionários da autarquia foram depositar lenha a casa alegadamente por engano. Não sei quem tem razão, nem me interessa muito. O que acho estranho é para que raio querem a lenha agora que o Inverno se foi e o calor começa a apertar. Será que por ali ainda se cozinha em forno a lenha. Se sim, não me importava de lá ir provar um bom cabrito assado, já que estou em maré de gastronomia. E como um bom pitéu deve ser devidamente regado, não posso deixar de censurar a deputada independente Luísa Mesquita que apresentou na Assembleia da República um projecto de resolução que propõe ao Governo a alteração dos 16 para os 18 anos da idade mínima legal de compra e consumo de álcool em locais públicos. Isto não se faz. A sorte da deputada é que os jovens afectados ainda não podem votar, senão era penalizada nas urnas em próximas eleições. Vinda de uma deputada que já foi comunista, esta espécie de lei seca para menores dá que pensar. O que é que um puto com 16 ou 17 anos faz aos sábados à noite se não pode beber uns copos? Como é que arranja coragem para engatar miúdas? Como é que vai arranjar inspiração para fazer as palermices que caracterizam essa fase da vida? Como é que vai matar a sede nas tardes de Verão nas esplanadas? A beber coca-cola (essa água suja do imperialismo americano)?E que vai a deputada, zeladora da moral e dos bons costumes, querer proibir mais? Os tremoços porque provocam gases? As pevides porque têm muito sal? Os camarões porque são seres vivos com uns bigodinhos simpáticos com vagas semelhanças com o Estaline e que não merecem acabar numa panela com água a ferver? Esta cruzada ascética, esta intromissão na auto-determinação dos nossos fígados dá-me cabo dos nervos. Eu que sempre fui imperialista convicto (não há nada como uma imperial fresquinha) e que já tive 16 e 17 anos levanto daqui a minha voz contra a opressão: putos de todo o mundo, uni-vos! E bebam uns copos que não vem daí mal ao mundo. Pois se viesse já o mundo tinha acabado e a deputada Luísa Mesquita não teria oportunidade de fazer estas propostas.Um brinde à vossa saúde do Serafim das Neves

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