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“Pintar é um desafio e não um escape”

Inês Morão tem quinze anos e vai expor pela primeira vez em Alverca

Inês Morão é uma jovem pintora de Vialonga. Tem 15 anos e vai mostrar pela primeira vez os seus trabalhos. Pintar, assegura, é fruto do momento e da felicidade. Mais do que um escape é um desafio.

Edição de 16.04.2009 | Sociedade
Quando Inês Morão frequentava a creche, tinha apenas três anos, já as educadoras de infância e auxiliares repararam que a menina tinha um jeito especial para desenhar. Diferente e mais desenvolvido que as outras crianças. Fazia desenhos e depois dava-os a avó para os vender às amigas no café e juntar dinheiro num mealheiro. Mais tarde, uma professora de Educação Visual e Tecnológica vaticinou.”Esta rapariga ainda vai ter alguma coisa a ver com as artes plásticas porque tem muito jeito para a pintura”.Não demorou muito tempo até concretizar-se o que a docente havia previsto. Aos onze anos uns tios, que também se aperceberam das suas potencialidades, ofereceram-lhe um cavalete e um estojo de pintura. Foi o momento de viragem para Inês Morão, 15 anos feitos a 14 de Março.“Pensava ser toureira e depois médica. Só há quatro anos é que comecei com a loucura da pintura mais a sério. Pego no pincel, acontece qualquer coisa em mim e começo a pintar a tela. Às vezes sei o que quero fazer, mas há alturas em que não tenho uma ideia do que quero pintar. Umas vezes sai bem, outras menos bem”, afirma, tímida, a artista.Inês Morão é natural de Vialonga e há três anos que frequenta o ateliê de pintura na Sociedade Filarmónica Recreio Alverquense, em Alverca do Ribatejo. Tem como professor o mestre Júlio Carmo Santos. Começou pelo carvão, aguarela, pastel e agora pinta principalmente a óleo. Gosta de desenhar a natureza, paisagens e cavalos, mas também deixa nas telas as marcas do mar, dos barcos e das casas. Admite, de uma forma humilde, que, para já, é-lhe difícil pintar o elemento humano, mas espera vir a fazê-lo um dia.O estado espírito tem muita influência no resultado final. A jovem garante que se estiver feliz a pintura fica como deve ser. Pelo contrário, se estiver mal-humorada, as coisas não saem lá muito bem. “Há dias em que não vale a pena pintar. Se sinto que não é um bom dia, não pinto,” revela Inês Morão.Gosta de estar entretida com os colegas a ouvir música enquanto dá asas à imaginação. Mas há alturas em que precisa de silêncio para criar à vontade sem que nada nem ninguém perturbe a veia artística. Diz que “pintar é um desafio e não um escape”. Garante que não é a fama que a move, mas o gosto e o prazer de simplesmente pintar. Intitula-se aprendiz e tem como grande referência, o professor, Júlio Carmo Santos. “Tem obras incríveis. Ainda não as vi todas, mas são muito giras”, elogia a aluna o seu mestre, que diz estar sempre a incentivá-la.Frequenta o nono ano na Escola Básica 2/3 de Vialonga e considera-se uma aluna média. Além da pintura, a Biologia é a outra paixão da jovem estudante. Gostava de, no futuro, poder conciliar os dois amores. Tratar das baleias e golfinhos e continuar a pintar. Mas essa é uma decisão que pode ficar para mais tarde. Inês Morão prepara-se para concretizar um sonho. Com apenas quinze anos vai expor pela primeira vez a título individual. Na mostra estarão vinte dos seus trabalhos. Será na Sociedade Filarmónica Recreio Alverquense, em Alverca do Ribatejo, e a exposição poderá ser vista de 25 de Abril a 12 de Maio.Pais orgulhosos e críticosPara Rita e José Morão ao facto de terem uma “artista” na família é motivo de orgulho. Quando se entra em casa percebe-se o porquê. Todos os quadros que decoram as divisões da habitação foram pintados pela filha Inês Morão.Sobre os trabalhos da descendente dão sempre opinião e são dos primeiros a criticar quando se justifica. Desconhecem de onde vem a veia artística já que na família só existe uma tia-avó com algum jeito para as artes plásticas. Como a filha tem apenas quinze anos Rita e José procuram dar os melhores conselhos à filha. Têm consciência que não é fácil viver só da pintura e por isso os estudos são fundamentais. “Para nós, a pintura funciona como um hobbie. Damos a nossa opinião, incentivamo-la, mas deixamos que seja ela a tomar a decisão. Mas leva muito a sério a pintura e os estudos”, referem.Mestre augura grande futuroÉ uma rapariga cheia de talento e com muita vontade em evoluir”. As palavras são do Mestre Júlio Carmo Santos, professor de Inês Morão, há cerca de três anos, na Sociedade Filarmónica Recreio Alverquense.O conceituado pintor não tem dúvidas em afirmar que a jovem tem progredido de ano para ano e que deve ser acarinhada e apoiada por todos já que é valor em ascensão. Júlio Carmo Santos augura um grande futuro a Inês Morão. Nesta idade, garante, “a evolução é sempre mais rápida”.

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