uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante
Rute Valente

Rute Valente

40 anos, Notária, Vila Franca de Xira

Rute Valente, 40 anos, é o rosto do cartório notarial de Vila Franca de Xira. É casada, tem uma filha com oito anos e mais de 100 quilómetros de viagens por dia. Organização é o segredo do sucesso.

Acho que vi muitos filmes americanos. Tirei o curso de Direito. Durante alguns anos exerci advocacia, mas confesso que nunca me dei bem com o confronto em tribunal. Como notária também lido com conflitos, mas tenho o papel de mediadora. Tinha a ideia de que ser advogado era defender altos valores. Na prática as coisas não funcionam assim. E é preciso ter jeito para ir à barra. Sempre tive o sonho de ser notária. Já tinha tentado. A vida foi rolando. Entretanto consegui em 2006. Faço mais de 100 quilómetros por dia. Moro no concelho de Torres Vedras, vou levar a minha filha à Póvoa de Santo Adrião e depois venho para Vila Franca de Xira. Uma das minhas prioridades é a educação da minha filha. Está no ensino privado. Será sempre assim até que me convençam do contrário. Assustam-me alguns aspectos que as mudanças no sistema educativo têm tido nos últimos tempos. Tenho o cartório em Vila Franca de Xira, mas não tenho ligação à cidade. Quando o concurso abriu achei que seria interessante. Lisboa não me fascinava. Não gosto do urbano puro.A minha filha aprendeu a tabuada nas viagens. Pode parecer ridículo, mas não vamos caladas a perder o tempo. Aproveitamos para trabalhar. A estratégia tem dado os seus resultados. Tem oito anos e já lê muito bem. Modéstia à parte, acho que ajudei. Quando vamos para o trabalho aproveitamos para fazer revisões e esclarecer dúvidas. O caminho de regresso é para saber como correu o dia. Nas férias vamos a ouvir músicas. Como notária passo a escrito a vontade das pessoas. Nunca esquecendo o que o direito permite. O horário que está na porta é o horário de atendimento ao público. Sempre que há necessidade de se trabalhar à noite trabalha-se. Quando isso acontece trabalho em casa. Tenho ligação ao servidor. O marido faz o jantar. É uma ajuda preciosa. Seria impensável preparar refeições às horas a que chego. Nem tinha paciência para isso. Ele também gosta. Não faz nada contrafeito. Faço questão de tratar das questões domésticas lá em casa. Não vejo o meu marido agarrado a um aspirador e a lavar vidros. Dou conta do recadoReservei os sábados à noite para estar no meu cantinho de leitura. Vou mais cedo para a cama e fico a ler. Gosto de romances históricos e do fantástico. Levam-me a mundos imaginários. Preciso de tirar um pouco a cabeça do Direito. Gosto de fazer arraiolos. Tenho um tapete parado há anos. Era mais assídua a fazer ginástica e desleixei-me um pouco porque perco muito tempo em viagens. Acordo às cinco e meia da manhã. Não me custa porque é uma questão de método. À noite sou uma lâmpada fundida. Deitar cedo é sagrado. Cerca das dez da noite. Sou muito metódica. Quando as coisas não estão organizadas em termos de horário fico perturbada. Se durmo poucas horas depois noto que o meu rendimento não é o melhor. Acho que a falta de sono é um dos males do nosso tempo. Assim que acordo faço uma cafeteira de café. Só para mim. É o meu vício. Adoro tomar o pequeno-almoço sozinha. Demoro um pouco até estar operacional. Tenho mais pressão do que quando trabalhava como advogada. Desde logo porque esta actividade implica uma faceta de empresária. Tenho aqui o meu investimento. Sinto o peso da responsabilidade. O volume de trabalho aumentou, mas não me assusta porque tenho a profissão que sempre ansiei.No cartório notarial depende tudo de mim. O que me dá maior gosto é quando as pessoas voltam. E isso acontece com frequência. Depois há aquela parte fascinante. De nunca se saber como vai ser o dia. Acredito que é um trabalho útil à sociedade. Consigo tirar uma semana de férias. Aproveito para procurar meios rurais. Dou muito valor à palavra. Acho que é um conceito que se está a perder. Pessoas com palavra são uma espécie em extinção. A lealdade, a sinceridade, a frontalidade e a honestidade são princípios que tenho para a minha vida. Tanto profissional como pessoal.
Rute Valente

Mais Notícias

    A carregar...