
Lançar sementes com uma máquina de guerra
Não é um canhão verdadeiro nem uma máquina agrícola completa. Chama-se “Sementeira” e é o mais recente projecto artístico de Miguel Palma, 44 anos. Na quinta-feira à tarde a arte saiu do museu do neo-realismo e deslocou-se até ao parque urbano de Santa Sofia, em Vila Franca de Xira, para uma performance que reuniu algumas dezenas de estudantes no relvado. Sementes de avelã, carvalho e arbustos foram lançadas para uma das encostas de Santa Sofia. A máquina, de aparência bélica, foi construída em 2006 com componentes ligados à agricultura. O artista queria levar a peça à trienal de Luanda e – mais do que isso – utilizá-la nos campos de minas de Angola, mas a aventura foi considerada perigosa. “A guerra constrói máquinas incríveis, mas produz resultados horríveis”, diz Miguel Palma. Uma caixa de madeira sobre a relva com balas redondas de semear. Uma mapa ao lado do visor com o folheto das sementes a plantar. Os estudantes de artes e belas artes aguardam à sombra de chapéus-de-sol instalados pela organização. O ambiente é de um mini festival de Verão. Palas de bonés, lenços e óculos de sol. “Fogo!”, grita o assistente. Seis tiros. Seis sementes. Seis munições gastas. Uma oportunidade para falar de paz evocando os tempos de conflito. As máquinas de guerra também podem ser usadas para outros fins. “O trabalho tem a ver com a ideia do semear. Durante a nossa vida, sejamos artistas ou acabamos por sentir essa vontade: de semear”.

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