Portugueses e espanhóis manifestam-se em defesa do rio Tejo
Dezenas de tractores e inúmeros caiaques deram cor aos mais de 30 mil manifestantes que sábado se concentraram na localidade de Talavera de La Reina (Espanha), em defesa do rio Tejo e de uma nova cultura da água. Meia centena de organizações, de Portugal e de Espanha, participaram no protesto que contesta o actual transvase do Tejo para o Segura e rejeita mais desvios de água do rio que afirmam estar a “morrer” e a “secar”.Presente no protesto esteve o município de Vila Nova da Barquinha, que como explicou o presidente da autarquia, Miguel Pombeiro (PS), “tinha que se associar” a este protesto. “Estamos a falar de um rio internacional, um património comum. O Tejo é tão importante para Espanha como para Portugal”, disse.Considerando “prioridade das prioridades” evitar que se aprovem mais transvazes do Tejo, o autarca aponta crescentes problemas no rio. “As pessoas que vivem o Tejo todos os dias notam que os caudais estão a diminuir. Temos estruturas fluviais construídas há poucos anos que em alguns períodos ficam secas. Temos que lutar por um Tejo vivo e com os seus caudais naturais”, frisou.Convocada pela “Plataforma em Defesa do Tejo e do Alberche”, a manifestação representou uma ampla unidade de praticamente todas as forças sociais, culturais e políticas da região. De forma algo insólita, o protesto caracterizou-se pela presença de bandeiras dos principais partidos espanhóis - PSOE, PP e IU - bem como de organizações empresariais e sindicais, e de representantes de organizações agrícolas e ambientais.“Este é o princípio da mudança, um antes e um depois na defesa do Tejo, que está a secar e a morrer”, disse à Lusa, José Francisco Ribas, presidente da autarquia local. “A sensibilidade plural da sociedade de Castela la Mancha e destas terras uniu-se para, com uma só voz, explicar que isto não pode continuar”, disse.Um dos momentos mais aplaudidos do protesto ocorreu quando duas dezenas de tractores agrícolas, em representação da Comunidade de Regantes, se uniram à manifestação. “O nosso rio, e as nossas águas, não são de ninguém. Mas nós, povos ribeirinhos, somos do Tejo. Somos o seu espelho, e lutamos pela sua dignidade e sobrevivência. Sem ele perdemos a nossa identidade”, sublinhou.
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