Um Exército ao serviço dos cidadãos
O texto de opinião editado na última página da edição de 17 de Junho sob o título “Um exército ao serviço dos cidadãos” suscitou-me sentimentos diversos e antagónicos. Com o respeito que me merecem opiniões diferentes e com o reconhecimento que tenho pelo facto de hoje, em tese, podermos exprimir livremente os nossos pensamentos (facto também devido aos militares), não poderia deixar de lhe dirigir esta missiva. Em princípio, concordo com o autor quando afirma que nada justifica uma guerra, ou que a guerra de África ainda hoje nos magoa e divide. Contudo, enquanto cidadão que muito se orgulha de servir Portugal e os portugueses como membro das Forças Armadas Portuguesas não posso calar a minha preocupação e a discordância com algumas das afirmações vertidas no referido artigo. Passar para os leitores uma noção que confunde as missões e os princípios constitucionais das Forças Armadas e das Forças e Serviços de Segurança não é apenas uma demonstração de ignorância como um mau serviço prestado à causa pública. Por outro lado não reconhecer os contributos prestados nos combates aos fogos e no apoio às populações rurais; no transporte de órgãos e nas evacuações médicas urgentes; no apoio às pescas e no combate ao narcotráfico, apenas para referir alguns exemplos de missões das Forças Armadas em tempo de Paz, é tentar ocultar uma verdade indesmentível.Finalmente confundir a existência das Forças Armadas, pilar fundamental como garante da Soberania Nacional, com a realização de uma cerimónia localizada (10 de Junho em Santarém) é julgar a floresta pela árvore, sem ter o cuidado de conhecer as riquezas e os valores que a floresta encerra.Espero que pelo respeito que também lhe devam merecer opiniões divergentes e sobretudo pelo respeito que merecem os militares que permitiram que os portugueses escrevam/digam o que entendem, permita a publicação desta humilde missiva que mais não visa do que reforçar uma ideia que perfilho e defendo e que é a existência de “um exército (leia-se Forças Armadas) ao serviço dos cidadãos”. Efectivamente!António Lima Coelho SargentoAjudante das Forças Armadas (na efectividade de serviço)Presidente da Direcção da ANSAssociação Nacional de Sargentos
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