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Tornar o cavalo um companheiro para bons e maus momentos

Tornar o cavalo um companheiro para bons e maus momentos

Crianças aprendem nas Cachoeiras a montar aos cinco anos

Dezenas de alunos a partir dos cinco anos aprendem a respeitar e cuidar o cavalo. Nas Cachoeiras, concelho de Vila Franca de Xira, há quem olhe a equitação como forma de criar relações de companheirismo e até de lançar um futuro profissional.

Edição de 21.10.2009 | Sociedade
Lara tem 9 anos e mesmo depois de ter acabado a aula de equitação há minutos prende os pais às bancadas do Centro Equestre das Cachoeiras, freguesia do concelho de Vila Franca de Xira, para ver os colegas treinar. De olhar atento, Lara conta que o que mais gosta nas aulas é “montar o cavalo”, mas os pais, residentes em Alverca, revelam mais do que as palavras de uma criança podem expressar. “Mais do que a equitação, ela gosta mesmo é do animal”, conta Dina Miguel, mãe de Lara. A paixão de Lara pelos cavalos nasceu há cinco anos, e se Fernando Miguel, pai da jovem, pensava que a filha “como não saltava dois degraus, poderia ficar com medo ao experimentar montar um cavalo”, acabou por concluir: “Nada mais errado. Nunca deixou a equitação e se não estava muito habituada a estar sem os pais acabou por decidir dormir cá nos estágios que o centro promove nas férias”, conta. Durante quatro dias os mais pequenos conviveram todos juntos com os instrutores, montando e tratando dos animais. No centro equestre, nos dias normais, convivem crianças e jovens que tomam o primeiro contacto com a equitação e os cavalos. À medida que vão evoluindo os pequenos equitadores passam a ter ainda a oportunidade de participar noutras actividades relacionadas com a preparação dos cavalos, a escovagem, a colocação das selas, entre outros. Para Guilherme, quatro anos, filho de Filipe Alves, residente no Carregado, ainda é muito cedo para montar. Pelo menos assim recomendam os médicos, e por isso, para a criança está reservado, um pónei, no qual vai passeando, uma vez por semana no picadeiro. Mas se actividade parece curta, o gosto pelos cavalos vai muito mais longe no coração do menino. “Começou há um mês, mas já notei que adorava cavalos há dois anos. Começou a sentir um fascínio pelas touradas na televisão. E eu, que nem era um apaixonado, levei-o à tourada e vi o seu entusiasmo com os cavalos. Aqui, sai sempre contente e a pensar na próxima aula”, conta a O MIRANTE. “Se daqui a uns anos quer aprender equitação, os pais cá estarão para o apoiar”, nota. Verónica Santos, directora do centro e instrutora, é um dos olhares atentos ao que fazem os pequenos cavaleiros. “Queremos tentar mostrar que o cavalo não é apenas um animal, é um companheiro, um amigo. Eles devem sentir que têm ali um verdadeiro companheiro, nas horas boas e nas horas más”, conta. Irmã do cavaleiro tauromáquico Paulo Jorge Santos, aprendeu a montar aos quatro anos e sempre sentiu o apelo da equitação, na quinta que o pai, Jorge Almeida Santos, tinha em Odivelas. Quando se mudaram para Vila Franca de Xira o gosto cresceu ainda mais e acabou por fazer formação como monitora e técnica de gestão equina na antiga filial de Vila Franca de Xira da Escola Profissional de Agricultura de Abrantes. Ao fim de quase nove anos de trabalho no Centro Equestre da Lezíria Grande, aproveitou uma quinta que o pai detinha, nas Cachoeiras, para criar um espaço onde a equitação pudesse ser olhada de uma forma mais lúdica. “Temos jovens que querem ser cavaleiros, de obstáculos ou tauromáquicos e outros até professores de equitação. Mas o mais importante é promover o respeito pelo animal”. Depois de ano e meio há alunos que já “adoptaram” o seu cavalo e lhe prestam todos os cuidados, em conjunto com os tratadores. Numa paisagem protegida pelo relevo dos montes das cachoeiras, anoitece no picadeiro, ao som de trote. Pais e filhos, juntos, observam a beleza dos cavalos, terminam as aulas e seguem para casa, reconfortados. O ar do campo arrefece mas revigora.
Tornar o cavalo um companheiro para bons e maus momentos

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