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O casamento segundo o padre José Luís Borga

O casamento segundo o padre José Luís Borga

Sacerdote diz que a maior parte das pessoas casa porque é o último passo antes do divórcio

Tertúlia na Cabana dos Parodiantes em Salvaterra de Magos abordou ainda a polémica causada pelo novo livro de José Saramago. “Saramago é um aprendiz. A Bíblia tem lá tudo”, diz.

Edição de 12.11.2009 | Sociedade
“Nem todos os padres têm vocação celibatária e muita gente que casa não devia casar”. A afirmação é do padre José Luís Borga, convidado da última tertúlia realizada na noite de quinta-feira, 5 de Novembro, na Cabana dos Parodiantes, em Salvaterra de Magos. O tema do debate era “O Sacerdócio no Século XXI”, mas a conversa fluiu ao sabor das questões das pessoas que encheram o café-restaurante da vila.O padre, que exerce no Entroncamento, considera que hoje já nem os párocos acreditam em muitos dos casamentos que celebram. “O que é que leva um casal que já vive em união de facto há vários anos e tem filhos ao altar? Vão lá só para o evento social. O casamento é um ponto de partida, não pode nunca ser um ponto de chegada. O casamento tem que ser credível e isso acontece cada vez menos. A maior parte das pessoas casa porque é o último passo antes do divórcio. O casamento está a dar cabo dos casais”, desabafa o padre em jeito de brincadeira e com ironia.José Luís Borga salienta que, tal como os casais, também os padres devem alimentar o seu amor e renovar o seu compromisso – que deve ser verdadeiro e autêntico – com Deus e a Igreja. “Quem vai para padre por vocação tem aqui uma vivência de amor de uma plenitude tal que o facto de escolher não casar não é diminutivo e pode ser um óptimo auxílio para uma vivência de maior integridade. Mas, como em todas as uniões, é necessário actualizar as decisões”, realça.Apesar de não ser contra o facto dos padres não casarem, José Luís Borga, aceita com agrado a inclusão de diáconos no Sacramento da Ordem. O pároco diz mesmo que este é um grande avanço para a igreja. “Os diáconos da Ordem de Santarém são todos casados e com filhos e presidem a casamentos e também celebram baptizados. Faz-nos falta homens casados a participar no sacramento da Ordem”, explica o pároco, admitindo que o celibato não é uma condição para se ser padre.José Luís Borga referiu ainda que só se consegue alcançar a felicidade quando conseguimos aceitar as coisas como elas são e naquilo que têm de mais agradável e menos bom. A tertúlia terminou com a actuação musical do padre ribatejano que cantou músicas do seu último álbum.Saramago será bem recebido por JesusComo seria de esperar, o tema mais falado durante a tertúlia na Cabana dos Parodiantes foi a última obra de Saramago, “Caim”, onde o autor, natural de Azinhaga (Golegã), abriu mais uma frente de polémica com a Igreja Católica. O sacerdote não quis dar muita importância ao assunto nem entrar em polémicas. Mas, questionado por uma senhora sobre o que Jesus diria a José Saramago, José Luís Borga não tem dúvidas que este lhe dará as boas-vindas quando se encontrarem.“Sabemos que a questão do vazio de Deus, da morte de Deus provoca curiosidade. Saramago não é original. Não o podemos julgar. É apenas mais um de muitos que abordam a questão de Deus e do vazio de Deus. O acto do ateísmo é tão vulnerável quanto o acto do teísmo, é tão difícil acreditar como dizer que não existe porque a razão não sustenta nem uma coisa nem outra”, explica.José Luís Borga disse ainda que a Bíblia é um ponto de referência e, provavelmente, o ponto mais cristalizado de uma história de fé. “Saramago é um aprendiz. A Bíblia tem lá tudo. Ele próprio lá está. Era bom que Saramago lesse melhor a Bíblia para se poder identificar”, concluiu.Música sempre esteve presenteJosé Luís Fernandes Borga nasceu em Lapas, concelho de Torres Novas, no dia 19 de Novembro de 1964, cerca de uma hora após o nascimento do seu irmão gémeo, Luís Manuel. Nascido no seio de uma família profundamente católica, tinha 12 anos quando participou na ordenação sacerdotal do seu irmão, João Borga. Em 1980, entrou no Seminário de Almada do Patriarcado de Lisboa, onde esteve até 1985. Depois frequentou o Seminário dos Olivais e em 1990 recebeu a ordenação sacerdotal integrando o presbitério da Diocese de Santarém. A música é uma presença permanente na sua vida e até entrar no Seminário foi organista do coro paroquial. Durante o seminário acompanhava, nas férias, o grupo de baile intitulado “Nova Era”, liderado pelo seu irmão gémeo onde tocava órgão. No seminário acompanhava o grupo coral à viola, em Almada, e ao órgão, nos Olivais. Na faculdade de Teologia da Universidade Católica participou no Festival da Canção Cristã, uma iniciativa da Associação de Estudantes. Venceu em 1983 com a canção “Velho Marinheiro” que integrou o seu primeiro álbum.No ano da comemoração do Jubileu, em 2000, inicia a sua carreira no mundo da música. O novo trabalho discográfico, editado em Junho deste ano, conta com arranjos de Carlos Alberto Moniz e com uma maior participação do padre/cantor.
O casamento segundo o padre José Luís Borga

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