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Famílias carenciadas do Forte da Casa receberam cabaz com alimentos

Famílias carenciadas do Forte da Casa receberam cabaz com alimentos

Instituto de Apoio à Comunidade e junta de freguesia suportaram o custo de 54 avios

Cinquenta e quatro famílias do Forte da Casa, concelho de Vila Franca de Xira, receberam um cabaz com alimentos pelo Natal. Instituto de Apoio à Comunidade e junta de freguesia juntaram-se para proporcionar um pouco de conforto nesta época festiva a quem menos tem na freguesia. Ana Santiago

Edição de 29.12.2009 | Sociedade
A carrinha estaciona no Bairro da Sodapóvoa, no Forte da Casa, concelho de Vila Franca de Xira. A chuva miudinha não impede que as colaboradoras do Instituto de Apoio à Comunidade deixem um cabaz com alimentos no apartamento de Eugénia Bernardino na tarde de quarta-feira, 23 de Dezembro. A antiga trabalhadora fabril, 84 anos, doente crónica, alcança a porta do prédio com alguma dificuldade. Para dentro leva arroz, esparguete, farinha, açúcar, óleo, azeite, bolachas e manteiga. Uma ajuda para aconchegar a mesa em véspera de noite de consoada que é recebida com um brilho nos olhos. O mesmo cabaz de alimentos foi distribuído a outras 54 famílias carenciadas da freguesia. A iniciativa partiu do Instituto de Apoio à Comunidade (IAC) e da Junta de Freguesia que cruzaram as listagens das famílias com a igreja local para evitar a duplicação de ajudas. O presidente do IAC, António José Inácio, que é também presidente da Junta de Freguesia do Forte da Casa, orgulha-se de ter na freguesia um levantamento apurado dos casos mais problemáticos que são detectados por três gabinetes que trabalham a área social: Gabinete de Atendimento Integrado (GAI), Gabinete de Integração Profissional (GIP) e Gabinete de Apoio Psicológico (GAP). “Tenho a certeza de que as pessoas que mais precisam receberam”, refere o autarca que considera que não existe no concelho um cruzamento das necessidades sociais tão funcional como na freguesia que tem 9700 habitantes. O almoço anual com os reformados da freguesia é também pretexto para saber se há mais alguém a precisar de ajuda. “Os casos são detectados pelos gabinetes ou no atendimento que faço à terça e à quinta-feira. E há sempre quem vá pedir ajuda à Igreja”, explica.A entrega dos cabazes, com géneros alimentícios secos, foi feita na casa de cada uma das famílias por funcionárias do apoio domiciliário do Instituto de Apoio à Comunidade habituadas a fazer este tipo de percurso, explica a responsável pelo serviço, Cidália Ângelo. Joaquina Moreira, Paula Pontinha, Luísa Madeira e Ana Maria Lopes entregam o saco e uma frase aconchegante. O custo do total do avio entregue ronda os dois mil euros e vai ser suportado pelas duas entidades. A ronda inclui também uma passagem pela casa de Nazaré de Sousa, 80 anos. Sorri para a fotografia e resume em breves segundos a vida de trabalho nas fábricas, os empregos a dias e uma pensão baixa. Nazaré é o apoio de filhas e netos, incluindo uma de 17 anos portadora de deficiência. Os olhos claros de Chaymae Salhi, 14 meses, abrem-se para observar gente nova que entra no apartamento. A menina, filha de um casal marroquino a residir há sete anos em Portugal, já nasceu em território nacional. O pai, Said Salhi, está a frequentar o Programa Ocupacional de Emprego na Junta de Freguesia do Forte da Casa. É motorista de profissão, mas varre ruas no Forte da Casa. O rendimento que leva para casa atinge os 450 euros, um valor que é baixo tendo em conta que pagam pelo apartamento 350 euros. “Queremos comprar leite para a bebé e o dinheiro é muito pouco”, diz com uma pronúncia muito acentuada apontando para o esquentador avariado e para a máquina de lavar roupa que já foi colocada de lado. A esperança é que a mãe da criança, Samira Salhi, que fala árabe e francês, consiga um emprego a dar aulas para ajudar a família, depois de arranjar um infantário para a bebé. Enquanto esse dia não chega há pão doce marroquino sobre a mesa para barrar com manteiga cozinhado sobre um fogão que funciona a meio gás.Residências do IAC abriram portas em noite de consoadaAs cinco residências do Instituto de Apoio à Comunidade, no Forte da Casa, concelho de Vila Franca de Xira, voltaram a abrir as portas em noite de consoada para receber quem quis passar o Natal com companhia. “Este ano apareceram duas pessoas. São reformados que não têm família no Forte da Casa”, revela o presidente do IAC, António José Inácio, que é também o presidente da Junta de Freguesia do Forte da Casa. À semelhança de anos anteriores o presidente voltou a convidar os mais solitários, não necessariamente carenciados, a juntar-se à mesa de consoada numa das residências. “Temos o hábito de ter à mesa o que é tradicional nesta época festiva”, convidou.A residência nº 1 funciona no Largo Luís de Camões, 13, a residência nº 4 na Rua General Humberto Delgado, 19 ou e a residência número 5 na Rua António Sérgio, no Forte da casa. A residência número 2 fica localizada na Rua da Proverba, lote 38, uma nova urbanização próxima do Bom Sucesso, na freguesia de Alverca. As residências são espaços do IAC que albergam idosos e que funcionam 24 horas por dia. António José Inácio reconhece que este é um gesto solidário que deveria estender-se ao resto do ano, mas lembra que é nesta quadra que sobretudo quem está só mais se ressente.
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