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Ana Paula Barão Professora, 42 anos, Alhandra
“Todos os dias são perfeitos! Mesmo quando algo de menos positivo marca um qualquer dia aprende-se sempre alguma coisa. Mas perfeito, perfeito... é um dia de sol, numa esplanada junto ao mar, sem o telemóvel a tocar, com um bom livro, uma companhia silenciosa que partilhe connosco o prazer de nos esquecermos do relógio em casa”.
O que pensa das alterações climáticas?Sou uma “recicladora” compulsiva há muitos anos. Vejo com apreensão a atitude de desrespeito do Homem em relação ao ambiente. Desagrada-me o egoísmo, o oportunismo, materialismo que condicionam as decisões políticas ao nível do ambiente. Contudo desagradam-me igualmente os extremismos ecológicos. São contraproducentes. Defina um dia perfeito.Todos os dias são perfeitos! Mesmo quando algo de menos positivo marca um qualquer dia aprende-se sempre alguma coisa. Mas perfeito, perfeito... é um dia de sol, numa esplanada junto ao mar, sem o telemóvel a tocar, com um bom livro, uma companhia silenciosa que partilhe connosco o prazer de nos esquecermos do relógio em casa. As associações estão em crise?Não me parece que as associações estejam em crise! O que eu acho que falha, muito honestamente, e porque também é um dos tópicos de discussão com os meus alunos, é o que eu chamo a “cultura do direito”. E esquece-se com frequência que associada a esta cultura deve vir a “cultura do dever”. Está a ler algum livro?Não consigo ler só um livro de cada vez. Neste momento, e por imperativos profissionais, mas também por um prazer egoísta que me acompanha desde o 11º ano (esta é a altura em que os meus alunos pensam: “prazer sádico!!!”), releio, pela 10ª vez, pelo menos “Os Maias”. O livro é um documento crítico da mentalidade e sensibilidade portuguesas feito com a acuidade, a inteligência e sabedoria de Eça de Queirós. Acabei de ler o último de Mário Zambujal e a Teoria das Nuvens. Como viveu este carnaval?Com muito trabalho e preocupação por inerência de funções na Sociedade Euterpe Alhandrense. Trabalho porque não se pode encarar com leviandade as expectativas das pessoas no que respeita ao carnaval da SEA. Preocupação porque o investimento de tempo, dinheiro, trabalho e entrega pode ficar comprometido por factores que não controlamos, nomeadamente, o clima. É adepta de festas?Sou adepta de todas as situações em que o convívio são, correcto e com respeito pelo outro nos faz felizes e faz os outros felizes. Não sei se é essa a definição de “festa”.Que opinião tem dos alunos?Tenho confiança na juventude actual. Com alguma pretensão considero-me responsável pela formação de alguns milhares de jovens. Dar aulas, formar carácteres, ensinar a pensar é um desafio que me motiva e que anima o meu quotidiano. Agradeço a todos os alunos a oportunidade - a muitos que fizeram o sacrifício de me aturar! - de viver a minha paixão. O que acha dos homens portugueses?Uma das coisas em que insisto com os meus alunos é na capacidade de saber quando nos devemos abster de dizer alguma coisa, porque o silêncio é, muitas vezes, uma manifestação de inteligência. Esta é uma delas (sorrisos).
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