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Casas demolidas em Santarém devido à instabilidade das barreiras

Câmara aconselha sete moradores da Rua de Santa Margarida a encontrarem alternativas de alojamento

Parte da EN 114 entre o planalto e a ponte D. Luís foi cortada ao trânsito devido à queda de pedras.

Edição de 03.03.2010 | Sociedade
Os deslizamentos de terras que se fizeram sentir nas encostas de Santarém na última semana levaram o município a solicitar que os moradores de algumas casas da rua de Santa Margarida, situada junto ao antigo Teatro Rosa Damasceno, abandonem as suas residências e se alojem provisoriamente noutros locais. Também desde as 21h30 de domingo, dia 28, o troço da Estrada Nacional 114 entre o Convento de Santa Clara e a Ponte D. Luís está encerrado ao trânsito devido à queda de pedras da grande dimensões provenientes da encosta. Um desses calhaus atravessou mesmo a estrada mas não atingiu qualquer viatura.O vereador da autarquia com o pelouro da protecção civil, António Valente, refere que para já serão demolidas duas habitações devolutas da rua de Santa Margarida, onde ocorreram derrocadas nos últimos dias. Segue-se, sem data ainda definida, a demolição de mais duas casas em condições precárias. Prevê-se que todos os edifícios a partir do número 13, inclusive, da rua de Santa Margarida vão abaixo.“Como medidas preventivas imediatas vedámos o acesso a logradouros e a espaços onde as pessoas tinham quintais e vamos demolir as casas devolutas que estão em risco de derrocada. Em relação às que não estão devolutas, já avisámos as famílias que terão de encontrar uma alternativa de residência, porque não queremos pôr em causa a segurança das pessoas”, afirmou o vereador durante a manhã de segunda-feira em visita ao local. Segundo António Valente a autarquia vai ajudar três famílias que vivem com maiores dificuldades, enquanto as restantes terão de procurar alternativas de residência.O projecto de intervenção global nas barreiras da cidade tem de esperar que a candidatura seja aprovada no âmbito do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) para um custo global previsto de 25 milhões de euros. O chefe de gabinete da governadora civil de Santarém, Carlos Catalão, garante que a secretaria de Estado da Protecção Civil está ao corrente da situação e que o ministro da Administração Interna está sensibilizado para a necessidade de avançar com uma intervenção nas encostas da cidade, já que já que os estudos estão realizados. Na tarde de segunda-feira o presidente da Câmara de Santarém, Francisco Moita Flores (PSD), esteve reunido com o secretário de Estado da Protecção Civil para o sensibilizar para um problema que considera “grave”.Em comunicado a Câmara de Santarém lembra que o trânsito cortado na EN 114 deve ser escoado pela estrada de Vale de Estacas, pela EN 365, de acesso à estação de caminho de ferro, na Ribeira de Santarém, para se poder seguir caminho para Almeirim.Moradores desgostososSe na passada semana os moradores da rua de Santa Margarida deixavam perceber que não queriam sair de suas casas, com mais um deslizamento junto a uma casa devoluta as esperanças de permanecerem no local foram-se desvanecendo.“É uma pena que prédios e habitações tão bons se deixem chegar a esta situação por causa de coisas que estão à vista: esgotos mal feitos que não foram orientados como deviam. Fizeram prédios novos e os esgotos não foram enviados para a avenida 5 de Outubro como previsto e puseram-nos à frente dos prédios 11 e 13, além de persistir o mau escoamento das águas das chuvas”, conta Lucília Gomes, moradora do prédio 13, um dos que no futuro terá de ser demolido. “Por enquanto fico em casa dos meus sobrinhos, ou vou para casa das minha filha mas terei de começar a procurar casa”, acrescenta.Ernestina Abreu, moradora do rés-do-chão do número 13, era uma das moradoras desoladas com a perspectiva de ser alojada noutro local. “Há 28 anos houve uma derrocada e apenas as casas muito antigas caíram. Dizem que está tudo bem construído, em cima da antiga muralha da cidade”, refere.José Ribeiro, morador no número 11, acusa as autoridades e os presidentes de câmara de nada terem feito. “Falamos do mesmo assunto há 28 anos mas nada se fez”, garante quem pensa que o seu prédio não será dos “eleitos” para demolição.

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