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O noivo radical e o bouquet de vides e rosas vermelhas

O dia do casamento é feito de pormenores

Quem disse que o casamento deve realizar-se na terra da noiva? E que o fato do noivo não serve para ser usado depois? Um ramo feito com vides enfeitadas com rosas vermelhas pode servir de bouquet de noiva? Nem só da tradição vive o grande dia.

Edição de 14.04.2010 | Especial Noivos
“Queres casar? Sim ou não?” O pedido foi espontâneo e apanhou de surpresa a namorada de Pedro Lagareiro dos Santos, 30 anos, residente em Benavente. A casa já estava montada quando o técnico superior de comunicação mudou de opinião e decidiu partir para o enlace com Susana Simões indo assim ao encontro da tradição de família. O dia do casamento, 8 de Outubro de 2005, não foi menos original. A marcação foi feita em Março do próprio ano, quando os salões já têm as agendas preenchidas, e por isso o noivo não conseguiu dar o nó a 24 de Setembro, data de aniversário, aproveitada para a despedida de solteiro.“Fui um noivo radical”, avisa Pedro no início da conversa. O fato para a cerimónia foi comprado numa loja de roupa casual. Escolheu um modelo que lhe permitisse voltar a vesti-lo. O mesmo aconteceu com os sapatos, explica quem não suporta a ideia de comprar uma peça para um dia único. “Fugiu” à cerimónia na Igreja e casou às 16h00 de um sábado pelo registo. Não houve recepção aos convidados em casa e o casamento não se realizou na terra da noiva (Marinhais) já que o noivo tinha maior número de convidados. A cerimónia civil decorreu no salão nobre da Casa Calheiros, que acolhe hoje a Biblioteca Municipal de Benavente.Pedro Lagareiro dos Santos proibiu os apitos dos convidados no percurso até ao restaurante “O Miradouro” e foi o último a chegar para evitar surpresas sonoras de última hora. Ao contrário do que é habitual as fotografias foram reduzidas ao mínimo e os 350 convidados não perderam tempo na ronda pelos jardins. “Gastei 300 euros nas fotos”, exemplifica. O DVD foi realizado por um amigo. Os convidados foram distribuídos por mesas com nomes de desenhos animados como a formiga fenómeno ou o coelho, Bugs Bunny, e como brinde o noivo ofereceu um artigo útil: uma almofada para prender agulhas que a mãe e madrinha do noivo ajudaram a fazer.Ao contrário de Pedro Lagareiro dos Santos a professora do primeiro ciclo do ensino básico, Ana Costa, 32 anos, escolheu a manhã para realizar o casamento num registo mais tradicional. A cerimónia realizou-se a 5 de Julho de 2003 na aldeia de Vale da Pedra, no concelho do Cartaxo, onde residia também o noivo, Isidro Martins. Às 10h00 já estava à beira rio, em Valada, para ser fotografada na aldeia de onde era natural a mãe. “É um dia em que passamos muito tempo com o fotógrafo para relembrar mais tarde como foi esse dia”, admite. Organizou em casa uma recepção aos convidados e ainda teve que fazer um compasso de espera para ver passar os carros do noivo. Saiu depois em direcção à igreja. Entrou de braço dado com o pai quando todos os convidados já estavam sentados. A vela de baptismo dos dois noivos foi usada durante a cerimónia. O noivo passou o dia gelado, não por causa da temperatura que se fazia sentir em início de Julho, mas pelo receio de que alguma coisa não corresse bem, revela a noiva, mais tranquila, que esteve preocupada sobretudo com a mãe, na altura bastante debilitada em termos de saúde. Os convidados foram distribuídos por mesas com pensamentos sobre a felicidade, o amor e alegria. A noiva usou liga e um saiote emprestado, como manda a tradição. Os sapatos baixos que usou durante o dia já tinham sido estreados numa outra cerimónia e por isso a caminhada foi confortável.O bouquet em tons dourados com ramos de vides e rosas vermelhas ficou esquecido no restaurante onde se realizou o casamento. Não por superstição, mas por mero acaso. “Não voltei lá para o ir buscar”, diz divertida entre duas gargalhadas. Um pavilhão construído para o grande diaAna Bela e Abílio Rodrigues, um casal de empresários de Azambuja, casaram há quase 33 anos num tempo em que a tradição mandava que fossem os pais a organizar a festa. A noiva, 19 anos, vivia em Casével, no concelho de Santarém. O noivo, 23 anos, residia em Alcorochel, já no município de Torres Novas. O que a Estrada Nacional 3 separava o matrimónio uniu a 9 de Julho de 1977.A boda foi feita em casa e o pai de Ana Bela, que chegou a estar emigrado na Alemanha, construiu um pavilhão propositadamente para o casamento da filha mais velha. No mesmo espaço casaram depois os três irmãos mais novos (mais duas raparigas e um rapaz). O vestido da noiva era branco com véu comprido. Foi comprado num pronto-a-vestir em Torres Novas o que não era muito comum na altura. Na semana do casamento os padrinhos receberam um tabuleiro com vários doces e à casa dos convidados também chegou arroz doce e bolos ferraduras.Para preparar a boda a família recebeu a cozinheira durante uma semana em casa. “Lembro-me que foi dormir à segunda-feira a nossa casa”, recorda Ana Bela. Os bolos começaram a ser preparados à terça e à quinta-feira foi a vez das carnes. Receberam 232 convidados, recorda a o noivo, Abílio Rodrigues.Na noite anterior à cerimónia a noiva não dormiu o sono de beleza porque foi preciso ajudar a família. Uma hora de descanso chegou. Às seis da manhã, mesmo sem despertador, Ana Bela correu até ao cabeleireiro. Vestiu-se em casa e seguiu depois para a igreja de táxi, propriedade de um tio. Começava assim uma festa que prometia durar até às seis horas da manhã do dia seguinte. Um grupo de amigos não arredou pé e quis ficar. Os noivos fizeram companhia até chegar a altura de receber as “visitas”, a prenda para ajudar os noivos em início de vida.

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