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Fernando Andrade

Fernando Andrade

46 anos, gerente da Cabana dos Parodiantes, Salvaterra de Magos

Tem 46 anos e o episódio que mais o marcou na vida foi a morte do pai, que o obrigou a mudar de carreira e de estilo de vida. Fernando Andrade é hoje o gerente da Cabana dos Parodiantes, em Salvaterra de Magos, mas continua a pintar nas horas vagas. Considera-se uma pessoa extremanente espiritual e ligada à familia.

Edição de 14.04.2010 | Três Dimensões
As minhas lembranças de infância são da Cabana dos Parodiantes. Nasci em Salvaterra de Magos a 17 de Janeiro de 1964 e as minhas primeiras memórias são de andar no meio da farinha e dos bolos aqui da pastelaria, com os empregados da Cabana, que na altura se chamava Sol da Lezíria. O meu primeiro emprego foi nos Parodiantes de Lisboa. Trabalhei lá em part time durante três anos, entre 1989 e 1992. Estive a trabalhar com os meus tios como técnico publicitário e durante essa época todos os anúncios dos Parodiantes na rádio foram feitos por mim. Trabalhar com os meus tios era uma grande alegria. Eram pessoas que transpiravam humor. Não era só dentro do estúdio quando estavam a gravar os programas dos Parodiantes, era em todo o lado. Eram pessoas bem-dispostas por natureza e isso influenciou-me muito na minha forma de estar na vida.A minha formação é artística. Entrei para Belas Artes no final dos anos 80. Paralelamente a isso tirei um curso médio de teatro e fiz teatro em Salvaterra e em Santarém. Dei também aulas de Educação Visual.O falecimento do meu pai obrigou-me a mudar de carreira. Fui obrigado a deixar para trás os palcos e a minha carreira como professor e ficar à frente da pastelaria a tomar conta do negócio. É uma casa com muita história e já vai na terceira geração. Já passaram aqui milhares de pessoas para comprar os nossos barretes e é um sítio que faz já parte de Salvaterra de Magos e da história do Ribatejo.Faço pintura. Tenho um atelier e sempre que posso faço exposições, mas a pastelaria ocupa-me muito tempo. Mas faço questão que seja um sítio onde se faz cultura e extravaso um pouco aí a minha veia artística. Sou bígamo. Casei com a minha mulher e também com a Cabana dos Parodiantes. São duas mulheres a quem tenho de dar sempre assistência diária porque elas assim mo exigem. Tenho uma rotina dura. Sendo o gerente da casa saio sempre da Cabana dos Parodiantes perto da 01h00 da manhã. Trabalho todos os dias menos à quarta-feira, muito embora em casa acabe por também estar a trabalhar para esta casa, alimentando o site e os blogues e planeando a programação cultural. Sou um bocado preguiçoso para o desporto. Faço só piscina, mas não tanto como queria e deveria. Passo cerca de dez a doze horas na Cabana e incuti na minha mente que não devia fazer mais desporto porque já estou cansado. O que não é verdade. Podia fazer desporto fora daqui e só tinha a ganhar com isso. Mas já chego tão cansado a casa que não consigo fazer mais nada.Em casa tento não falar em trabalho. A minha mulher trabalha comigo, por isso tentamos em casa não nos envolver com os problemas da Cabana, para salvaguardarmos essa componente familiar. Tenho uma semana de férias por ano. Procuro durante esse tempo descobrir o Portugal que não conheço. Pego no carro e tento explorar as zonas recônditas do país. Esses pequenos paraísos. O Norte, por exemplo, é algo que eu vou estar a descobrir a vida inteira.A família para mim é o segredo da estabilidade emocional e física das pessoas. Tem sido o grande suporte do Homem ao longo dos séculos e quando a família falha anda perdido. Para mim tem uma importância fulcral.Sou uma pessoa muito espiritual. Não vou à igreja mas mantenho um diá-logo constante com Deus quando estou só e especialmente antes de me deitar. É nesse diálogo que mantenho o meu equilibrio e é o que me faz acreditar no dia de amanhã.Os principais valores para mim são a honestidade e a humildade. A coisa que mais me choca na vida são as traições, as intrigas e infelizmente é o que mais vemos no dia-a-dia, especialmente na política. A humildade é o valor mais importante num indivíduo porque é o que o faz evoluir e crescer. Patrícia Cunha Lopes
Fernando Andrade

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