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Presidente e ex-vereadores do Cartaxo investigados por suspeita de corrupção

Polícia Judiciária realizou buscas na câmara e nas residências dos suspeitos

Paulo Caldas acabou mesmo por ser detido por posse ilegal de arma, que diz ser herança familiar e da qual não tem registo, tendo sido ouvido por um juiz.

Edição de 19.05.2010 | Política
O presidente da Câmara do Cartaxo, Paulo Caldas (PS), cuja autarquia e residência foram alvo de buscas da Polícia Judiciária (PJ) esta terça-feira, está a ser investigado por suspeitas do crime de corrupção, revelou fonte ligada ao processo. A mesma fonte confirmou que o autarca foi detido por posse ilegal de arma, mas que as diligências relacionam-se com suspeitas da prática do crime de corrupção. A PJ efectuou também buscas nas residências dos vereadores socialistas do mandato anterior – Pedro Ribeiro, Francisco Casimiro e Rute Ouro.A arma de calibre 6.35 apreendida pela PJ é uma herança deixada pelo avô da esposa e da qual não há documento que comprove a sua origem. Caldas foi ouvido por um juiz do Tribunal do Cartaxo em processo sumaríssimo e acabou multado em 500 euros. Durante a intervenção dos agentes da PJ, viu o cartão de crédito apreendido. Várias pessoas estiveram na casa de Paulo Caldas no final da tarde de terça-feira, após este ter regressado do tribunal, designadamente o seu pai, Vítor Varela, o seu novo secretário na câmara, Manuel Colhe, o vice-presidente da autarquia, Paulo Varanda, além do irmão Alexandre Caldas.Durante a tarde de terça-feira, o vice-presidente da Câmara do Cartaxo, Paulo Varanda (PS), já tinha confirmado a realização de buscas e disse que uma dezena de elementos da PJ estiveram de manhã, cerca de hora e meia, no interior da câmara, tendo sido acompanhados por Paulo Caldas, que diligenciou no sentido de serem facultados todos os documentos solicitados, incluindo em formato digital. O vice-presidente disse desconhecer o teor das buscas, não confirmando qualquer ligação a alegado financiamento partidário.Segundo O MIRANTE apurou, as buscas visam os períodos de 2002 a 2004 e de 2005 a 2009 da gestão da câmara. Durante esse dia foram visitadas várias empresas a quem a câmara adjudicou empreitadas nos últimos anos.Paulo Caldas manifestou-se disponível para prestar “toda a colaboração” às autoridades na investigação em curso, dizendo-se o “principal interessado” na sua conclusão para esclarecer quaisquer suspeitas. Numa nota enviada às redacções pelo seu advogado, Rui Patrício, o autarca sublinha que as buscas efectuadas pela PJ “são meios legais de investigação” para “apurar se suspeitas que possam existir - e cujas fontes e causas podem ser as mais variadas - se confirmam ou não”. O presidente da Câmara do Cartaxo realça ainda que não deixará de exercer a sua defesa com tranquilidade e firmeza, “não aceitando que se façam a partir destas buscas quaisquer extrapolações ou se tirem quaisquer conclusões abusivas, precipitadas, levianas ou maldosas”. O autarca diz ainda não querer prestar mais declarações públicas, “não só por respeito para com o processo e as autoridades de investigação (…) mas também para não alimentar o ruído excessivo sobre este assunto”.Em Fevereiro de 2009, numa outra investigação da PJ, Paulo Caldas foi constituído arguido num processo relacionado com a realização de obras ilegais nos terrenos onde se encontra a empresa Casa das Peles.

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