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O capataz que esteve preso na Índia

Edição de 19.05.2010 | Sociedade
Chama-se Sabino Godinho Saturnino e tem 70 anos. É capataz na Quinta da Murta. Filho de Diamantino Carvalho Saturnino, falecido há dois anos, com 92 anos de idade e de Antónia Figueiredo Godinho, nasceu em Alpiarça mas com 5 meses de idade foi com os pais para a Quinta de Vale Carros. “Fui o primeiro aluno dali a ir à escola. Ía pelos caminhos das ovelhas até Vale de Cavalos. Andava descalço. Só tive as minhas primeiras botas aos 8 ou 9 anos”. Foi o primeiro miúdo de Vale Carros a ir à escola e um dos últimos soldados a sair da Índia em 1961. “Estive preso no forte da Aguada, na velha Goa, Panjim, com mais 400 militares portugueses durante 6 meses. Para o fim nem roupa tínhamos porque a que usávamos na altura em que fomos presos já se tinha esfarrapado toda. Dormíamos no chão. No cimento. Não havia sequer uma manta”.“A alimentação era arroz cozido em água do mar. Ao fim de algum tempo permitiram a um comerciante ir lá vender algumas coisas aos presos.Umas latas de leite condensado e alguma fruta. Havia lá um oficial que tinha dinheiro e que desenrascou alguns que não tinham um tostão. Pagámos tudo quando fomos libertados. O nosso dia-a-dia era roçar mato no exterior e à tarde levavam-nos ao mar para tomarmos banho. Vivíamos em celas abertas que davam para um pátio. Havia por lá uns livros e lembro-me que li e reli uma colecção de romances do John Steinbeck. Perdi 12 quilos. E eu já era magro”, conta. Regressado a Portugal a bordo do Vera Cruz, em Maio de 1962, foi desmobilizado e tirou a carta. Foi motorista e chegou a ter uma pequena empresa de camionagem.

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