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Carlos Fontan é o fundador do atletismo no União Atlético Povoense

Carlos Fontan é o fundador do atletismo no União Atlético Povoense

Pista com o seu nome foi reconhecimento da terra pelo seu trabalho

Fundou a secção de atletismo do Povoense em 1959. Praticou atletismo, futebol e andebol em vários clubes, inclusive no estrangeiro. É ainda massagista, sócio de mérito da federação portuguesa de atletismo e juiz em competições internacionais.Jorge Afonso da Silva

Em Outubro de 1959, com apenas 23 anos, fundou a secção de atletismo do União Atlético Povoense (UAP) na freguesia da Póvoa de Santa Iria, concelho de Vila Franca de Xira. Em Maio de 2005 a terra que o viu crescer reconheceu-lhe toda uma vida dedicada ao desporto em geral e ao atletismo em particular, atribuindo o seu nome à pista do clube. A única existente actualmente no concelho.Carlos Fontan nasceu em 1936 em Alhandra mas aos seis anos mudou-se para a Póvoa de Santa Iria. Começou por praticar desporto nos principiantes do Vialonga e a correr nas festas populares. Ingressou nos juniores do povoense para jogar futebol e mais tarde esteve no Belenenses, onde praticou andebol de 11 e atletismo. Alverca foi a próxima paragem para jogar andebol de 11 e de 7. Corria o ano de 1964 quando Carlos Fontan, mais um colega do Belenenses, apanharam o comboio e rumaram até França à procura de uma vida melhor. Tinha 28 anos. Trabalhava como soldador mas o desporto esteve sempre presente. Praticou atletismo, jogou futebol na terceira divisão nacional e andebol na primeira divisão, onde chegou a ser campeão nacional em 1965. “Era o único estrangeiro na equipa”, diz com orgulho apontando para a foto emoldurada, que ajuda a revestir as paredes da sala, cheia de quadros, fotografias, bandeiras e diplomas. Recordações do passado que ainda o emocionam.Depois de 18 meses em França regressou a Portugal onde esteve apenas três meses. O destino seguinte foi a Alemanha. Durante os 20 meses que lá esteve, voltou a jogar futebol na 4ª divisão. Bélgica foi a próxima paragem. Passados oito meses rumou até à Holanda. Esteve oito anos e meio no país das tulipas, período durante o qual trabalhou como soldador e praticou futebol. Na Holanda tirou o curso de massagista. Pago a meias com o Estado holandês.Após o 25 de Abril regressa definitivamente a Portugal. Tinha 39 anos. Ainda chegou a jogar andebol nos amadores do Povoense e fez uma época no andebol do Alverca. “Jogava a pivot e tinha uma grande pedrada”, recorda Carlos Fontan que praticou ainda o decatlo.No povoense exerceu funções de massagista, secretário-geral, vice-presidente e até foi motorista. Após uma chatice foi para Benavente onde esteve oito anos como massagista, continuando a ajudar nas camadas jovens do atletismo do povoense. De 1995 a 2008 o massagista esteve ao serviço do Alverca, clube que lhe deixou muitas saudades.Carlos Fontan é sócio de mérito da Federação Portuguesa de Atletismo. Participou no primeiro congresso científico de atletismo. Frequentou o primeiro curso internacional de enfermagem desportiva. Fez parte do corpo clínico que acompanhou os atletas que participaram nos Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996. É ainda juiz de atletismo, tendo participado, entre outros, no Campeonato do Mundo de Pista Coberta realizado em 2001. Tem ainda o curso nacional de treinador e colabora regularmente com a Federação Portuguesa de Atletismo em competições e mesmo na área da alimentação. Actualmente, Carlos Fontan tem um consultório de massagem em casa e é o massagista da secção de hóquei em patins do Vialonga. Apoia ainda o futsal do povoense e dos académicos da Póvoa. “Faz falta uma pista como deve ser no concelho”Carlos Fontan defende que devia existir uma pista completa e como deve ser no concelho de Vila Franca de Xira. Isso traria mais gente e movimento à terra. A única que há é aquela que tem o seu nome na Póvoa de Santa Iria, merecedora de críticas da sua parte. “Não pode receber campeonatos nacionais nem regionais. Tem os 400 metros regulamentares mas só tem capacidade para seis atletas quando as finais só se realizam com oito. Além disso, as provas técnicas, como lançamento do disco, peso ou dardo não se podem fazer. A pista é feita de borracha e alcatrão. Basicamente serve para treinar”, lamenta.Ainda sobre este assunto acusa. “Acho que podiam ter feito as coisas como deve ser e hoje termos uma pista completa. O dinheiro que gastaram no futebol sénior na terceira nacional era para a pista. Mas as pessoas foram na conversa de alguns professores de educação física e estragaram tudo”, afirma Carlos Fontan.
Carlos Fontan é o fundador do atletismo no União Atlético Povoense

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