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Há mais de 30 anos a zelar pela Escola Sá da Bandeira

Há mais de 30 anos a zelar pela Escola Sá da Bandeira

Cristina Fernandes é chefe dos auxiliares de uma das escolas secundárias de Santarém
Edição de 01.06.2010 | Identidade Profissional
Às 08h30 da manhã, quando os alunos chegam para iniciarem mais um dia de aulas, já Cristina Fernandes distribuiu o trabalho pelos colegas. Funcionária da Escola Secundária Sá da Bandeira, em Santarém, há 35 anos, Cristina Fernandes é actualmente chefe dos auxiliares da escola. A sua função é coordenar o trabalho de todos os auxiliares para que nada falhe na supervisão dos espaços. Um trabalho que, garante, não é fácil de gerir, sobretudo quando um colega está impossibilitado de ir trabalhar.A funcionária, actualmente com 62 anos, confessa a O MIRANTE que quando era jovem não imaginava que abraçaria esta profissão. Mas diz-se feliz pelo rumo que a sua vida profissional levou. Antes de iniciar funções na Sá da Bandeira, Cristina Fernandes teve outras profissões. Depois de ter concluído a quarta classe teve uma curta experiência – um mês – como cabeleireira. Mas a sobrecarga horária levou-a a desistir. Resolveu experimentar a costura. Profissão que exerceu até aos 20 anos tendo chegado a trabalhar numa boutique em Braga. A vida trouxe-a novamente para Santarém e foi nessa altura que começou a trabalhar no então Liceu Sá da Bandeira, como auxiliar de cozinha. Com 14 anos já tinha tido uma pequena experiência no refeitório da escola. “A minha cunhada, que trabalhava no refeitório, ficou doente e tinha que arranjar alguém que a substituísse senão corria o risco de ser despedida. Pediu-me para substituí-la e estive lá dois meses. Quando a minha cunhada regressou ao trabalho voltei para a costura”, conta a O MIRANTE.Mais de uma década depois regressou definitivamente à escola onde ainda hoje trabalha. Começou como ajudante do refeitório. Ajudava a servir às mesas e a lavar a loiça. “Sempre que tinha que lavar as panelas tinha que pedir ajuda porque não podia com elas. Eram muito pesadas”, recorda com um sorriso. Após três anos no refeitório passou para os corredores da escola, como auxiliar.A sua função era fazer limpeza, actualizar o livro de ponto, levá-lo aos professores, fazer as pautas e os sumários. Actualmente existem algumas diferenças. Já não são os auxiliares que fazem a limpeza na escola, as pautas são computorizadas e são os professores que levam o livro de ponto para as aulas. A função de Cristina Fernandes, e dos restantes auxiliares, é darem apoio aos professores e garantirem que tudo esteja em ordem nos corredores e pátios da escola. A chefe dos auxiliares da escola confirma que mantém uma excelente relação com os alunos. Alguns fazem questão de cumprimentá-la de forma mais radical, como se cumprimentam entre si. E Cristina alinha na brincadeira. “Gostam de brincar comigo e eu dou-lhes liberdade para isso, mas sempre com respeito”, assegura.O papel dos auxiliares é também perceber quando as coisas correm menos bem com os alunos. Cristina Fernandes já deu apoio a alguns jovens, e muitos procuram-na quando precisam de ajuda. “Um aluno que tinha mudado recentemente para esta escola não se estava a adaptar bem. Andava cabisbaixo e não se dava com os colegas. Falei com ele e percebi que os colegas gozavam e colocavam-no de parte. Falei com duas jovens da turma dele e pedi-lhes para integrá-lo no grupo e na turma. E foi o que aconteceu. Por vezes, é preciso uma palavra de uma pessoa mais velha para as situações terminarem bem”, explica.Para Cristina Fernandes, a parte mais difícil do ano lectivo é ter de se despedir dos jovens que deixam a escola. Os laços de amizade criados com os alunos dificultam a separação. Mas, para a funcionária da escola, é muito gratificante, quando anos depois de terem deixado a escola, os alunos ainda a cumprimentam na rua. “Às vezes vou na rua e homens e mulheres já com 40 anos vêm ter comigo e perguntam-me se não me lembro deles. Confesso que muitas vezes o rosto é-me familiar mas não consigo associar. Depois lá me dizem quem são e fazem questão de me dar um beijinho. É muito bom”, garante.Depois de mais de três décadas a cuidar para que nada falhe nos corredores da EScola Sá da Bandeira, Cristina Fernandes prepara-se para deixar a escola. Já meteu os papéis para a reforma e espera trabalhar só até ao fim do ano. Depois vai para casa. Até lá vai aproveitar os últimos momentos com professores e jovens com quem conviveu uma vida inteira. Em breve começa uma nova etapa da sua vida.
Há mais de 30 anos a zelar pela Escola Sá da Bandeira

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