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E ao oitavo livro a romancista escreveu sobre a vida de um homem

E ao oitavo livro a romancista escreveu sobre a vida de um homem

Livro de Ana Cristina Silva sobre o rei poeta presta serviço à cultura portuguesa

Ao oitavo romance a escritora vilafranquense aceitou o desafio de escrever, pela primeira vez, sobre um homem. A obra de Ana Cristina Silva, dizem os especialistas, fazia falta no panorama nacional trazendo para a luz da actualidade a história do rei poeta esquecido.Jorge Afonso da Silva

Edição de 02.06.2010 | Sociedade
A “Crónica do Rei Poeta Al-Mu’Tamid” – da autoria da escritora de Vila Franca de Xira, Ana Cristina Silva – presta uma grande homenagem à figura nascida em Beja em 1040 (ver caixa) e um grande serviço à cultura portuguesa.Esta é a convicção de José Adalberto Coelho Alves, investigador de cultura árabe, com mais de 30 livros editados, que fez a apresentação do oitavo livro da romancista vilafranquense no final de tarde de quinta-feira, 27 de Maio, na sede do museu municipal da cidade.“É uma vergonha que em Portugal o trabalho de Al-Mu’Tamid não seja conhecido. Faltava no nosso país um livro que trouxesse até nós o grande rei poeta. Uma figura universal com uma presença importante na cultura portuguesa”, afirmou o vencedor do prémio Sharjah 2008, para a cultura árabe, atribuído pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).De acordo com José Adalberto Coelho Alves o livro de Ana Cristina Silva “é uma obra muito bem escrita, que se lê com fascínio e que dá às personagens um recorte psicológico”. No seu entender “respeita a verdade dos factos e enche o esqueleto da carne saborosa com a sua prosa. Há um perfeito equilíbrio entre a realidade e a ficção”, defende o investigador. “Neste livro existe o tilintar do ouro, o sussurrar das águas e a voz da mulher querida, os mais belos sons que um homem pode ouvir”, revela.Para a escritora – que até agora só tinha escrito sobre mulheres – este novo livro é um desafio. Aborda a história do poder e das batalhas, do rei conquistador e poeta que matou o melhor amigo e nunca recuperou dessa situação. Ana Cristina Silva aborda no livro a forma como o rei encarava o amor e as suas relações com as muitas mulheres que teve, bem como o amor da sua vida e o seu final trágico. “Foi uma pessoa que teve tudo e acabou na miséria. Sem nada e na prisão”, revela Ana Cristina Silva.A escritora vilafranquense defende que um dos objectivos do livro foi igualmente dar a conhecer uma personagem que “é nossa”. “Os espanhóis fizeram uma grande festa quando se assinalou o milénio da morte dele. Sevilha engalanou-se para assinalar a data. E nós passamos e continuamos a passar por cima do nosso património. E esta obra é um pequeno contributo para que não continuemos a passar por cima desse património que é nosso”, conclui a escritora, depois de ter autografado alguns livros.Quem foi o rei poetaAl-Mu’Tamid nasceu em Beja em 1040. Nessa época, a poesia e a cultura floresciam nas cortes árabes, mas após a queda de Córdova, o Sul de Espanha fragmenta-se em inúmeras taifas (reinos árabes) que se digladiavam entre si ao sabor das aspirações de poder e prestígio. Herdeiro de uma das mais poderosas dinastias então reinantes que governava Sevilha, Al-Mu’Tamid era um homem de índole benévola, amante de tertúlias, apaixonado pela beleza feminina e pela mulher que sempre esteve a seu lado, Itimad. É um dos mais notáveis poetas do al-Andaluz. Nesta crónica ficcionada, Ana Cristina Silva, além de abordar os acontecimentos trágicos que marcaram o reinado de Al-Mu´ Tamid, leva-nos a imaginar como terá sido, intimamente, o homem que ficou para a história. Acabaria por morrer no exílio, afastado do poder, em 1095.
E ao oitavo livro a romancista escreveu sobre a vida de um homem

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