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Vila Franca de Xira e Alverca foram das zonas mais agitadas no pós 25 de Abril

Vila Franca de Xira e Alverca foram das zonas mais agitadas no pós 25 de Abril

Convívio de trabalhadores do DGMFA juntou cerca de uma centena de militares e civis

Nos tempos conturbados que se seguiram ao 25 de Abril Vila Franca de Xira e Alverca foram das zonas mais agitadas. Dois antigos militares do Depósito Geral de Material da Força Aérea recordam os tempos quentes do pós-revolução.Jorge Afonso da Silva

Edição de 02.06.2010 | Sociedade
Luís Morazzo, 83 anos, apresentou-se no Depósito Geral de Material da Força Aérea (DGMFA) em Maio de 1975. Cerca de um ano após o 25 de Abril. “Um período em que Alverca era das zonas mais agitadas. “De Vila Franca de Xira até Sacavém, praticamente todas as noites, havia muita movimentação. No sentido da desordem”, revela quem à época era o comandante do DGMFA. Nascido em Cabo Verde em 1943 tem descendência italiana e conserva um discurso fluído e claro. O coronel na reserva falou com O MIRANTE à margem do segundo almoço convívio de militares e civis, e respectivas famílias, que prestaram, ou ainda prestam, serviço na unidade militar sediada em Alverca do Ribatejo. A iniciativa realizou-se na tarde de sábado, 29 de Maio, nas instalações do DGMFA e contou com a presença de cerca de uma centena de pessoas.Depois dos militares e civis do Depósito de Material terem “corrido” com o comandante piloto aviador da altura, exigiram e convenceram as chefias militares a colocar um engenheiro à frente dos destinos da unidade. O escolhido foi o coronel Luís Morazzo. Engenheiro electrotécnico e, na ocasião, comandante da Escola Militar de Electromecânica de Paço de Arcos, onde estava há vinte anos ligado à área da formação. Era comandante antes do 25 de Abril e continuou a sê-lo depois, apesar de nunca ter tomado parte directa na revolução. O que mudou mesmo foi a realidade de cada uma das unidades. “Estava habituado a levar uma vida tranquila na escola de Paço de Arcos e, de repente, apanhei-me num ambiente complicado. Não me conheciam. Não sabiam se era boa ou má pessoa. Quem mais podia gritava e berrava. Foram meses tormentosos”, revela o coronel que foi aguentando a situação até ao 25 de Novembro de 1975. “Endireitámos as coisas que estavam tortas e mandámos embora os agitadores”, confessa com um sorriso antes de se juntar aos restantes camaradas para beber café.Um deles é o sargento-mor Ruben dos Santos Freitas, 77 anos, natural de Santarém. Esteve 18 anos no depósito de Alverca divididos por vários momentos. Ingressou a primeira vez em 1962. Depois de combater no Ultramar e de ter “tomado conta dos Pides” na prisão de Vale de Judeus, em Alcoentre, concelho de Azambuja, regressou à unidade de Alverca após o 25 de Novembro de 1975.Já no Depósito teve muitos problemas com o comandante que veio substituir o coronel Morazzo. Depois de três meses à espera de colocação foi nomeado chefe da secção eléctrica de material terrestre. Na altura estavam 80 viaturas avariadas. “Três meses depois estavam todos os veículos a trabalhar. Fui chamado pelo comandante Costa Pereira. Pus-me em sentido. Ele mandou-me sentar. Tinha um louvor na secretária à minha espera. A partir daí passei a falar com ele sempre que precisava de alguma coisa”, conta o sargento-mor, Ruben dos Santos Freitas, com orgulho e visível satisfação.Actualmente o Depósito Geral de Material da Força Aérea tem cerca de 200 pessoas a prestar serviço, entre militares e civis. A missão é receber, armazenar e distribuir o material da Força Aérea, sujeito a gestão centralizada.Salgueiro Maia foi um homem “excepcional”O sargento-mor Ruben dos Santos Freitas foi amigo pessoal de Salgueiro Maia. O ex militar recorda os tempos em que o capitão de Abril seguia com ele no comboio para Lisboa. “Era um homem com H grande em tudo. Uma pessoa excepcional. Nunca se aproveitou da política para ter uma posição dentro das Forças Armadas e foi sempre subjugado pelos outros”, lamenta o sargento, que continua a manter a amizade com a família do capitão.
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