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Uma festa para esquecer por momentos a crise

A população da Castanheira do Ribatejo gosta da festa da sua terra e a maioria garante que vai aparecer para ver as tertúlias e ouvir as bandas convidadas. Os dias em que decorrem as festas vão sobretudo fazer esquecer por momentos os dias difíceis que os empresários dizem estar a passar na freguesia, onde se teme o encerramento de empresas e o aumento do desemprego.

Edição de 16.06.2010 | Sociedade
É preciso trazer jovens para a freguesiaIlda Varanda, 50 anosPara Ilda Varanda as festas da Castanheira do Ribatejo são uma oportunidade para conhecer novas pessoas e também divulgar o que de melhor existe na freguesia. Afirma que vai à festa todos os anos e pretende fazer o mesmo este ano. Considera que o que faz mais falta hoje em dia na freguesia é juventude e trabalho. “Há necessidade de mais população, pelo menos aqui na zona antiga, que está a ficar muito envelhecida. Acho que se devia apostar mais no emprego, na criação de novos postos de trabalho, porque as empresas estão a fechar”, lamenta. A empresária diz que a crise afecta-lhe o negócio mas mostra-se esperançada num futuro melhor. Festa onde se vê muito e se consome pouco Paulo Martins, 36 anosEste ano a crise vai obrigar as pessoas a ver muito mas a comprar pouco. A opinião é de Paulo Martins, que diz visitar as festas da Castanheira do Ribatejo com regularidade. “Como comerciante será a primeira vez que lá vou estar mas estou confiante que tudo vai correr bem. As festas são uma tradição da terra e as pessoas gostam sempre de aparecer”, refere. O empresário refere que a crise tem piorado o negócio e diz estar pouco esperançado no futuro. A maior parte dos meus clientes, de uma empresa daqui, “já foi avisada de que vai começar a receber as cartas de despedimento em breve”, lamenta. Para Paulo Martins a criação de mais empresas é o que está a faltar na freguesia.Festa pode ajudar a esquecer as dificuldadesCarlos Santos, 39 anosEste vai ser um ano difícil para o negócio mas as festas da Castanheira do Ribatejo podem ajudar a esquecer a crise. Quem o defende é Carlos Santos. O empresário diz que costuma ir ver o ambiente da festa e conviver com os amigos. “De resto vai ser um ano muito difícil e não vai ser fácil arranjar soluções para isto, há pouco emprego, as pessoas não têm trabalho e não tem dinheiro para andar a fazer grandes festas. A crise é mundial e não sei o que se possa fazer”, lamenta. Para Carlos Santos uma das formas de atenuar a crise que assola a freguesia seria através da instalação de mais empresas na freguesia, de forma a contrariar a tendência que hoje se vive. Festas são uma boa forma conhecer a freguesiaEduardo Xavier, 55 anosPara Eduardo Xavier as festas da Castanheira são uma boa forma de ouvir alguma música, conhecer um pouco mais da freguesia e conviver nas tertúlias existentes. “Costumo ir às festas com alguma regularidade. Vim morar para a Castanheira do Ribatejo em 1995 e tenho ido todos os anos”, garante. Para este empresário as festas são uma forma da população esquecer a crise. “Pode não haver dinheiro para muita coisa mas uns trocos para ir às festas há sempre, de certeza”. Eduardo Xavier espera que a Plataforma Logística seja concluída com brevidade, para permitir a criação de mais empregos.Festas não devem desviar atenções dos problemasManuel Henriques, 37 anos“Acho que fazem muito bem em rea-lizar as festas e promover a freguesia. Mas entendo que não se deve esquecer os problemas que hoje nos afectam muito, como o desemprego”, defende Manuel Henriques, cabeleireiro de profissão. Para este residente as festas são importantes, apesar de não as visitar. “Não costumo ligar muito às festas, não sou pessoa disso”, refere. O profissional acrescenta que o drama do desemprego está a crescer na vila e que isso devia ser uma das preocupações principais. “Fico receoso com a forma como as coisas estão, sobretudo a falência das empresas. Isso preocupa-me mais que a festa”, desabafa. Gostar de ver as pessoas da terraMarco Torrão, 38 anosO mecânico Marco Torrão, natural da Castanheira, considera que ir às festas todos os anos é indispensável. “Adoro ir ver as pessoas, conviver e encontrar amigos que durante o ano vejo com pouca frequência”, sublinha. Para Marco Torrão a qualidade das festas tem decrescido devido à crise. “A nível de artistas, em relação aos anos anteriores, tem piorado, talvez por culpa da crise. Mas a nível de tertúlias e convívios tem melhorado muito”, confessa. “A crise vem piorar tudo. Nota-se muito, mesmo no meu ramo”, conclui.

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