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Como são as férias em tempo de crise

Edição de 07.07.2010 | Especial Férias
Viagem ao estrangeiro e passagens pela praiaMaria Alecta Ferreira, professora aposentada, SantarémUma viagem ao estrangeiro a par de um período passado na Costa de Leiria e outro no Algarve fazem parte dos hábitos de férias de Verão de Maria Alecta Ferreira. A professora aposentada e primeira secretária da Assembleia Municipal de Santarém costuma viajar com a família na companhia dos três filhos, cinco netos, a mãe e a sogra. “Geralmente vamos todos juntos, em família, como vai acontecer este ano em que vamos a um cruzeiro no Mediterrâneo. Sabe sempre bem fazer uma viagem ao estrangeiro e conhecer novos lugares, novas realidades”, revela. Para Alecta Ferreira vale a pena fazer a chamada vida de praia. O que significa estar na areia, tomar banho e apanhar sol, preferencialmente de manhã, sempre com vigilância sobre os netos.Quanto à crise, palavra sempre presente no vocabulário actual, Alecta Ferreira admite que sempre teve possibilidade de aproveitar para fazer férias de Verão, “mas sem extravagâncias”, garante.Acostumada à ponderação nos gastosIria Esteves Caetano, Directora do Convento de Cristo, Tomar“Normalmente vou para locais que me façam lembrar a minha infância”, refere Iria Esteves Caetano, actual directora do Convento de Cristo em Tomar. Por este motivo, costuma passar férias em São Martinho do Porto (Alcobaça) e Vilamoura, no Algarve. Pouco dada a altas temperaturas, a onda de calor dos últimos dias leva-a a pensar, cada vez mais, em ir para as praias do norte do país, que sempre são mais frescas. “Este ano, férias fora do país nem sequer foram equacionadas”, refere, fazendo uma alusão à crise económica que o país atravessa. Apesar da crise, diz que esta não mexeu muito com os seus hábitos uma vez que sempre foi habituada pelo pai e família a fazer férias com alguma ponderação nos gastos. “Um conselho que dou a todos”, salienta. Há 14 anos sem fériasPaulo Neves, empresário, CartaxoHá 14 anos que não tem férias para estar imbuído na actividade empresarial. Quem o garante é Paulo Neves, administrador da Agrosport, no Cartaxo. Apesar de ter casa de férias na Lagoa de Óbidos, Paulo Neves diz que nunca fez uso do espaço para relaxar nas férias de Verão. “A crise não começou agora, começou há dez anos. E eu sinto a responsabilidade de estar na empresa e sou incapaz de voltar costas a um desafio”, justifica Paulo Neves. A família, ligada à empresa, acompanha-o nessa atitude. Só o filho mais velho tem ido de férias com amigos.Ainda assim, Paulo Neves está a planear reservar uma semana de férias em Setembro, desde que esses dias não coincidam com o processo de internacionalização da sua empresa. “Prefiro passar férias em Portugal. Sou um defensor de consumirmos os produtos e os serviços portugueses”, diz quem concorda com a mensagem deixada por Cavaco Silva sobre férias, cá dentro. A eleição como vereador da Câmara do Cartaxo veio contribuir para Paulo Neves preencher mais o tempo disponível do empresário, mas garante estar ali para zelar mais pelo bem-estar dos cartaxeiros do que pelo seu bem-estar.No Verão é sempre cá dentroRui Stoffel, empresário do ramo automóvel, Tomar“No Verão nunca saio para fora do país. São sempre férias cá dentro”, diz o empresário do ramo automóvel Rui Stoffel, acrescentando que quando sai de Portugal em viagem, fá-lo sempre noutros períodos do ano. Devido a conseguir tirar um maior proveito das férias, costuma ir em Agosto para as praias do Algarve - onde o bom tempo é quase certo todos os dias - na companhia da família e amigos. Nunca tira mais de 15 dias e, nos tempos que correm, costuma levar o computador para trabalhar nas ocasiões em que é necessário. “São férias com trabalho à mistura porque todos temos que fazer um esforço suplementar e não se pode abandonar o negócio”, salienta. A crise também mexeu com alguns dos seus hábitos estivais pelo que é normal que faça certos sacrifícios para obter uma maior contenção nos gastos, atitude que Rui Stoffel considera que acaba por ser adoptada até de uma forma “inconsciente”. Escolha atempada pode significar férias mais económicasCarlos Soares, técnico de comunicação, AbrantesCarlos Soares não costuma repetir o local de férias por isso o destino tem variado, por diversos motivos, entre passar em casa ou longe dela. “Acabei de gozar parte das férias. A crise fez-me perder mais tempo que o habitual, na escolha do local”, admite o técnico de comunicação da Câmara de Abrantes. Ainda assim, acabou por passar estas férias, com a família, longe de casa. “Está provado que uma escolha atempada e não precipitada, pode significar umas férias económicas e bastante agradáveis para os miúdos”, complementa. Em relação aos dias de férias que ainda tem para tirar, estes vão ser passados bem perto de casa, provavelmente, entre o Parque Urbano de S. Lourenço, Aquapolis ou Praia Fluvial de Aldeia do Mato, locais de interesse turístico no concelho de Abrantes.Crise ainda não afectou as fériasJoel Marques, Presidente da Junta de Freguesia de Carregueira, CarregueiraJoel Marques ainda não sabe como vão ser as suas férias este ano, mas, segundo disse a O MIRANTE, tal não se deve à malfadada crise financeira. O problema é o volume de trabalho à frente da Junta de Freguesia da Carregueira, concelho da Chamusca. E a acumulação do cargo com a gráfica onde trabalha.Se tiver tempo vai, “quase de certeza”, optar por passar uns dias em Vila Nova de Milfontes, na costa alentejana. O empresário gráfico conta que nos últimos anos tem optado por esta praia na costa alentejana. “A praia é muito boa, é mais calma e, para mim, o ambiente da costa alentejana é melhor. As outras praias têm muita gente e muita confusão”, afirma.O presidente da junta e empresário não sabe como será o próximo ano, mas este ainda pode fazer férias. A crise económica ainda não afectou a sua carteira. “Ninguém sabe o dia de amanhã, mas este ano ainda consigo fazer férias. Até porque sempre fiz férias baratas”, confessa.Destino de fériasé uma incógnitaJosé Falcão Tavares, médico, AbrantesO médico José Falcão Tavares tem escolhido, nos últimos anos, destinos tropicais, sendo Recife, Salvador da Bahia e São Paulo (todas no Brasil) as cidades de eleição. Para diversificar um pouco, este ano o médico de clínica geral vai ficar por Portugal.Mas a decisão de não viajar para o estrangeiro este Verão não se prende com a crise financeira que tantas dores de cabeça tem dado aos portugueses. Até porque Falcão Tavares confessa ser muito criterioso nos gastos que faz durante o ano e também nas férias. “Felizmente a crise ainda não me atingiu e posso fazer férias. Não é devido à crise que não vou para o estrangeiro este Verão, até porque prefiro fazer essas viagens no Inverno. Para fugir ao frio”, conta a O MIRANTE.Falcão Tavares garante que ainda não decidiu onde vai passar férias. Só sabe que será na segunda quinzena de Agosto e não deve ter o Algarve como destino. “Eu e a minha família gostamos de explorar outros recantos de Portugal. A costa litoral na zona de Peniche, São Martinho do Porto, Figueira da Foz são opções viáveis. Mas tem que ser uma decisão familiar”, justifica.Férias em Lagos onde se come bom peixeArmando Rosa, administrador da Ribatel, SantarémArmando Rosa não prescinde habitualmente de duas semanas de férias no Verão, distribuídas por Julho e Agosto, para se divertir e descansar na companhia de familiares e amigos. Quase sempre tem Lagos como destino, um dos poucos sítios do Algarve onde considera que há praias para todos os gostos “e sítios para toalhas na areia”. “Para além disso come-se muito bem e em conta, especialmente bom peixe”, acrescenta. Fazer tempo de praia, pescar, pôr leituras em dia e passear são outros motes do período estival. Apesar do tempo dedicado ao descanso e ao lazer, o telemóvel do administrador da Ribatel mantém-se atento às novidades do dia a dia, um luxo de que um gerente de uma empresa não pode prescindir, garante. Isso e ter ligação diária à empresa através do computador portátil, que acompanha Armando Rosa para sul.Para Armando Rosa a crise que se vive não mexeu muito na vida de quem está empregado em relação a anos anteriores. “Talvez exista uma maior incerteza no futuro de cada um, que faz retrair o consumo e aumentar o aforro. Pessoalmente, considero-me um privilegiado a quem a crise não afecta os hábitos, até porque há preços de alguns bens de consumo que baixaram devido à crise. Actualmente os restaurantes e os hotéis estão mais baratos do que há três anos atrás”, exemplifica.Férias sem grandes luxosMiguel Santos, Presidente da Associação do Comércio, Indústria e Serviços dos concelhos de Vila Franca de Xira e Arruda dos Vinhos O presidente da ACIS, Miguel Santos, tem por hábito passar as férias de verão no Algarve, na praia. “Normalmente vou 15 dias. Tenho uma ideia, já há muitos anos, de que para fazer praia tem que ser em Portugal e não no estrangeiro. Faço as férias em Agosto e, como a maior parte dos portugueses, gosto das praias do Algarve e também da diversão e animação que oferecem”. Actualmente Miguel Santos não é imune à crise que afecta o país e por isso conta que este ano a sua pausa do trabalho não será com grandes luxos. “Todos os portugueses vão-se tornar mais comedidos nas férias, porque toda a instabilidade que sentimos não nos dá grande segurança. Naturalmente que não vou fugir à regra e terei maior cuidado em fazer umas férias que, não sendo de luxo, me permitam desfrutar minimamente da pausa do trabalho”, conclui. Quinze dias no Algarve com os filhosJoão Artur Rosa, director da RISA, AlcanenaJoão Artur Rosa, administrador da RISA – Organização de empresas, com sede em Vila Moreira, Alcanena, refere que, fruto de um hábito que já leva muitos anos, costuma passar as suas férias de Verão nas praias do Algarve com os seus filhos. O empresário tem consciência que a crise que o país atravessa “mexe” com as férias e com os hábitos dos portugueses nesta altura. “Vou menos vezes ao restaurante”, exemplifica, optando por poupar nos almoços e jantares fora de casa. Quinze dias no monte, perto do marAntónio Torres, administrador delegado CIMLT, SantarémÉ na costa algarvia, já próximo do Alentejo, num monte a três quilómetros do mar, que António Torres costuma passar férias. Aljezur afigura-se o local ideal para quem não gosta dos ajuntamentos das principais praias do Algarve, diz o administrador-delegado da Comunidade Intermunicipal da Lezíria. Costuma optar por 15 dias de férias entre final de Agosto e início de Setembro mas este ano vai na segunda quinzena de Julho. Aluga uma casa num monte e anda de bicicleta em trilhos de terra com os filhos. Em Aljezur, António Torres encontra o descanso de um local onde a oferta turística é mais acessível. Acabado de chegar da EscandináviaArnaldo Santos, Director Caixa Agrícola Ribatejo Norte, Torres NovasArnaldo Santos tinha acabado de chegar de uma viagem de dez dias pela Escandinávia quando O MIRANTE o contactou. Helsínquia, Estocolmo e fiordes da Noruega foram os sítios escolhidos. O director confessa que só passou férias no Algarve “uma vez na vida”.Arnaldo Santos costuma passar oito dias em Portugal em Agosto. Normalmente escolhe a Nazaré. São Martinho do Porto e Figueira da Foz são outras praias que também frequenta. Prefere tirar férias no Inverno, mas a decisão do destino de férias não depende só dele. “Tenho que conciliar as férias com o interesse da família porque se fosse só eu a escolher tirava férias no Inverno”. O director da Caixa Agrícola Ribatejo Norte diz que, por enquanto, a crise financeira que assola o país ainda não se reflectiu nas suas férias. “A situação está complicada para todos, mas ainda consigo fazer férias tranquilamente”, referiu.Ir para fora cá dentroVítor Pais, director do Hotel dos Templários, Tomar Vítor Pais, director geral do Hotel dos Templários, em Tomar, passa habitualmente as férias de Verão em Portugal, elegendo não só o Algarve como outras praias. Devido à vida profissional teve oportunidade de conhecer muitos países estrangeiros e destinos nos vários continentes mas para ele Portugal continua a ser o melhor destino de Verão. O empresário costuma tirar pequenos períodos de férias ao longo do ano fora do país. Refere que, neste caso, a crise influenciou a sua escolha. “Hoje podemos encontrar destinos e locais para passar férias à medida da nossa bolsa”, argumenta.Banhos de praia, de piscina e boas jantaradas António Campos, director-executivo Nersant, SantarémAntónio Campos não dispensa a segunda quinzena de Agosto de cada ano para passar férias com a família. Tem sido assim sempre na companhia da mulher e dos três filhos. O Algarve é o destino de eleição mas sem um local específico. “Não costumo repetir os locais de férias. Este ano não sei se vou para o Algarve ou para o sul de Espanha”, afirma o director-executivo da Nersant, que costuma ficar alojado em hotéis nas férias de Verão. Para António Campos, juntamente com o Natal, as férias de Verão são o ponto de quebra com a actividade profissional. Apesar de confessar que o seu telemóvel fica sempre ligado e que costuma reservar as manhãs ou os finais de tarde para tratar de assuntos que possam estar pendentes.De resto, praia é para desfrutar e António Campos não dispensa três momentos em férias: “banhos de mar, banhos de piscina e um bom jantar fora diariamente com casais amigos ou gente conhecida que sempre se encontra no Algarve”. Nem a crise que se vive alterou esses planos. “Se uma pessoa tiver possibilidades e não estragar dinheiro durante o ano, deve aproveitar para tirar partido durante as férias. É o que eu faço”, garante António Campos.

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