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Horácio Silva

Horácio Silva

55 anos, director da Escola Profissional de Tomar

Nasceu em Benguela, Angola, em Março de 1955. Licenciou-se em Engenharia Agronómica, iniciou a vida profissional no sector primário mas foi no ensino que acabou por fazer carreira, actividade à qual ainda continua ligado. Veio dar aulas para Tomar em 1989 e acabou por mudar-se de armas e bagagens. É director da Escola Profissional de Tomar, com sede na Casa dos Tectos, desde 1993. Casado e com três filhos, diz que sempre foi movido pela causa do serviço público e que lhe dá mais prazer dar que receber. Confessa ser viciado no trabalho e gosta de ocupar o tempo livre a pensar na melhor solução para os problemas que vão surgindo a cada dia.

Edição de 07.07.2010 | Três Dimensões
Nasci em Angola mas as minhas origens são do concelho de Pombal, a norte de Leiria. Comecei a minha actividade profissional no ensino, na escola de Avelar, concelho de Ansião. Vivi lá durante muitos anos e derivado ao concurso de colocação de professores andei alguns anos por Figueiró dos Vinhos, Ferreira do Zêzere e Tomar, de onde já não saí. Costumo dizer que sou um cidadão do mundo. Nasci do outro lado do oceano, por força das circunstâncias, deixei África e mudei-me para a Europa. Uma vez em Portugal andei pelo norte e centro do país, até que me mudei de armas e bagagens para Tomar, onde estou radicado há 21 anos. Sou uma pessoa com a mania do trabalho. Não sei se é uma qualidade ou um defeito mas entretenho-me a trabalhar. O meu hobbie favorito é antecipar o futuro e arranjar soluções para problemas inventariados. Por uma questão cultural fui formatado para o serviço público. Tenho mais prazer em dar do que em receber. Não é fácil desligar. Durmo pouco mas muito bem, mesmo com o maior problema do mundo para resolver. Para desligar tenho que sair daqui geograficamente. Não desligo o telemóvel mas a minha equipa só me liga se, de todo, não conseguirem resolver o problema. Dedico grande parte do fim-de-semana à casa e à família. Gosto de boa comida. Se um dia chegar a reformar-me gostava de aprender a cozinhar. Pratico jogging e natação ao fim-de-semana, altura em que também ponho a leitura em dia. Sempre que posso viajo. Nos últimos tempos tenho pensado em voltar à minha terra natal, Angola, numa espécie de expedição à memória. Sou director da Escola Profissional de Tomar há quase 20 anos. Em 1989 fui colocado na Escola Secundária Nuno Álvares Pereira, onde aliás ainda sou professor do quadro, e aí fui responsável pela experiência pedagógica de um curso técnico profissional de agro-pecuária, até que, na qualidade de requisitado, me transferi para a Escola Profissional de Tomar. Em criança queria ser engenheiro de aviões.A ideia base da formação da escola teve como pressuposto a reforma do ensino secundário, que levou ao desaparecimento dos cursos técnico-profissionais. Acabei por integrar o conselho directivo da Nuno Álvares Pereira. À época, fazendo uma auscultação ao tecido económico da região, eu e o Dr. Vítor Borges, outro elemento do Conselho Directivo, constatamos que a área agro-alimentar era importante no território. A formação na área do sector primário não podia ser feita nas escolas do ensino regular e por isso a única possibilidade de avançarmos seria com a criação de uma escola profissional. Gosto mais de dar aulas do que gerir porque vou vendo, no dia-a-dia, a evolução do aluno. É como se estivéssemos a lapidar um diamante em bruto. O facto de sermos uma escola profissional com uma dimensão menor faz com que se criem compromissos entre todas as partes envolvidas no processo e que os objectivos sejam mais facilmente trabalhados. Temos 140 alunos, capacidade máxima autorizada para estas instalações, mas precisamos de crescer rapidamente para os 200, pois é o mínimo crítico, para garantir a sustentabilidade do projecto. É preciso saber mas também é preciso saber fazer e fazer. Temos a preocupação de incluir na nossa prática pedagógica, a prática simulada e a prática em contexto real de trabalho, pois o que oiço facilmente esqueço, o que vejo relembro e o que faço não esqueço. Actualmente trabalham na escola 25 pessoas, entre professores e funcionários. Conseguimos estabilizar o corpo docente, o que confere mais valor à qualidade do ensino ministrado. Trabalho doze horas por dia. Chego à escola às 08h30 e a primeira tarefa é ver o e-mail e o correio. Depois começo o dia, e salvo a hora de almoço, dedico-me a resolver assuntos de expediente até às 18h00. Depois de todos saírem, limpo a secretária e entro na fase da reflexão. Gosto de fazer o balanço do dia e a planificação do dia seguinte já é feita em casa, depois do jantar. Mas a agenda definitiva é feita no próprio dia, pelas 07h30, durante o banho. Elsa Ribeiro Gonçalves
Horácio Silva

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