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Presidente de Benavente não quer novo aeroporto em cima de Santo Estêvão

“É de todo inaceitável que se possam empurrar pistas para cima de um aglomerado urbano”, diz António Ganhão

As pistas poderiam ser implementadas mais a sul, tal como recomendou o Laboratório Nacional de Engenharia Civil, mas no Estudo de Impacte Ambiental verifica-se uma deslocalização de dois quilómetros para norte.

A deslocalização das pistas de voo do Novo Aeroporto de Lisboa - dois quilómetros para Norte, ao contrário do que estava inicialmente previsto - vai transformar a freguesia de Santo Estêvão na nova aldeia da Luz. Quem o diz é o presidente da Câmara Municipal de Benavente. António José Ganhão (CDU) fala mesmo em “interesses escondidos” que levaram à tomada de decisão. “É de todo inaceitável que se possam empurrar pistas para cima de um aglomerado urbano. São 200 expropriações de parcelas a sul que justificam que se vá expropriar terrenos de Carlos Espírito Santo de Melo e seguramente tenha que se expropriar uma parte da Portucale? Que valores estão em causa? Não serão muito maiores os valores das propriedades de Carlos Espírito Santo de Melo e Portucale do que os das parcelas rústicas?”, questionou António José Ganhão, em declarações a O MIRANTE. O autarca garante que vai lutar pela opção a sul recorrendo, se for necessário, junto de instituições europeias, de forma a evitar uma “situação de desgraça”.As pistas poderiam ser implementadas a sul, tal como recomendou o Laboratório Nacional de Engenharia Civil, mas no Estudo de Impacte Ambiental, que esteve em consulta pública até 24 de Setembro, verifica-se uma deslocalização dois quilómetros para Norte. “Apanhámos o gato escondido com o rabo de fora”, diz Ganhão lembrando que os estudos da ANA garantiam que não haveria impacto sobre a aldeia de Santo Estêvão. “Vêm agora tomar posições incoerentes, inaceitáveis e vergonhosas”. Com o deslocamento das pistas para Norte as áreas sensíveis vão coincidir com a área urbana da freguesia de Santo Estêvão. António José Ganhão revela que os pedidos de autorização de construção de anexos, junto a casas já edificadas, estão a ser reprovados. “A incoerência foi ao ponto de num dos casos a Agência Portuguesa do Ambiente dar pareceu favorável e a ANA (Aeroportos de Portugal) parecer desfavorável”. O presidente da Junta de Freguesia de Santo Estêvão, Ricardo Oliveira, confirma que a aldeia pode deixar de existir se o que está previsto no Estudo se confirmar. A lei do ruído vai ser violada já que os sons vão estar acima dos 57 decibéis. Os arrozais da várzea de Santo Estêvão e da Mata do Duque vão ser extintos. “O final das pistas vai estar a cinco quilómetros do núcleo urbano de Santo Estêvão. Ninguém vai querer ir viver para debaixo do aeroporto”, alerta Ricardo Oliveira que ainda tem esperança de que a opção – “que ninguém sabe de onde veio” - seja arrumada a um canto e que seja estudada a localização dada como inicial com menos impacto para a freguesia de dois mil habitantes. “Não podem cometer ali o crime ambiental mais grave alguma vez cometido em Portugal. Querem tirar o aeroporto de uma cidade e vir colocá-lo – com tanto espaço à volta – mesmo em cima da localidade de Santo Estêvão com todos os prejuízos que isso tem para a população, para o desenvolvimento sócio económico da freguesia e para toda a sua fauna”, conclui.A Assembleia Municipal de Benavente aprovou por unanimidade, com base numa proposta conjunta do PSD e CDU, uma moção repudiando a solução preconizada pela Estudo de Impacte Ambiental e disponibilizando-se para lutar junto das instâncias nacionais e europeias de forma a impedir a concretização da solução proposta para o Novo Aeroporto de Lisboa.

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