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Requalificação da Praça de Toiros de Azambuja vai custar 600 mil euros

Oposição votou contra a medida por considerar obra desajustada em época de crise

O custo da requalificação da Praça de Toiros de Azambuja vai rondar os 600 mil euros. A obra foi aprovada na última reunião de câmara de terça-feira, mas a oposição contesta a decisão tendo em conta que se vivem momentos de crise.

Edição de 24.11.2010 | Sociedade
A Câmara Municipal de Azambuja vai proceder a uma requalificação da actual Praça de Toiros de Azambuja que foi interditada pelo Instituto Electrotécnico Português (IEP) em Junho de 2010 por não reunir as condições mínimas para a realização de espectáculos tauromáquicos. A intervenção terá um custo de 600 mil euros. A proposta foi aprovada na sessão de câmara de terça-feira, 23 de Novembro, com seis votos a favor do PS, um voto contra da CDU e da Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra (PSD/CDS-PP/MPT/PPM). A verba resulta da comparticipação de fundos comunitários na construção dos Centros Escolares de Azambuja e Alcoentre que deixou à empresa municipal EMIA uma quantia de 2,5 milhões de euros, dos quais 600 mil euros vão ser usados para a requalificação da Praça de Toiros de Azambuja. “Não vamos construir uma nova praça de toiros porque somos sensíveis ao actual período de crise por que estamos a passar. Decidimos por isso proceder a uma requalificação da actual. Vamos demolir as bancadas para colocar bancos com as dimensões exigidas pela lei e a estrutura exterior que actualmente é revistida a chapa de zinco. Também vamos proceder a outras melhorias, como arranjar as próprias casas de banho”, disse o presidente da Câmara Municipal de Azambuja, Joaquim Ramos. Embora o autarca fale em “requalificação”, na proposta da autarquia que acabou por ser aprovada, lê-se “construção da Praça de Toiros de Azambuja”. O edil lembra que toda a cultura do concelho é centrada na tauromaquia e quem o nega está a negar a sua própria identidade. “Também custa muito olhar e ver aquele monstro de lata ali sem qualquer utilidade”, acrescentou. António Jorge Lopes, da Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra, considera esta obra uma irresponsabilidade: “Nós sempre defendemos a construção de uma nova praça, mas não agora. É uma irresponsabilidade face à actual situação económica do país, à situação financeira da Câmara de Azambuja e a todos os que vão receber menos e pagar mais impostos no próximo ano”. O vereador considera que a autarquia deveria avaliar em primeiro lugar o custo do aluguer de espaços no mercado espanhol e português, de modo a não colocar em causa o Mês da Cultura Tauromáquica ou a corrida da Feira de Maio. “A Câmara de Alenquer optou por alugar uma estrutura móvel no valor de cinco mil euros e esta poderia ser uma solução para Azambuja”, disse António Jorge Lopes. “Além do aluguer do espaço tudo o que envolve a organização tem custos altíssimos. Os impactos da vista também não se resolvem com tendas alugadas”, respondeu Joaquim Ramos. Daniel Claro, representante do Bloco de Esquerda (BE) na assembleia municipal, veio de propósito à reunião de câmara demonstrar a sua desaprovação: “Este é o ano europeu contra a pobreza e a exclusão social. Vivem neste município pessoas abaixo do limiar da pobreza e nós vamos investir 600 mil euros numa praça de toiros para realizar três corridas anuais, onde a maior parte dos bilhetes são comprados pela própria câmara? Uma decisão destas é obscena no actual período conturbado em que vivemos”. O vereador da CDU José Elias Fernandes preferia ver a verba investida na construção de um pavilhão multiusos, onde pudessem ser dadas aulas de música erudita. “Hoje em dia até as crianças conseguem ver a actual violência das toiradas. Precisava realmente de saber o número de pessoas de Azambuja que são apaixonados pelos toiros”, concluiu.

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