
PCP quer empenhamento do Governo nos projectos de emparcelamento da Agromais
Eurodeputada comunista critica anterior ministro da Agricultura de desinteresse
Projectos abrangem terrenos agrícolas nos concelhos de Chamusca, Golegã e Torres Novas.
O Partido Comunista Português (PCP) quer que o Governo se empenhe nos projectos de emparcelamento de terrenos agrícolas tutelados pela Agromais nos concelhos de Chamusca, Golegã e Torres Novas e que, na opinião da eurodeputada comunista Ilda Figueiredo, se encontram parados devido ao desinteresse político do anterior ministro da Agricultura, Jaime Silva.Ilda Figueiredo, que na sexta-feira visitou as instalações dessa organização de agricultores em Riachos, Torres Novas, disse em conferência de imprensa que o PCP vai levantar essa questão na Assembleia da República e que, ela própria, o fará também no Parlamento Europeu.“Esses dois projectos, para os campos de Pinheiro Grande e Carregueira e para os de Azinhaga e Riachos, foram iniciados há cerca de seis anos mas estão parados há dois anos. O próprio Estado já fez investimentos na compra de um banco de terras com cerca de 200 hectares, mas há cerca de dois anos o ministro Jaime Silva disse que os projectos não tinham interesse e abandonou-os”, disse a eurodeputada em Santarém após a visita que fez às instalações da Agromais, em Riachos (Torres Novas), e à fábrica de açúcar da DAI, em Coruche.Ilda Figueiredo recordou que o actual ministro da Agricultura, António Serrano, já tem conhecimento da situação e que manifestou abertura junto da Agromais para tentar resolver o problema. Aliás, o governante esteve em Setembro na inauguração de novas instalações da Agromais em Azinhaga (Golegã) e garantiu que os processos de emparcelamento em curso na zona de Golegã e Chamusca vão ter apoio do Governo. “Os projectos que aqui e em mais duas ou três zonas estão a ser efectuados, vão contar com apoios do PRODER – Programa de Desenvolvimento Rural”, disse.Na altura, António Serrano elogiou o trabalho feito pela Agromais em matéria de emparcelamento e exortou os agricultores a acompanharem a organização “que é sem dúvida um exemplo de organização para toda a agricultura portuguesa”. O ministro comprometeu-se a ajudar a concluir o processo de emparcelamento iniciado na região.Na mesma sessão, Luís Vasconcellos e Souza, presidente da Agromais, garantiu que a associação “fez em cinco anos o que o Estado demorou doze a fazer no Mondego, numa área semelhante”, conseguindo o acordo dos proprietários para avançar com o emparcelamento, que aumenta a dimensão da propriedade, ganhando escala e competitividade.“Nós fizemos tudo. Falta o Estado fazer a parte dele, que é criar condições para podermos iniciar a obra”, o que poderá acontecer no próximo ano, adiantou Vasconcellos e Souza. O ministro garantiu que o Governo também está a fazer a sua parte. “Existe uma comissão a elaborar o projecto-lei para regulamentar a situação”, garantiu.Os projectos de emparcelamento em causa abrangem mais de mil agricultores e cerca de 6500 hectares de terras. A intenção é melhorar a estrutura fundiária ganhando escala e competitividade juntando numa só várias parcelas agrícolas. O Estado terá participação activa nas grandes obras de drenagem, electrificação ou arruamentos, que devem ser comparticipadas pela União Europeia.

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