
Entidade Regional de Turismo anda “ausente” da promoção do Vale do Tejo
Público que passou na Bolsa de Turismo de Lisboa deixou duras críticas à liderança de Rosa do Céu
Região não tem um guia turístico, os mapas estão desactualizados e os folhetos distribuídos na BTL foram feitos pelos municípios. Trabalho da Entidade de Turismo liderada por Rosa do Céu deixa muito a desejar.
A Entidade Regional de Turismo de Lisboa e Vale do Tejo (T-LVT) transformou a região num “buraco negro” que está hoje “completamente esquecido”. Quem o diz são os visitantes da Bolsa de Turismo de Lisboa. Actualmente não existe um roteiro ou guia da região, os mapas estão desactualizados e os poucos folhetos que foram distribuídos na feira foram impressos por iniciativa das câmaras municipais.Os visitantes ouvidos pelo nosso jornal consideraram o expositor da T-LVT “muito fraco” quando comparado com outros expositores do certame e nem os impressos escaparam às críticas. A pouca informação disponível foi imprimida pelas câmaras municipais a expensas próprias, numa tentativa de divulgar o que se vai fazendo em cada concelho. Ao dia de hoje não existe um guia, um roteiro, um bloco publicitário ou outra iniciativa que guie o turista pelo que a região tem de mais bonito para se ver.“Como a T-LVT não tem informação nenhuma são as câmaras que imprimem uns folhetos para dar. E no fundo o turista acaba por ter de andar a tirar folhetos individuais de mais de 20 concelhos. Não há um rumo, não há uma iniciativa, não há nada. Estão a transformar a região num buraco negro”, lamenta Horta Pereira, visitante da feira, a O MIRANTE.O concelho de Vila Franca de Xira foi assinalado na BTL na tarde de 25 de Fevereiro com o lançamento de um novo volume sobre o património histórico do concelho (ver caixa). Orlando Raimundo, autor da colecção de guias, também criticou a postura “ausente” da T-LVT liderada pelo socialista Joaquim Rosa do Céu.“Acho que há um imenso trabalho para fazer e a BTL devia servir para estimular essa discussão. É uma pena porque o Ribatejo tem um património fabuloso que a maior parte das pessoas não conhece. Há muita informação dispersa e pouco rigorosa e falta fazer um trabalho apurado de síntese. A Entidade Regional de Turismo é capaz de andar a trabalhar muito mas não se vê nada. Não se vêem os resultados e não sei qual é a explicação”, critica.Entre os visitantes encontrámos Domingos Barradas, de Almada. Visitou o expositor da T-LVT com um guia completo de percursos pedestres do Algarve debaixo do braço. Vinha à procura do mesmo no Ribatejo mas não encontrou. “Acho que está muito mal divulgado. Não sabemos onde estão os serviços turísticos nem as rotas turísticas. O Ribatejo está como o Alentejo: precisa de mais divulgação e dinamismo, juntamente com mais publicidade que mostre às pessoas os locais mais interessantes da região”, critica.Outro visitante, residente em Lisboa, também criticou a forma como é promovido o turismo na região. Jorge Barão lamenta que perante um património tão rico os responsáveis não façam uma correcta dinamização. “Conheço a secção de turismo de Santarém, que está quase sempre fechada, não tem divulgação nenhuma, não tem catálogos, não tem nada para oferecer ao visitante. Acho que há pouca divulgação turística e a região acaba por ser pouco atractiva. Está a faltar mais indicação dos locais onde existe cultura, museus, alojamento e divertimento. Há imensas coisas que se podia fazer a nível de hipismo e canoagem. Acho que a T-LVT podia fazer muito mais divulgação, como a que se faz na região do Douro e Algarve”, critica.A Bolsa de Turismo de Lisboa, organizada anualmente, é o principal certame nacional na área do turismo e permite que a população em geral e os profissionais da área recolham o máximo de informação sobre o tipo de oferta disponível em cada uma das regiões. Apesar de um dos objectivos ser a recolha de sugestões, ninguém da Entidade Regional de Turismo de Lisboa e Vale do Tejo esteve presente para as receber no dia 26 de Fevereiro, dia em que foi apresentado um volume importante para a preservação do património do concelho de Vila Franca de Xira. “É uma vergonha”, remata Artur Bento, outro visitante.Património da Póvoa, Forte da Casa e Vialonga reunido em livroO património histórico das freguesias de Vialonga, Forte da Casa e Póvoa de Santa Iria, concelho de Vila Franca de Xira, foi reunido em livro num novo volume da colecção de livros “Vila Franca de Xira: Saber Mais Sobre...”, da autoria de Orlando Raimundo. Este é o quinto volume, já tendo sido escrito sobre gastronomia, linhas defensivas de Torres Vedras, feiras, festas e romarias e museus. No lançamento do volume, além do presidente da assembleia municipal, estiveram presentes também os três presidentes de junta, o vereador com o pelouro da cultura da câmara municipal e o vice-presidente do executivo. “Há um investigador espanhol que publicou uma obra sobre esta temática, ele diz que o turismo e o património são um casamento de conveniência com separação de bens e inevitáveis conflitos conjugais. Eu acho que isto merece uma reflexão. As pessoas que ganham a vida com o turismo deviam preocupar-se mais com a preservação do património”, alertou Orlando Raimundo, autor da obra.Público quer mais promoção de uma região com potencial turísticoRui Vieira, LisboaPara este visitante a região ribatejana tem potencialidades, mas continua a ser ignorada pelos responsáveis. “De facto não é das regiões mais promovidas”, lamenta. Do que sente mais falta é de um roteiro gastronómico e patrimonial. “Os festivais do Sável em Vila Franca e os festivais gastronómicos em Santarém agradam-me”, refere.Fernando Ferreira, LisboaEste visitante confessa a O MIRANTE que gosta de Santarém e Abrantes e foi à Bolsa de Turismo à procura de ambos. “Mas é muito difícil descobrir um guia da região, não há nada que guie o turista. Um dia estive em Santarém e senti imensas dificuldades para descobrir onde ficavam as Portas do Sol, tive de andar na rua a perguntar”, lamenta. Para Fernando Ferreira a região tem de ser melhor promovida, começando pelos responsáveis da Entidade Regional de Turismo.Susana Costa, LisboaEsta visitante confessa que conhece “muito pouco” o Ribatejo mas aproximou-se do balcão da T-LVT para obter mais informação. Apesar de estar “bem melhor agora do que há alguns anos”, Susana considera que ainda há muito trabalho a fazer para promover a zona. “O Ribatejo continua a ser esquecido pelos responsáveis. Falta um roteiro, mais informação, um guia da região. Não se sabe o que há para ver, onde comer e onde dormir. Há muito trabalho para fazer, sem dúvida. Esta zona tem coisas maravilhosas e interessantes e se isso não for promovido é uma pena. Faz falta mais dinamismo da Entidade de Turismo”, defende.Jorge Alexandre, Vila Franca de XiraO presidente do Grupo de Artistas e Amigos da Arte (GART) de Vila Franca de Xira decidiu dedicar uma tarde a promover a pintura da terra no salão de turismo. “Se todos déssemos um pouco de nós para promover a nossa terra era uma grande ajuda”, defende. Jorge considera que o concelho está a ser bem divulgado mas confessa que muito mais poderia ser feito e que ainda há um longo caminho a percorrer. “Continua a não existir um guia e os que existem estão desactualizados”, lamenta.

Mais Notícias
A carregar...