Cerveja Cintra duplica produção e entra nos refrigerantes após ser salva da falência
Espanhóis da Font Salem dizem que a aposta na fábrica em Santarém é de longo prazo e definitiva
Além da duplicação da produção de cerveja, com a abertura da nova linha de enchimento de latas, a fábrica de Santarém vai ainda ser dotada da capacidade de produção de refrigerantes para o mercado das marcas de distribuição ibéricas.
A fábrica de cerveja Cintra, em Santarém, adquirida há um ano pela espanhola Font Salem no âmbito de um processo de insolvência, entra em funcionamento esta semana com uma quarta linha de enchimento que duplicará a produção da unidade. Antoni Folguera, director geral da Font Salem, marca pertencente ao Grupo Damm, um dos três principais cervejeiros espanhóis, disse que o primeiro ano de actividade em Santarém foi “muito positivo”, obrigando a “correr as etapas” do plano de negócios traçado “muito mais rapidamente” que o esperado. “Não podemos dizer que estamos estáveis ao nível da produção e do mercado porque teremos que crescer muito mais para sermos competitivos, realmente rentáveis”, afirmou.Adquirida há um ano por 15,5 milhões de euros, a unidade construída pelo empresário Sousa Cintra e inaugurada em 2002, teve de sofrer um processo de “actualização” porque, apesar do edifício moderno, o equipamento encontrado estava “obsoleto” e algum nem sequer funcionava, disse.Com um historial de dificuldades financeiras praticamente desde o início da laboração, a unidade foi comprada pelo grupo espanhol à Iberpartners, de Jorge Armindo, que a havia adquirido a Sousa Cintra em 2006. No primeiro ano de actividade sob esta administração, e com os investimentos entretanto realizados, a fábrica “chegou ao nível máximo de capacidade de produção”, valor nunca atingido antes, disse Antoni Folguera.Sem querer revelar o volume de produção alcançado nem os valores investidos, dados que classificam de “confidenciais”, o director geral da Font Salem apenas confirmou que os investimentos feitos e previstos “vão superar claramente" o valor da aquisição. “Por isso, a nossa aposta no mercado português e nesta fábrica em Santarém é de longo prazo e definitiva. Não é uma aposta especulativa ou de curto prazo”, afirmou.Além da duplicação da produção de cerveja, com a abertura da nova linha de enchimento de latas, a fábrica de Santarém vai ainda ser dotada da capacidade de produção de refrigerantes para o mercado das marcas de distribuição ibéricas.Antoni Folguera disse que a Font Salem decidiu manter a marca Cintra, porque já existia no mercado e tinha “notoriedade”, estando a engarrafar barris para o canal horeca (bares, restaurantes, etc) e a engarrafar para o mercado angolano, onde a marca já estava implantada e tem vindo a crescer. O grosso da produção vai para o chamado segmento da distribuição, tendo a unidade entre os seus clientes todas as grandes cadeias de supermercados.A partir da fábrica de Santarém estão igualmente a ser abastecidos os clientes de distribuição das regiões mais ocidentais de Espanha (da Galiza à Andaluzia), mantendo-se ainda a prestação de um serviço iniciado pela Iberpartners, de enchimento para outras marcas.Antoni Folguera afirmou que o Grupo Damm é líder na franja mediterrânica (com a marca Estrela Damm), detendo a Font Salem perto de 60 por cento do mercado de marcas de distribuição de cerveja e 45 por cento do de refrigerantes em Espanha. A unidade de Santarém conta actualmente com 86 colaboradores, prevendo, com os investimentos em curso, chegar aos 120, disse.
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