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A pinha que coroa o par da noite

A pinha que coroa o par da noite

Tradição do baile da pinha cumpriu-se no Grémio da Póvoa de Santa Iria

Os pares do baile juntam-se para puxar a fita que abre a pinha. Antigamente soltava-se uma pomba. Agora saem confetis mas a festa faz-se na mesma. A tradição cumpriu-se no sábado à noite no Grémio Dramático Povoense, na Póvoa de Santa Iria, concelho de Vila Franca de Xira.

Edição de 06.04.2011 | Sociedade
“Quando nasci já isto se fazia, já é muito antigo”. É o que diz José Carlos, 69 anos, membro da direcção do Grémio Dramático Povoense, quando se lhe pergunta de onde vem a tradição do baile da pinha, que se repetiu este sábado, 2 de Abril, na sede do grémio da Póvoa de Santa Iria, concelho de Vila Franca de Xira.Uma bola colorida pendurada no tecto, a que chamam “pinha”, está guardada para o momento alto da noite. A coroação do rei e rainha. Das longas e coloridas fitas que saem da pinha, só uma a abre. O par que a puxar será o vencedor. Este ano a sorte calhou aos jovens Pedro Chambel, 20 anos, e Sara Abreu, 14. Além do privilégio de usar as coroas os dois jovens terão ainda honra de abrir a pista de dança no próximo baile da pinha. Ganharam ainda dois jantares num restaurante e tratamento de beleza e corte de cabelo.Apesar de o par vencedor ser muito jovem, é com alguma tristeza que José Carlos afirma que os jovens de agora já não participam nestas tradições. “Antigamente isto estava cheio. Lembro-me de ver as velhas no balcão lá em cima a tomarem conta das filhas enquanto dançávamos com elas”, recorda. “Esta juventude de agora quer é computadores e Facebook”, afirma com alguma mágoa. “E discotecas”, acrescenta Pedro Chambel. Perguntamos à rainha se é verdade. “Não é bem assim, também gostamos de outras coisas. Eu, por exemplo, costumo vir muitas vezes ao baile”, garante enquanto compõe a coroa do baile no cabelo. “Eu vim pela primeira vez. É fixe para estar com os amigos”, conta o rei da noite, que integra as marchas do grémio.“Grandes bebedeiras que apanhávamos aqui”, recorda José Carlos com um sorriso nostálgico. “Mas até nisso nós éramos diferentes desta juventude. Havia outro respeito, outra vergonha”, justifica. “Dantes até havia um mestre de sala”, acrescenta Rui Benavente, 48 anos, presidente do Grémio Dramático Povoense há quatro anos. “Era uma espécie de árbitro ou vigilante dos pares que garantia que nós não ‘esticávamos’ com as raparigas. Era o defensor da honra das meninas”, explica. José Carlos lembra também o tempo em que, em vez de cairem confetis de dentro da pinha, saía uma pomba e rebuçados. “Eram outros tempos e é uma pena que isto se vá perdendo porque formaram-se aqui muitos casais”, afirma.Os lucros obtidos no baile são para os gastos do Grémio embora mal dê para pagar ao músico, lamenta Rui Benavente. “Eu gostava de recuperar a juventude para estas tradições, de lhes incutir o gosto pelas danças de salão que animavam as salas dos bailes do nosso tempo”, revela esperançoso.
A pinha que coroa o par da noite

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