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Biotério vai criar animais de laboratório e não “promover toiradas em Azambuja”

Biotério vai criar animais de laboratório e não “promover toiradas em Azambuja”

Meia centena manifestou-se contra o projecto frente à sede da Fundação Champalimaud em Lisboa

A Fundação Champalimaud é um dos promotores do biotério que vai ser construído em Azambuja onde serão criados animais para ser testados em laboratório. Plataforma de Objecção ao Biotério diz que o projecto visa fundamentalmente o lucro. Fonte ligada aos promotores revela que ninguém vai ganhar dinheiro a vender ratos de laboratório e lembra que o biotério tem como fim a investigação científica e não vai “promover toiradas em Azambuja”.

O biotério - um projecto que tem como objectivo criar animais de laboratório e que vai ser instalado em Azambuja - mais do que apostar na investigação científica pretende o lucro. A acusação é feita pela Plataforma de Objecção ao Biotério de Azambuja, que promoveu no sábado uma manifestação frente à Fundação Champalimaud, em Lisboa, contra o projecto. A Plataforma de Objecção ao Biotério integra biólogos, veterinários e psicólogos, que se insurge contra aquilo que considera ser “uma fábrica de criação de 25 mil animais para serem vendidos em laboratórios” quando, argumentam, existem alternativas mais eficazes e que não envolvem animais mas nas quais não se investe.“O Biotério é um mau investimento para a ciência e para o país. Se vamos construir um equipamento de raiz devemos investir num caminho alternativo mais seguro, mais ético e mais fiável”, afirmou Constança Carvalho, porta voz da Plataforma. O movimento contra o Biotério considera que esse caminho alternativo deve passar por tecnologias como simulações informáticas do metabolismo humano ou uma estrutura que usa células de fígado humano para avaliar toxicidades. “A cura para os vários tipos de cancro já foi testada em animais. O problema é que muitas das soluções não funcionam nos humanos. De outra forma já teríamos cura para todos os tipos de cancro”, esclarece a O MIRANTE Constança Carvalho, psicóloga, que admite que há uma resistência à mudança mas defende que a ciência tem que seguir por outros caminhos.Fonte ligada aos promotores garante que nenhuma das instituições envolvidas vai ganhar dinheiro com a venda de ratos para experiências e lembra que o biotério “não vai promover toiradas em Azambuja”. A mesma fonte desafiou a plataforma a ter nomes de reputados cientistas a defender a sua posição. Munidos de cartazes de apoio aos animais, meia centena de protestantes entoou no sábado palavras de ordem como “ciência sim, biotério não”. Os elementos da Plataforma sublinham que não estão contra a ciência mas defendem que se invista em meios de investigação alternativos sem envolver animais. “Já não estão a ser construídos biotérios na Europa. Os que existem existem. Em Portugal estamos a andar para trás”, denuncia Constança Carvalho a O MIRANTE.O Biotério da Azambuja, um projecto das Fundações Champalimaud e Calouste Gulbenkian e Universidade de Lisboa, servirá para criar animais a usar em investigação científica e será construído na Azambuja, num terreno com cerca de três hectares de área cedido pela câmara local.A operação de charme A escolha de Azambuja surgiu depois da avaliação de várias hipóteses para a localização do centro de investigação, como O MIRANTE noticiou em 2008. O presidente da Câmara de Azambuja revelou na altura que foi feita uma operação de charme para captar o investimento para a zona industrial do concelho onde estão instaladas indústrias na área da logística. “Trouxemos [a presidente do conselho de administração da Fundação Champalimaud], Leonor Beleza, a almoçar no ‘Armazém do Peixe’, junto à zona industrial, que gostou muito da ideia de instalar ali o centro.”.Centro vai criar milhares de cobaias A presidente da Fundação Champalimaud, Leonor Beleza, revelou em 2008, tal como o MIRANTE noticiou, que o centro de criação de cobaias para investigação científica (biotério) de Azambuja aposta nas tecnologias mais avançadas e pretende ser dos melhores do mundo. “Vamos criar um dos melhores biotérios do mundo, obedecendo a critérios rigorosos e tecnicamente muito avançados. Vão ser criados animais para serem utilizados para fazer avançar a ciência e para bem da saúde das pessoas”, disse na altura a ex- ministra da Saúde em Alverca sobre a construção do equipamento, que será uma mais valia para a investigação relacionada com as doenças do cérebro e oncológicas. A unidade de investigação vai ser construída na zona industrial de Azambuja, nos arredores da empresa Siva, em terreno cedido pela câmara municipal em direito de superfície. É uma área de três hectares (quatro campos de futebol) sem vocação industrial.O presidente da Câmara Municipal de Azambuja considera que o centro será uma mais valia para o concelho porque cria uma centena de postos de trabalho directo e vai estimular a economia da região em sectores como a venda de rações, medicamentos, suplementos alimentares, artigos de limpeza e outros produtos ligados à criação de animais. Por outro lado, o biotério coloca Azambuja no mapa da investigação científica. “Vai trabalhar para o mundo inteiro e traz prestígio com o nome da fundação Champalimaud”, disse Joaquim Ramos na altura a O MIRANTE.A escolha de Azambuja, segundo a presidente da fundação foi motivada pela localização com excelentes “acessibilidades e próximo de Lisboa”.O biotério é um projecto privado apoiado por fundos comunitários no âmbito do programa de acção aprovado pelo Governo para as regiões do Oeste e da Lezíria e que prevê compensações pela deslocalização da construção do aeroporto na zona da Ota. É um investimento de 36 milhões de euros dos quais 9 milhões são de privados, enquanto que o restante é suportado por financiamento comunitário.O biotério terá uma capacidade estimada para 20 a 25 mil gaiolas, serão fornecidas estirpes de animais de laboratório a universidades, institutos de investigação e empresas farmacêuticas de todo o país e particularmente na área da grande Lisboa, refere o programa de acção. O equipamento pretende também responder às necessidades da própria Fundação Champalimaud e vai servir outros centros de investigação em Portugal e no estrangeiro.
Biotério vai criar animais de laboratório e não “promover toiradas em Azambuja”

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