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“O toureio em Portugal está a precisar de um ídolo”

“O toureio em Portugal está a precisar de um ídolo”

O tema da juventude e tauromaquia esteve em debate no Centro Cultural de Samora Correia

Um novo rosto que arraste as multidões para as praças de toiros precisa-se para animar a festa. Hoje já não basta enfrentar um toiro na arena. O público exige espectáculo.. O tema animou o debate sobre juventude e tauromaquia no Centro Cultural de Samora Correia, concelho de Benavente, na noite de quarta-feira, durante a VI Semana Taurina.

Edição de 11.05.2011 | Sociedade
Um novo ídolo no toureio é o que falta para trazer mais gente às praças de toiros. Esta foi uma das principais certezas que saiu da conversa taurina “A Juventude e a Tauromaquia” que decorreu no Centro Cultural de Samora Correia, concelho de Benavente, na noite de 4 de Abril, quarta-feira, no âmbito do programa da VI Semana Taurina de Samora Correia. Pedro Salvador, Manuel Dias Gomes, João Salgueiro da Costa, António Ribeiro Telles, Catarina Ribeiro Telles e Maurício do Vale foram os convidados que conversaram sobre tauromaquia perante uma sala praticamente cheia.Uma das primeiras ideias lançadas foi a necessidade de ver nascer um ídolo que arraste multidões. “Há falta de ligação ao espectáculo da festa brava porque faltam novos ídolos. O público precisa de ver alguém a romper, de novas caras”, começou por dizer o cavaleiro tauromáquico Pedro Salvador. Também o novilheiro Manuel Dias Gomes acha que Portugal está a precisar de novos valores da tauromaquia. “É preciso ter ambição e desejo mas também muita regularidade na prática e todos temos o nosso ofício. Em Portugal não temos muito apoio, mas não podemos desistir. Todos podem vir a ser o ídolo que o toureio precisa”. E se o peso de um apelido para um jovem pode ser aparentemente bom nem sempre ajuda. “Se existem algumas portas abertas, por outro o grau de exigência é também maior. Acredito que quando temos valor e trabalhamos o triunfo vem ao de cima”, disse o cavaleiro João Salgueiro da Costa, que se vê constantemente a ser comparado ao pai. O público também não é o mesmo e pede muito mais do que simples emoção de ver um homem a enfrentar um toiro. “Hoje as pessoas querem número já não chega a emoção. Não se limitam a ver um toureiro a enfrentar o toiro. Estão concentradas nos adornos”, apontou Pedro Salvador. Por sua vez o especialista em tauromaquia Maurício do Vale chamou a atenção para a responsabilidade dos professores que devem tratar da tauromaquia sempre que abordarem as tradições do país. “Se forem a uma festa brava não se vê ninguém a colocar bandarilhas noutra pessoa. No fim de um jogo de futebol andam todos aos pontapés”, exemplificou o especialista quando tentou mostrar que a festa não passa pela violência, ao contrário do que pensam muitos detractores. Maurício do Vale pediu ainda para incluírem as crianças na Festa Brava de Samora Correia, Benavente ou Azambuja, arranjando uma rua para largarem alguns bezerros, de modo a criar aficion. Os convidados acreditam que existem cada vez mais jovens interessados nos toiros e para isso basta reparar nos espectadores da Praça de Toiros do Campo Pequeno, em Lisboa, que agora está na moda. Na preservação da tradição conta ainda o papel das autarquias, frisou Catarina Ribeiro Telles. Uma coisa parece certa: a tauromaquia já viveu tempos melhores, mas nem por isso o ânimo deixa os jovens praticantes que querem triunfar na arena. “O público merece o respeito dos toureiros e basta olhar para o número de pessoas nesta sala para o comprovar”, concluiu Pedro Salvador, recebendo em troca muitos aplausos. A julgar pelo entusiasmo do público que assistiu à conversa, em Samora Correia a Festa Brava está de boa saúde e recomenda-se.
“O toureio em Portugal está a precisar de um ídolo”

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