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Associações cortam no pão, água e luz para conseguir pagar as contas

Associações cortam no pão, água e luz para conseguir pagar as contas

Com o agravar da crise muitas associações fazem contas à vida. Além de apagar luzes, cortar no ar condicionado e usar menos água algumas já começaram a diminuir a lista de alimentos.

Edição de 08.06.2011 | Sociedade
Gastar menos electricidade, água, gás e reduzir nas compras de alimentos são medidas que já começaram a ser adoptadas por algumas das associações que enfrentam mais um ano de crise. No dia em que a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira deu mais de meio milhão de euros de apoio a 107 associações do concelho (ver caixa) O MIRANTE foi saber como cortam nas despesas as colectividades. “Temos o cuidado de não deixar luzes acesas mas estamos também a reduzir nos consumos alimentares, por exemplo. Estamos a prestar mais atenção às sobras para não consumir tanto. Ao nível dos recursos humanos tentamos evitar horas extraordinárias”, explica Carlos Santos da Misericórdia de Alverca do Ribatejo.Situação semelhante acontece no Centro de Recuperação Infantil de Benavente (CRIB), onde passou a haver um maior controle sobre “a quantidade de comida que é feita para que sobre menos”, revela o presidente da instituição, António Fernandes. “Temos cortado em tudo o que podemos, telefones, material e até na internet. Conseguimos uma redução de 15 euros por mês só na Internet”, confessa. No Centro também os seguros foram renegociados para permitir uma maior poupança.Um outro dirigente do concelho de Vila Franca, ouvido pelo nosso jornal mas que desejou manter o anonimato, garantiu que reduziu o consumo do pão “em quase 50 por cento” na instituição, que passou a pedir aos pais que levassem o lanche para os meninos. Também na Fundação CEBI, em Alverca, a crise obrigou a rever procedimentos. “Temos cortado nas despesas através de uma gestão mais atenta no que diz respeito a alguns consumos. Fizemos alterações ao nível da energia. O aquecimento, por exemplo, é feito por painéis solares. Para obter água para regar os jardins fizemos um furo. É uma maneira de ir poupando”, informa Honório Vieira. Outra forma de enfrentar a crise foi não aumentar os vencimentos dos quase 450 trabalhadores. “Isso tem um grande peso nas contas”, refere.No Forte da Casa a Associação de Solidariedade Social de Apoio à Família foi mais longe na tentativa de poupar. “Já reduzimos em perto de 60 por cento o nosso consumo de electricidade, fomos tirando lâmpadas onde achávamos que elas não faziam tanta falta”, revela o presidente, José Silva.Apagar a luz parece ser também uma das normas de ouro da Associação de Bem Estar Infantil de Vila Franca de Xira. “As instituições vão ter que repensar toda a sua actividade. Ainda ninguém sabe que proporção terá esta crise. Começámos por tentar renegociar algumas das nossas dívidas e fazer esforços para manter os postos de trabalho. Estamos a ser mais exigentes nos gastos: temos de ver o que é desperdício e o que não é. Deixar uma luz acesa é desperdício”, defende Manuel Martins.Em Azambuja o Centro Social e Paroquial optou por poupar, por exemplo, na aquisição de material pedagógico. “Compramos menos jogos, livros e material de apoio para os educadores. Também estamos a optar mais por materiais recicláveis”, ilustra Maria João Canilho, directora do centro.Trabalho das colectividades “é de grande importância”A presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Maria da Luz Rosinha, admitiu que se vivem tempos difíceis mas mostrou-se solidária com todos os dirigentes do concelho no dia em que entregou mais de meio milhão de euros de apoios. “Sabemos que se vivem sérias dificuldades e que, possivelmente, irão agravar-se. Mas também é preciso que nestes momentos estejamos unidos e tenhamos confiança de que conseguiremos ultrapassar essas dificuldades. Para o concelho é de grande e relevante importância o trabalho que todos desenvolvem”, disse.Ao final da tarde de 2 de Junho, feriado municipal de Quinta-feira de Ascensão, 107 colectividades rubricaram os protocolos de apoio do Programa de Apoio ao Movimento Associativo (PAMA), que já vai na sua terceira edição. O valor atribuído pela câmara, mais de meio milhão de euros, vai permitir dar apoio directo a 2283 atletas federados, nove mil utentes de instituições de apoio social e duas mil pessoas envolvidas em projectos culturais do concelho.
Associações cortam no pão, água e luz para conseguir pagar as contas

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