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“As Festas de Marinhais são a minha segunda casa durante o tempo em que decorrem”

“As Festas de Marinhais são a minha segunda casa durante o tempo em que decorrem”

João Simões diz que é vereador na Câmara de Salvaterra porque tentar fazer alguma coisa é melhor que apenas criticar

Quando viaja por cidades da Europa vai ver os novos edifícios em vez das antigas catedrais. Tem um filho que toca num grupo musical e tem dificuldade em dormir quando ele vai tocar e volta muito tarde. Usa o Facebook para comunicar com os seus alunos e já reencontrou velhos amigos através da internet. João Simões, natural de Marinhais, professor de técnicas de construção de obra e higiene e saúde no trabalho nas escolas profissionais de Salvaterra e do Vale do Tejo em Santarém é um dos que não perde as festas populares da sua terra. As da sua terra e as do seu concelho.

Costuma ir às festas de Marinhais?Sim e também vou às restantes festas do concelho. As festas são uma espécie de Facebook. Reencontramos os amigos e conhecidos que não vemos há algum tempo. Gosto desses momentos dos reencontros em que ficamos à conversa a colocar as novidades em dia.Vai todos os dias às de Marinhais?Sim. As festas funcionam quase como um culto. Ou almoçamos, ou lanchamos, ou jantamos lá, por isso acabamos por ir todos os dias. Quais eram os artistas que contratava se estivesse na organização das festas de Marinhais e houvesse dinheiro?Aprecio muito quem avança para uma comissão de festas porque não é uma tarefa fácil. É um ano inteiro de trabalho para se mostrar durante quatro dias. Se houvesse mesmo muito dinheiro punha cá os melhores: os Supertramp ou os Rolling Stones (risos). Uma festa sem foguetes é uma festa?Gosto dos efeitos visuais mas não sou grande apreciador do ruído. Eu dispensava a parte ruidosa dos foguetes mas é uma tradição e uma festa sem fogo era terrível. As pessoas não iam compreender a ausência do fogo-de-artifício.Gosta de ver passar as procissões nas festas?Não sou muito religioso. A procissão é daqueles actos a que eu normalmente não dou muita importância. Respeito mas custa-me ver certas coisas especialmente o cumprir promessas. Faz-me confusão.Porquê?Não faz sentido a fé das pessoas levá-las ao sacrifício. A existir um Deus ele quer o melhor para nós. Quer amor ao próximo, fé...Não quer sacrifícios.Qual é a melhor época do ano? O Natal, o Carnaval, a Páscoa ou as festas de Marinhais?Dou-me muito melhor com as festas de Marinhais sobretudo por ser Verão. É a minha época do ano preferida. Não ligo muito às outras quadras festivas.Há cerca de dois anos a ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica) estava em grande forma e andava pelas festas a ‘chatear’ com a legalidade de tudo. Acha que devia haver uma maior fiscalização nas festas populares?Concordo com a actividade da ASAE mas é muito difícil as colectividades respeitarem, durante as festas, as normas exigidas pela ASAE. Sabemos como é o ambiente das festas. Não há restaurantes, não há profissionais do ramo da restauração. É gente que faz tudo por carolice, por amor à camisola da colectividade em que está envolvido. Em vez de se irem divertir para as festas vão trabalhar para conseguirem angariar dinheiro para a sua colectividade. Penso que a ASAE também compreende esta situação.Duas semanas a passear um derrame cerebral sem saberJoão Simões nasceu a 26 de Julho de 1962, em Marinhais, onde cresceu e ainda vive. É casado e tem dois filhos, com 22 e 16 anos. Fez o ensino primário na vila e no quinto e sexto ano foi estudar para Benavente. Regressou a Marinhais tendo estudado na Raret até ao nono ano. Nessa altura ia de bicicleta ou a pé para a escola. Algumas vezes, depois das aulas, ele e os amigos, abriam buracos na estrada para jogarem ao berlinde. “Eram outros tempos onde era tudo mais seguro”, recorda.O ensino secundário foi feito na Escola Ginestal Machado, em Santarém. No 12º ano chateou-se e anulou a matricula. Estudou o ano inteiro em casa e fez as provas finais como aluno externo. Passou com média de 15 valores. Entrou na Universidade da Beira Interior, na Covilhã, em Engenharia Electrotécnica mas passados dois anos mudou-se para o Instituto Superior Técnico, em Lisboa. Dois anos depois desistiu do curso e foi dar aulas de Trabalhos Oficinais, na Escola de Salvaterra de Magos. “Tinha 22 anos. Hoje percebo que era muito novo para dar aulas. Encontrei uma população estudantil na qual não me revia. Decidi ir trabalhar para outro lado”, conta.Foi para a empresa de construção civil da família onde já tinha trabalhado sempre durante as suas férias de Verão. Diz que trabalhar na juventude, durante as férias, não lhe fez mal nenhum. Pelo contrário. “Faz falta aos miúdos de hoje terem sentido de responsabilidade, é muito importante para o desenvolvimento e bem-estar pessoal”, afirma. Ao mesmo tempo que trabalhava ia fazendo formações na área da construção civil. Foi convidado para dar aulas no ensino técnico-profissional. Apenas algumas horas. Aceitou. Actualmente trabalha a tempo inteiro na Escola Profissional do Vale do Tejo, em Santarém, e na Escola Profissional de Salvaterra de Magos. Já lá vão 12 anos. “A maturidade é outra e o facto de ser uma vertente profissional entusiasma-me mais. Gosto muito de ensinar”, realça.Diz que não tem tempos livres e percebe-se porquê. Há três anos matriculou-se no curso de engenharia de Segurança no Trabalho. Agora que já concluiu o curso está a ponderar qual o mestrado ou pós-graduação que quer fazer. E ainda arranja tempo para ser vereador da oposição pelo Partido Socialista na Câmara de Salvaterra de Magos.O momento mais complicado da sua vida aconteceu aos 36 anos quando teve um derrame cerebral e teve que ser operado. A situação teve que ver com um defeito congénito. Agora consegue brincar com o que se passou. “Andei 15 dias a ‘passear’ um derrame cerebral. Tinha fortes dores de cabeça mas os médicos só me diziam que era stress. Só quando fui ao neurologista é que me diagnosticaram o derrame e tive que ser operado imediatamente”. explica com tranquilidade.
“As Festas de Marinhais são a minha segunda casa durante o tempo em que decorrem”

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