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Bairro de Arcena vai regressando à normalidade depois do tiroteio que vitimou um indiano

Bairro de Arcena vai regressando à normalidade depois do tiroteio que vitimou um indiano

Moradores dizem que o autor dos disparos que feriu mais duas pessoas não costumava envolver-se em problemas

O autor dos disparos que vitimou um indiano e feriu outras duas pessoas da mesma nacionalidade ficou em prisão preventiva a aguardar julgamento. Os moradores dizem que o homicida era uma pessoa afável e que o bairro é pacato e nunca assistiram a um episódio de tamanha gravidade.

Edição de 03.08.2011 | Sociedade
“Ninguém acredita ainda que o senhor Gameiro tenha disparado sobre o indiano”, conta dois dias depois do crime uma funcionária da Junta de Freguesia de Alverca que mora há 36 anos no bairro de Arcena, onde no sábado ao final da tarde o homem de 50 anos de etnia cigana disparou sobre um indiano na sequência de uma discussão. O bairro vai voltando à normalidade mas o que aconteceu continua a ser o principal tema de conversa dos moradores. O homicida, detido no local pela PSP, já foi presente ao juiz de instrução criminal que lhe aplicou a medida de coacção de prisão preventiva enquanto aguarda julgamento. O pacato bairro de Arcena, onde não costuma haver problemas deste género, não estava habituado a tanta movimentação. Os três canais de televisão que chegaram de imediato ao local deixaram os mais jovens fascinados. Todos queriam aparecer em directo na televisão. Ninguém ligava ao facto de a poucos metros de distância estar um cadáver no chão tapado com um pano. A mulher do autor dos disparos ia gritando: “O meu marido sofreu há um mês um AVC (acidente vascular cerebral), está ferido, e precisa de ir para o hospital”, gritava. Eram muitas as pessoas que abraçavam Esperança e choravam também. No dia do crime os moradores contavam que tudo terá surgido quando um homem de etnia cigana foi urinar ao final da tarde de sábado à porta da garagem da família indiana. Os indianos não gostaram do gesto e a partir daqui gerou-se uma violenta discussão, que terá culminado com os alegados disparos de Gameiro, por volta das 19h30, na via pública. Dos disparos resultaram ainda dois feridos graves, todos de nacionalidade indiana. Um dos feridos, de 48 anos, está internado no Hospital Reynaldo dos Santos, em Vila Franca de Xira. O outro jovem, de 24 anos, deu entrada no Hospital de São José, em Lisboa, baleado no pescoço. “Há 38 anos que moro aqui e nunca vi nada assim. Existem brigas mas acabam sempre por ser resolvidas. O senhor Gameiro é uma pessoa muito adorada por todo o bairro e ainda ninguém acredita que tenha disparado”, explicou Maria do Carmo, que diz que os seus netos costumam brincar com as crianças de etnia cigana. Os indianos estavam há cerca de três meses no bairro, sendo desconhecidos da maior parte dos residentes. Nunca criaram problemas e tinham uma oficina de automóveis na garagem onde costumavam trabalhar durante a noite e aos fins-de-semana. Alguns moradores vão dizendo que o autor dos disparos podia não andar bem psicologicamente depois de ter sofrido o AVC, até porque é voz corrente no bairro que este era uma pessoa afável e respeitadora. No bairro de Arcena moram maioritariamente africanos e os únicos ciganos são a família Gameiro. Todos se dão relativamente bem ao ponto de, segundo alguns moradores, deixarem as portas de casa abertas.
Bairro de Arcena vai regressando à normalidade depois do tiroteio que vitimou um indiano

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