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Duzentos e oitenta novos casos de crianças e jovens em risco detectados em Vila Franca de Xira

Duzentos e oitenta novos casos de crianças e jovens em risco detectados em Vila Franca de Xira

Negligência e maus tratos emocionais lideram o topo das causas

Só em 2011 a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco de Vila Franca de Xira já detectou 280 novos casos, a que se juntam aos 900 registados no final de 2010. Há cada vez mais pais que estão a chegar a uma situação limite, pedindo à própria CPCJ para tomar conta das crianças.

Edição de 10.08.2011 | Sociedade
Nos primeiros sete meses de 2011 a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco (CPCJ) no concelho de Vila Franca de Xira instaurou 280 novos casos, mais 82 do que no ano anterior. Os maus tratos emocionais por exposição a modelos de comportamento desviante, com especial incidência na violência doméstica e a negligência, são os principais motivos que colocam no concelho de Vila Franca de Xira os mais novos em situação de risco. O aumento do número de casos poderá significar uma maior atenção da população e dos parceiros sociais para os casos de maus tratos. Recorde-se que no final de 2010 a comissão tinha registo de mais de 900 casos de crianças e jovens em risco. Este ano, com os processos transitados, reabertos e os novos 280 casos, o número de casos que a CPCJ acompanha é ainda mais elevado. Existem pais que vêm depositar os filhos na CPCJ de Vila Franca de Xira, demitindo-se completamente do seu papel. “Muitos não sabem o que mais podem fazer, especialmente quando as crianças crescem e passam a reclamar o amor e a atenção que nunca tiveram. Os pais não conseguem impor-se perante os filhos, sentem-se impotentes e vêm cá entregá-los”, explica a psicóloga Sofia Lourenço. O fenómeno tem vindo a aumentar e não existe um único dia nos últimos meses em que não entre um novo processo na CPCJ do concelho de Vila Franca de Xira. Há muitos pais que ainda perguntam pelas casas de correcção, embora as técnicas alertem que a institucionalização é sempre o último recurso. Os casos de violência doméstica que têm vindo a aumentar no município são responsáveis por uma grande fatia das crianças e jovens que chegam à CPCJ. Um maior esclarecimento das pessoas e dos parceiros sociais que denunciam com maior facilidade os casos de maus tratos a crianças e jovens com que se vão deparando é uma das explicações apontadas pela nova presidente da comissão, Helena Lamelas, para o aumento do número de processos. A responsável não estabelece de imediato uma ligação entre a actual crise económica pela qual o país está a passar e o aumento do número de casos. “Hoje deparamo-nos com estruturas familiares muito diversificadas e muitas famílias não estão preparadas para as mudanças que estão a acontecer na sociedade”, explica a presidente que vê uma crise de valores muito grande na sociedade.Os horários desfasados no emprego levam a que muitos pais não vejam praticamente os filhos e as crianças vão crescendo sozinhas, alertam as técnicas. Mais difíceis de detectar, mas em número cada vez maior, são também os maus tratos emocionais em famílias que estão bem colocadas socialmente e economicamente. Estes pais que vão à CPCJ já conhecem a lei e levam sempre um advogado. Alverca, Vialonga e Castanheira do Ribatejo continuam a ser as freguesias com mais casos detectados, embora as técnicas ressalvem que está relacionado com a densidade populacional. As comissões de protecção de crianças e jovens são instituições não judiciárias com autonomia funcional, que visam promover os direitos da criança e do jovem e prevenir ou pôr termo a situações susceptíveis de afectar a sua segurança, saúde, formação, educação ou desenvolvimento integral. As novas instalações cedidas pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira à CPCJ em Junho deste ano vêm ajudar em muito a continuação de todo o trabalho da equipa.
Duzentos e oitenta novos casos de crianças e jovens em risco detectados em Vila Franca de Xira

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