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O ajudante do padre que vai dar catequese a prostitutas e presidiários

Jorge Monte Real está a rodar o seu primeiro filme na sua Salvaterra de Magos natal

A pacata vila ribatejana ficou mais movimentada e há quem não perca pitada do que se passa. A câmara municipal dá apoio logístico acreditando que a comédia “Com um pouco de fé” pode chegar às salas de cinema mas a presidente não revela quanto irá gastar com aquela ajuda.

Edição de 10.08.2011 | Sociedade
“Estão a filmar as cenas de um casamento”, diz a dona Luísa que acabou de sair da igreja de Salvaterra de Magos. E acrescenta que se veio embora porque não deixavam permanecer no local quem não estivesse com roupa de cerimónia. A conversa com O MIRANTE decorre na pequena sombra que o edifício do Centro de Interpretação do Cais da Vala proporciona. São 16h30 de quinta-feira, 4 de Agosto. Os acessos ao local das filmagens estão temporariamente vedados. Pouco depois chegam novidades. Lurdes Alves que participou no casting para figurantes e foi seleccionada é quem as traz. “O Vítor Norte, que faz de padre, enganou-se algumas vezes. Só se ouvia o realizador a dizer corta. Temos que fazer um esforço para não nos rirmos durante as gravações”, conta bem-disposta.A vila de Salvaterra de Magos foi o cenário escolhido para a realização da primeira longa metragem de Jorge Monte Real, um realizador da terra. Trata-se de uma comédia e chama-se “Com um pouco de fé”. O elenco tem nomes bem conhecidos. Para além de Vítor Norte, participam Ana Brito e Cunha, Teresa Guilherme, Carlos Areia, Cristina Areia, Kapinha, Miguel Dias, Fernando Ferrão e Jel. A câmara municipal dá apoio à produção. A presidente da câmara, Ana Cristina Ribeiro (BE), questionada por O MIRANTE não revela em quanto vai ficar aquela ajuda. “É feio falar em número e não o vou fazer”, diz. O realizador também não fala em “números”. Na reunião do executivo do dia seguinte a autarca diz mais alguma coisa sobre o assunto. Segundo ela o apoio é meramente “logístico”. “Cedemos o nosso refeitório quando a equipa precisa e disponibilizamos águas. É esse o nosso contributo”, explicou. Diz ainda acreditar que se trata de uma mais valia para o concelho uma vez que lhe garantiram que o filme vai ser visto em vários cinemas do país. “Salvaterra só tem a ganhar”, declara. Maria Ferreira aguarda pela saída dos actores. Conta que têm andado a gravar um pouco por toda a vila e que toda aquela “agitação” anima a terra. Lembra-se do realizador por ele ter participado num reality-show de uma televisão. Após uma hora de espera ao calor chega o tão aguardado intervalo nas gravações. Os actores começam a sair da igreja e aguardam novas ordens para recomeçar a gravar. Uns aproveitam para ‘matar’ a sede, outros mais preocupados com a linha, comem fruta e há quem fique apenas na conversa. Os populares que esperaram toda a tarde aproximam-se timidamente. Os mais afoitos pedem para tirar uma fotografia. Carlos Areias, Kapinha, Miguel Dias são alguns dos mais solicitados. Também os figurantes descansam das gravações. Apesar de não terem falas para decorar não se pense que estar sentado com ar compenetrado durante tanto tempo não cansa. “Com um pouco de fé” conta a história de Bentinho (Bruno Simões), um verdadeiro cromo, parolo e ingénuo, que é marginalizado por toda a gente. Na repartição de finanças onde trabalha é gozado por um colega que o enche de trabalho; na rua é maltratado pelo primo que se aproveita da sua fraqueza física, que lhe bate e até o rouba. No quartel dos bombeiros, onde é voluntário, só o deixam atender telefones. Os únicos bons momentos que Bentinho tem na vida são os que passa na igreja da paróquia, onde é acólito. O padre, preocupado com o isolamento em que vive o rapaz e conhecedor das suas qualidades humanas, decide confiar-lhe uma missão: ensinar catequese a prostitutas e presidiários ao abrigo de um programa de reinserção social. Esta não é a primeira realização de Jorge Monte Real. A sua estreia foi com uma curta-metragem intitulada “Última Famel” que não chegou às salas de cinema passando apenas no canal “Benfica TV”. O salvaterrense diz que foi o suficiente para despertar o interesse da Valentim de Carvalho Multimédia que, segundo ele, vai distribuir o filme. Quanto ao orçamento para o filme diz que “é feio falar em números”.

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