
José Valério
63 anos, funcionário público, Vila Franca de Xira
“Qualquer dia, da maneira como as coisas estão, nem dinheiro teremos para comprar uma garrafa de vinho para acompanhar a refeição. Eu já tenho cortado em muitas coisas no meu dia-a-dia, na electricidade e na água, sobretudo. Nunca corto na comida. Talvez evite gastar numa saída ou numa ou outra compra mas nos bens essenciais não”.
E se um dia um amigo lhe oferecesse um automóvel?Acharia a oferta muito grande para os tempos que correm mas aceitaria a prenda. Venderia um outro carro mais velho que tivesse em casa e ficaria com o novo.Aceitaria primeiro um copo de água ou um copo de vinho?Gosto dos dois mas primeiro beberia o copo de água para matar a sede e deixava o outro para depois. O vinho é bom mas só à refeição. E mesmo nessas alturas é preciso beber com moderação para que não faça mal. Qualquer dia, da maneira como as coisas estão, nem dinheiro teremos para comprar uma garrafa de vinho para acompanhar a refeição. Eu já tenho cortado em muitas coisas no meu dia-a-dia, na electricidade e na água, sobretudo. Nunca corto na comida. Talvez evite gastar numa saída ou numa ou outra compra mas nos bens essenciais não. É pessoa para enfrentar um toiro de caras?Já fui, hoje não. Apanhei dois grandes sustos à custa dessa brincadeira e aqui em Vila Franca de Xira. Meti-me à frente do toiro e assustei-me com o movimento que ele fez que ninguém estava à espera. No Ribatejo toda a gente tem coragem para se meter à frente dos toiros. Eu gosto muito de touradas e largadas. Não apenas por viver em Vila Franca desde criança mas porque gosto mesmo da festa brava. É uma festa bonita.Se o convidassem para ir a um bar de striptease aceitava?(risos) Provavelmente sim e sem complexo nenhum. A minha mulher é que não iria achar tanta graça mas ela não precisava de saber (risos). A verdade é que a minha mulher é muito boa pessoa e não mereceria isso. No dia a dia costuma andar bem disposto?Gosto de andar sempre bem disposto e alegre. Para andarmos abatidos já bastam os problemas do dia-a-dia e a crise. Temos de ter uma perspectiva mais feliz das coisas.Teria coragem para andar de transportes públicos sem pagar?Eu não. Teria sempre medo que aparecesse o revisor ou o fiscal. O problema é que depois seria provável que tivesse que pagar o dobro ou o triplo do preço do bilhete. Antigamente era mais difícil andar sem pagar mas hoje há muita gente que o faz. Há 30 anos, quando eu trabalhava numa empresa privada, ia quase sempre de transportes públicos para o emprego. E apanhei várias vezes miúdos novos que não queriam pagar. Faziam mesmo birra com os revisores e motoristas. Eles acabavam por ser levados para os postos da polícia mas mesmo assim continuavam a insistir que não pagavam. Eu nunca seria capaz de fazer isso.

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