Uma festa popular que continua a atrair multidões
Se alguns são saudosos das festas de outros tempos na Póvoa de Santa Iria, no concelho de Vila Franca de Xira, outros aguardam o último dia do evento esperando ver um esplendoroso fogo de artifício. Numa cidade às portas de Lisboa as festas populares continuam a ter peso. É a chamar a atenção de quem escolheu a freguesia para viver e a atrair visitantes de fora.
Alda Fernandes, comerciante, Póvoa de Santa IriaSaudades de quando as festas se realizavam perto do cais dos pescadoresAlda Fernandes, uma comerciante de 59 anos a residir na Póvoa de Santa Iria há 28, tem saudades dos tempos em que as Festas em Honra de Nossa Senhora da Piedade eram realizadas perto do cais dos pescadores avieiros, na zona ribeirinha da freguesia do concelho de Vila Franca de Xira.A cidade é procurada por muita gente de fora, pela proximidade com Lisboa, mas Alda Fernandes acredita que uma festa deste tipo ajuda a cativar os que não nasceram na terra. “Mesmo as pessoas que não são da Póvoa acabam por apreciar esta festa porque existem divertimentos para todos os gostos, desde a componente religiosa, aos toiros passando pelos carrosséis”, analisa. Não se perde pelos petiscos mas faz questão de marcar presença na noite da sardinha assada e de comprar pipocas e farturas. Das largadas ou corridas de toiros é que não é fã. “Gosto muito da parte religiosa, em especial da bênção dos barcos à noite. E também do folclore, das bandas de música e de todo o divertimento associado à festa”. A vigilância deveria ser reforçada, sugere, para que a festa seja ainda uma ocasião mais especial.Jorge Ribeiro, presidente de junta, Póvoa de Santa IriaOs novos habitantes da Póvoa também têm aderido às festasOs toiros, a sardinha assada, o pão e o vinho, a componente religiosa e os espectáculos musicais são os pilares fundamentais das Festas em Honra de Nossa da Piedade, na Póvoa de Santa Iria, concelho de Vila Franca de Xira, que também entusiasmam Jorge Ribeiro, o actual presidente de junta da freguesia.O autarca de 35 anos aprecia todo o ambiente da festa e admite até que poderia investir-se mais nos artistas musicais convidados não fossem as restrições orçamentais. “De alguns anos a esta parte temos privilegiado artistas ligados à Póvoa. O orçamento é tão pequeno que também não nos permite trazer grandes nomes, mas este ano voltamos a estar bem entregues”, reconhece. O autarca calcula que as festas da freguesia movimentem entre 60 a 70 mil pessoas. Os habitantes que escolheram a Póvoa de Santa Iria para morar também não vão faltar à festa. “As pessoas que têm escolhido a Póvoa para viver também se têm acostumado à forma de viver da própria cidade, aderindo bem às festas”, descreve.António Monteiro, coordenador de empresa de catering, Póvoa de Santa IriaÀ espera de um esplendoroso espectáculo de fogo-de-artíficio É com algum cuidado que actualmente, António Monteiro, 44 anos, se aproxima para ver as largadas de toiros. Uma má experiência há uns anos levou-o a ser mais cauteloso. “Ia com os meus amigos para a arena e enfrentávamos o toiro de caras. Um amigo ficou paraplégico depois de ter caído no chão”, recorda. Não gosta por isso de ver pessoas com excesso de álcool a provocar os toiros. Todos os anos António Monteiro, coordenador de uma empresa de catering, vai pelo menos um dia às Festas em Honra de Nossa Senhora da Piedade, na Póvoa de Santa Iria, cidade onde reside. É na sua opinião uma festa muito tradicional com um bom cartaz de artistas de música popular. Gosta de ir com a família comer uma sardinha assada mas já lhe custa ver as pessoas que tentam aproveitar a oportunidade para meter em sacos sardinha para levar para casa. O fogo-de-artifício é um dos aspectos da festa que gostaria de ver melhorado. “No último dia de encerramento gosto sempre de ver um bonito espectáculo de fogo-de-artifício e sinto que ao longo dos anos tem sido cada vez mais fraco”, repara.
Mais Notícias
A carregar...