Vila Franca de Xira - Marieta e as outras miúdas da nossa turma
Esta fotografia a preto e branco explica bem como o tempo passou por nós - destruidor de sonhos, relógio de horas que nos ferem, lugar onde nunca mais vamos estar de novo juntos. Em 1966 a Marieta era, na nossa turma da Escola Comercial e Industrial de Vila Franca, uma voz sempre alta, diferente, feliz. A fotografia, como é óbvio, não regista sons mas eu tenho essa memória, de alegria nos corredores da nossa escola, guardada num recanto da alma. Era um som puro, inesperado, motivador para todos os parceiros dessa fotografia hoje histórica. Lembro bem o Arnaldo, o Paplikas, a Gui, a Edite, uma moça cujo nome não recordo mas a mãe tinha discos gravados que passavam na Rádio, era a fadista Maria Passos. Tenho todas as memórias de todos os rostos e de todos os sorrisos mas não recordo todos os nomes: chamava-se Ângela a mocinha do lado esquerdo, chamava-se Rosa a jovem ao lado direito da Marieta? O pai da Gui tinha uma papelaria no Bairro do Bom Retiro frente ao Colégio Sousa Martins e vendia também pastilhas elásticas aos alunos que fugiam à frente do terrível director Carreira.Um dia a professora Gabriela fez anos e a Marieta trouxe um disco da Rita Pavone. Um dos rapazes trouxe o gira-discos e a professora agradeceu. Pelo menos ouviu um pouco de italiano e as palmas foram mesmo calorosas. Em 1966 aos domingos à noite eu ficava à espera dos jornais de Lisboa que chegavam de comboio a Vila Franca. Quando chovia, o Rogério colocava um oleado na pequena carroça que vinha da estação da CP até à venda ali ao lado da Câmara. Aprendi a gostar ainda mais de jornais com esse Diário Popular onde Santos Fernando todos os domingos escrevia «Os grilos não cantam ao Domingo». Lembras-te, Marieta?José do Carmo Francisco
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