A descer todos os santos ajudam mas para curvar é preciso ter sorte
Equipas da região brilharam na corrida mais louca do mundo em Lisboa
A “corrida mais louca do mundo”, evento mundial promovido pela Red Bull, voltou a Portugal e sete equipas da região foram seleccionadas para integrar o grupo de 66 participantes que, na tarde de domingo, desceram o parque Eduardo VII nas suas loucas criações. Da Póvoa de Santa Iria a Tomar ninguém faltou à festa.
Aplausos, gritos, gargalhadas e muitas fotos. Foi desta forma que as sete equipas da região, de Tomar à Póvoa de Santa Iria, foram recebidas pelos quase 60 mil espectadores que assistiram no domingo à “corrida mais louca do mundo”, organizada pela Red Bull no parque Eduardo VII em Lisboa.A representar a região estiveram presentes as equipas “Escumalha - Heróis do Mar” (Tomar), “Os Salva Bois” (Torres Novas), “O segredo da abelha vai de férias” (Glória do Ribatejo) e, do concelho de Vila Franca de Xira, os “Back from the past” (Alhandra), “Mitch e as bacanas” (Sobralinho), “Os trolhas em alta rotação” (Póvoa de Santa Iria) e os “Red Zeppelin” (Vialonga).A equipa de Alhandra foi a que mais brilhou, terminando em quarto lugar da geral de entre um total de 66 participantes. Nesta corrida invulgar chegar em primeiro raramente é o objectivo dos participantes, que procuram o convívio e a promoção do espírito de grupo. As equipas da região foram seleccionadas entre os vários milhares de concorrentes de todo o país para estarem na final em Lisboa.Na boxe dos “Back From the Past” reina a calma antes da descida de 400 metros. A réplica de um Bugatti de 1928 construído por Francisco Romão repousa à sombra enquanto ao lado um mecânico com barriga de cerveja dá indicações a um jovem piloto sobre a forma de abordar as curvas do circuito sem capotar. Para descer todos os santos ajudam mas para curvar é preciso ter sorte, diz o homem com uma gargalhada. “Demorámos dois meses a construir o carro e foi em homenagem a um senhor de Alhandra que foi mecânico da Bugatti nos anos 30”, explica a O MIRANTE Francisco Romão. O condutor, Jimmy Éden, está confiante na qualidade do carro, apesar de ter sido feito quase todo com materiais recicláveis.Nesta corrida as únicas regras obrigam os carros a ter menos de quatro metros de comprimento, um máximo de cem quilos de peso e nenhum motor.Os “Escumalha - Heróis do Mar” de Tomar apresentam-se com um carro em forma de espinha. André Paixão, José Henriques, Francisco Ramos, André Ramos e Gilberto Henriques são o núcleo duro desta equipa que montou o carro num mês e meio, segundo Carlos Ferreira, apoiante da equipa. “Custou perto de 500 euros e se chegar ao fim já é uma grande vitória”, revela com um sorriso. As boxes do evento são uma miscelânea de loucura e originalidade. Há bonecas insufláveis nos tejadilhos, um frigorífico ambulante, um carro em forma de rabo de mulher e uma nave espacial. Quando pensámos que já vimos tudo ainda encontramos um barril de vinho, um toiro, um maço de notas, um tractor, uma joaninha e uma auto caravana a descer de marcha-atrás.Os “O Segredo da Abelha vai de Férias” foram a Lisboa desfrutar do tempo. A equipa da Glória do Ribatejo gastou 180 euros e levou um carro em forma de praia onde o chapéu de palha e as espreguiçadeiras não faltaram. “Vamos descer a pista deitados, estamos de férias, não há crise”, conta-nos Adalsino Caneira com uma risada. Quem se riu por último foram os espectadores que aplaudiram vivamente quando o bólide executou o salto final e despedaçou parte da rampa.Quem se despedaçou por completo foi a equipa do Sobralinho, concelho de Vila Franca. Os “Mitch e as Bacanas” levaram alegria e encantaram o público lisboeta. Mas não evitaram um despiste aos 50 metros de prova. O carro ficou para trás e os ribatejanos continuaram a pé até ao fim para recolher os milhares de aplausos. “Os Salva Bois”, de Torres Novas, também foram bastante aplaudidos pelo público apesar de terem feito algumas curvas no limite. E por último, “Os Trolhas em Alta Rotação”, da Póvoa de Santa Iria, decidiram levar uma campainha de gado atrelada ao seu veículo de três rodas. Simples no aspecto mas rápido na descida. “O que nos move para participar é a amizade e o convívio, são uns dias espectaculares que aqui passamos”, conta-nos Cláudio Lopes. Os vencedores da prova foram os ATK Racing Team, de Mafra, que apresentaram um carro em forma de capacete.Uma loucura mundial que começou na BélgicaBruxelas, capital da Bélgica, recebeu em 2000 a primeira edição da “corrida mais louca do mundo”. O evento já contou com 50 edições e chegou a Portugal em 2004, juntando-se a cidades como São Francisco, Vancouver, Fortaleza, Istambul entre outras. As equipas são compostas por um máximo de cinco elementos e são avaliadas por um júri tendo em conta três factores: tempo percorrido, criatividade e originalidade do veículo e interacção com o público. O traçado deste ano foi diferente e incluiu oito curvas e 1500 fardos de palha que impediram que os carros chocassem com os espectadores.
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