Tiago Graça cansou-se das balizas e inscreveu-se como árbitro
Jovem de 14 anos jogou no União de Santarém e no Footkart como guarda-redes, mas decidiu deixar as luvas e as balizas para se dedicar à arbitragem. Tiago Graça está a cumprir estágio na Associação de Futebol de Santarém e tem o sonho de ser árbitro internacional. A experiência de apito na boca começou num jogo de veteranos.
Se muitos jovens futebolistas têm o sonho de ser como o Vítor Baía na balizas, como o Cristiano Ronaldo ou o Messi a marcar golos, Tiago Graça garante que já passou por essa fase quando foi guarda-redes, entre os sete anos e os 13 anos de idade, no União de Santarém e no Footkart. No final da época passada pôs as luvas de lado e resolveu inscrever-se no curso de árbitros da Associação de Futebol de Santarém (AFS). Mas afinal o que leva um miúdo de 13 anos a trocar os pontapés na bola e as defesas pela sinfonia do apito? Tudo começou num jogo de veteranos dos Ex-União de Santarém em que faltava um árbitro auxiliar. Tiago ofereceu-se para a missão, gostou da experiência e a partir dali empenhou-se em dar seguimento à arbitragem. “Já tinha noções da arbitragem e como o jogo correu bem, motivou-me. No futebol tinha sido sempre guarda-redes mas também achava que tinha pouca altura (1,55 metros) e a última época não correu muito bem” recorda Tiago, para justificar a mudança. A somar a esse facto existe a questão de o pai de Tiago, Fernando José Frade da Graça, ter sido árbitro de futebol. “O meu pai morreu quando eu tinha um ano e não o conheci, mas mesmo assim quis ser árbitro como ele”, diz Tiago, lembrando a sua memória. Em Maio inscreveu-se no curso na AFS. Num fim-de-semana aprendeu a parte teórica e os regulamentos da arbitragem, enquanto noutro fim-de-semana foi para o relvado trabalhar o treino prático. Curiosamente a primeira pergunta do curso teve a ver com o local onde o arbitro deve estacionar a viatura ao chegar ao campo de futebol. “Tem de ser onde o delegado da equipa visitante indicar ou num local com visibilidade da polícia. Mas também treinámos situações práticas como a sinalética das faltas, foras de jogo e outras situações”, recorda.Tiago Graça só pode apitar jogos de seniores quando cumprir 18 anos. Tem apitado jogos dos escalões jovens do futebol e participou em quase todos os jogos de preparação dos seniores do Cartaxo, como um recente Cartaxo-Carregado, em que mostrou qualidades como árbitro auxiliar. Do seu grupo de mais de 70 colegas de estágio ficam apenas dez ou uma dúzia.Nem mesmo perante um jovem de 14 anos a correr junto à linha lateral algum público se coíbe de mandar bocas foleiras e insultos. “Procuro não ligar, concentrar-me no que está a acontecer no relvado”, garante Tiago, apesar de já ter participado num jogo de iniciados com ambiente hostil nas bancadas, entre adeptos do Fazendense e do Moçarriense. Tanto os irmãos de 11 e 19 anos, como o padrasto e Ana Cristina Rodrigues, mãe de Tiago, apoiam a decisão do filho de trocar a bola pelo apito, até porque desde então as notas na escola melhoraram e muito. “Quando ele saiu do futebol senti pena mas a decisão foi boa para ele. Era muito irrequieto e as notas não eram boas, o que mudou muito. Aliás, já disse ao Tiago que só continua na arbitragem se as notas da escola forem boas”, conta Ana Rodrigues, que acompanha o filho a todos os jogos.Entre os amigos da escola já todos sabem que é árbitro e costuma ser o juiz nas partidas importantes realizadas na Escola Mem Ramires, em Santarém. Nos jogos entre amigos quer jogar futebol como os demais.Adepto de Pedro Proença e Olegário BenquerençaSe nas balizas Tiago Graça é um adepto de Helton, guarda-redes do FC Porto, ou de Petr Cech, na arte de apitar elege dois árbitros portugueses, mesmo a nível internacional: Pedro Proença e Olegário Benquerença. Tiago assegura que o sonho de ser grande jogador e ganhar fortunas já passou apesar de saber que um árbitro da I Liga já ganha cerca de quatro mil euros por mês a arbitrar. No distrito de Santarém a realidade é mais terrena, já que no escalão júnior apitar um jogo dá direito a 36 euros como arbitro principal e 9,9 euros como árbitro auxiliar. O interesse de Tiago na arbitragem é tanto que até nos jogos transmitidos na televisão está com mais atenção ao trabalho do árbitro do que aos jogadores e ao resultado. Mesmo quando se trata do “seu” FC Porto.
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