
O mecânico de Vialonga que sonhava ter um Lamborghini
Carlos Alberto Silva nasceu na Verdelha do Ruivo há 50 anos
Com 16 anos arranjou o seu primeiro emprego e levantava-se às cinco da manhã para poder apanhar um comboio para ir para Lisboa trabalhar. A vida profissional de Carlos Silva é feita de esforço e dedicação. É mecânico na empresa Carris mas tem também uma oficina de automóveis na Verdelha do Ruivo, em Vialonga. Gostava de ter sido engenheiro.
A oficina de Carlos Alberto Silva, situada no alto da Verdelha do Ruivo, em Vialonga, concelho de Vila Franca de Xira, tem os seus clientes certos mas o mecânico ainda não desistiu da esperança de um dia lhe entrar um super desportivo de quatro rodas pelo portão da frente. A culpa é de um velho sonho que alimenta desde a infância: gostava de ter um Lamborghini. Confessa que gosta imenso desses carros italianos apimentados com motores V10 e nomes de touros que são indomáveis pelos mais valentes humanos. Carlos Silva é mecânico, durante toda a vida se dedicou às oficinas e confessa que se a vida tivesse dado outra volta teria sido um profissional licenciado em engenharias. Nasceu na Verdelha do Ruivo há 50 anos. “Naquele tempo a terra era mais pequena, só tínhamos casas baixinhas e hoje já tem vivendas bastante altas e restaurantes famosos”, conta a O MIRANTE. Carlos, filho único, confessa que teve uma infância normal onde nunca faltou o essencial. Fez todo o percurso da escola primária e garante que não era um aluno problemático. Ia todos os dias a pé para a escola. Porém, naquele tempo, a vida era difícil e Carlos Silva teve de arrepiar caminho para começar a produzir rendimento para sustentar a casa. Aos 16 anos, por intermédio da mãe, arranjou trabalho numa metalúrgica em Lisboa. Levantava-se todos os dias às cinco da manhã para ir apanhar o comboio para a capital.“A vida naquele tempo era muito difícil, as pessoas hoje não têm noção do que passámos para poder ter um emprego ou até mesmo um trabalho. Enquanto estive em Lisboa ia e vinha todos os dias para Vialonga. Era muito cansativo”, recorda ao nosso jornal.Desde a infância que Carlos Silva se sentiu atraído por peças, dispositivos e motores. Gostava de perceber como funcionavam e porque motivo uma determinada peça era feita de uma maneira e não de outra forma. Depois de uns anos na metalúrgica arranjou emprego numa oficina de motas, onde aprendeu a sua primeira mecânica. “Dessa vez já foi numa oficina aqui do concelho, para ficar mais perto de casa. Mas nunca tive medo de sujar as mãos. Depois dessa oficina fui serralheiro na Solvay, na Póvoa de Santa Iria. Nunca tive medo do trabalho”, refere. Dos seus patrões diz guardar memórias agradáveis. Pouco depois de entrar na Solvay conseguiu colocação na Carris, em Lisboa, na parte eléctrica e de manutenção dos autocarros. Ainda hoje trabalha na empresa, mas na parte do abastecimento. “Como precisava de ganhar mais dinheiro lembrei-me de abrir aqui a oficina na Verdelha. Já estou de porta aberta há 15 anos e vou aguentando os dois trabalhos”, confessa. Carlos Silva admite que a idade já pesa e por isso vai contando com a ajuda do filho na oficina sempre que este tem disponibilidade.“Hoje em dia o que está a dar é ser político. É uma boa profissão. Gostava de ter estudado para ser engenheiro mecânico ou ter outra profissão na área da engenharia. Sempre gostei muito de mecânica. Sobretudo do trabalhar dos motores, gosto de perceber e compreender como funciona, isso atrai-me e motiva-me muito”, garante.Trabalha oito horas por dia na Carris e outras seis na oficina. “Ultimamente tenho feito sobretudo reparações mecânicas, revisões, levo os carros às inspecções e meto-os na máquina de diagnóstico para detectar avarias”, refere.Diz que o negócio não tem corrido bem por culpa da crise. “As pessoas não têm dinheiro e já não trazem o carro à revisão como antigamente. Quem conduz já não faz a manutenção à viatura que deve ser feita. Hoje a pessoa mete o indispensável para o carro andar e muitos só vão à oficina quando o carro pára de vez. As oficinas estão a atravessar uma grande crise e eu vou-me segurando porque não tenho empregados”, lamenta.Ao nosso jornal confessa já ter tido clientes que o tentam enganar, por exemplo, dizendo que o carro saiu com ruídos que já tinha quando entrou. “Há gente que se tenta aproveitar da situação de crise para ter uma reparação a mais sem a pagar”, condena.

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