uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante
Esculturas que custam 900 mil euros a caminho do parque ribeirinho da Barquinha

Esculturas que custam 900 mil euros a caminho do parque ribeirinho da Barquinha

Projecto “Mercado das Artes” conta com financiamento comunitário atingindo um valor total de dois milhões de euros

“Percebo que numa altura de crise isto seja difícil de explicar às pessoas mas temos que ver que foi uma aposta turística inovadora, não só para o concelho da Barquinha como para todo o Médio Tejo”, defende o vereador Fernando Freire.

Edição de 12.10.2011 | Sociedade
A Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha vai gastar mais de 900 mil euros em esculturas para transformar o Barquinha Parque num pólo de atracção turística e cultural. É a primeira etapa do projecto “Mercado das Artes”, que está a ser desenvolvido em parceria entre a autarquia e a Fundação EDP e assenta na colocação de 11 esculturas de grande dimensão no Barquinha Parque até ao final do mês de Outubro. O objectivo, de acordo com o vereador Fernando Freire (PS), passa por fazer com que os 70 mil visitantes anuais do Castelo de Almourol passem primeiro pelo Barquinha Barque e que este espaço não seja só visitado pelas famílias ao fim-de-semana. Conta ainda atrair estudantes de artes plásticas de todo o país.Com um financiamento superior a 2 milhões de euros, o projecto “Mercado das Artes” engloba uma comparticipação de 72,55% a fundo perdido do FEDER - Programa Operacional Regional Mais Centro (eixo 2) para a Regeneração Urbana, no âmbito do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), sendo expectável que este financiamento possa vir a atingir, com a sua reprogramação, entre 80 a 85%. O projecto inclui a criação de uma loja de turismo e de uma galeria de exposições construída no piso térreo do edifício dos paços do concelho. Conta ainda com um ateliê de criação plástica, instalado na antiga Casa da Hidráulica, edifício que acolhe igualmente uma residência para artistas e onde vão funcionar os serviços educativos. Neste momento a câmara já celebrou os contratos por ajuste directo no valor limite de 75 mil euros por cada uma das 10 esculturas. Uma das esculturas é oferecida pela Fundação EDP, ao abrigo da lei do mecenato. No total a autarquia vai gastar com as esculturas (desde a criação à sua implementação) 907.500 euros que pensa vir a recuperar junto da CCDR Centro. As esculturas tinham a sua colocação prevista para Setembro mas o peso e dimensão elevados das obras obrigam a algum acompanhamento técnico ao nível da engenharia, nomeadamente com a criação das sapatas para suporte e equilíbrio das mesmas, explicou a O MIRANTE. O autarca é o primeiro a admitir que o projecto “Mercado das Artes”, em tempos de crise, “é polémico” mas justifica que está no terreno desde 2008, quando a realidade do país era diferente. “Em 2008 ninguém sonhava com uma crise económica deste quilate e desta gravidade. Mas os projectos estão no terreno, têm regras e há que avançar”, justifica Fernando Freire que só assumiu funções no executivo em Novembro de 2009. O autarca esclarece que caso o município não assumisse os compromissos esta situação poderia ter como consequência pedidos de responsabilidade civil contra o Estado português. “Percebo que numa altura de crise isto seja difícil de explicar às pessoas mas temos que ver que foi uma aposta turística inovadora, não só para o concelho da Barquinha como para todo o Médio Tejo uma vez que não há nada idêntico nesta região”, defende o autarca.Esculturas podem ser tocadas pelo públicoAs peças de arte foram concebidas por 11 artistas plásticos portugueses, conceituados em termos internacionais, que têm trabalhos desenvolvidos desde a década de 1960 até à actualidade. Contemplam, por exemplo, uma peça escultórica com três metros de altura, de Alberto Carneiro, uma estrutura com fitas coloridas de Joana Vasconcelos e trabalhos de Alexandre Barata, Ângela Ferreira, Cabrita Reis, Cristina Ataíde, Fernanda Fragateiro, Pedro Croft, Rui Chafes, Zulmiro de Carvalho e Carlos Nogueira. Este “museu ao ar livre” vai ter como curador o historiador de arte João Pinharanda. Os lugares onde vão ficar as esculturas foram escolhidos pelos artistas, que visitaram o parque ribeirinho várias vezes. Todas as obras foram concebidas para aguentar a interacção do público, com as crianças a poder brincar ao seu redor ou os adultos a usufruir da sua sombra.
Esculturas que custam 900 mil euros a caminho do parque ribeirinho da Barquinha

Mais Notícias

    A carregar...