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Última mercearia tradicional de Benavente ainda resiste à crise

Última mercearia tradicional de Benavente ainda resiste à crise

Edição de 29.11.2011 | Primeiro Plano
Há 52 anos que Carlos dos Santos, de 75 anos, está atrás do balcão da última mercearia tradicional de Benavente. No número 24, da Avenida Engenheiro António Calheiros Lopes, vende-se de tudo um pouco, mas são as garrafas de vinho e uísque que sobressaem. O senhor Carlos, como é tratado pelos fregueses, aposta na qualidade do bacalhau e das bebidas para marcar a diferença em relação às grandes superfícies comerciais. Nascido e criado no próprio edifício onde tem a mercearia, Carlos dos Santos resolveu pegar no negócio para nunca mais o largar. Depois de casar, passou a ter a ajuda da esposa, Rosa Santos, 67 anos, que continua ao seu lado atrás do balcão. Também os dois filhos, quando eram mais novos, vinham ajudar os pais depois da escola. Embora Portugal esteja a viver uma grave crise económica, o comerciante assegura que já passou por alturas bem mais complicadas no negócio. “Vivemos tempos muito difíceis quando as pessoas passavam longos períodos sem ir trabalhar para os campos por causa da chuva e por isso não ganhavam qualquer dinheiro para depois poderem pagar as compras”, recorda. Tem clientes com a mesma idade que vão ajudando a manter o negócio de pé. Não tem prejuízo e a rentabilidade que tira dá para ir sobrevivendo e mantendo as contas em ordem. O merceeiro interrompe a conversa para dar uma mão cheia chocolates a uma criança que entra na loja. Dentro deste pequeno espaço vive-se um ambiente de familiaridade entre donos e clientes. Esta é a última mercearia tradicional que resta de Benavente e o senhor Carlos sabe que depois de fechar as portas, não vai ter mais ninguém que deite mão ao negócio. Mais do que uma profissão para o merceeiro esta actividade é também uma paixão. Mesmo aos domingos, com a loja fechada, desce as escadas de casa para marcar os produtos ou tratar de um ou outro assunto. É assim há 52 anos. E assim vai continuar enquanto tiver forças.Eduarda Sousa
Última mercearia tradicional de Benavente ainda resiste à crise

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