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Livro sobre pregões do concelho de Vila Franca escritos em verso

Livro sobre pregões do concelho de Vila Franca escritos em verso

Joaquim Fortunato Agostinho pagou do seu bolso a obra com 168 páginas
Edição de 29.11.2011 | Sociedade
Preservar alguns dos pregões populares do concelho de Vila Franca de Xira é o objectivo do livro “O meu pregão”, de Joaquim Fortunato Agostinho, dirigente da Sociedade Filarmónica Recreio Alverquense (SFRA). Aos 67 anos Joaquim Agostinho reuniu 168 páginas de pregões populares sobre tauromaquia, folclore, música popular, invasões francesas, marchas populares, vilafrancada, poemas amorosos e poesia épica do concelho de Vila Franca de Xira, tudo em verso.Um pregão é um anúncio proferido em voz alta, que quase desapareceu no concelho. Joaquim é um dos poucos que ainda se dedica a apregoar em iniciativas para as quais é convidado, como forma de não deixar morrer esta tradição, como na inauguração do passeio ribeirinho entre Alhandra e Vila Franca de Xira. “O ex-ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, (do Governo socialista de José Sócrates), Mário Lino, viu-me a tocar um búzio e perguntou-me se eu era assoprador ou tocador. Eu disse-lhe “não senhor ministro, sou tocador”, conta com ironia. Joaquim Agostinho nasceu em Arruda dos Vinhos mas foi para Alverca aos 16 anos para trabalhar nas Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA). Envolveu-se no associativismo, dinamizou as marchas populares de 1968, fundou o Grupo Desportivo dos Bombeiros Voluntários de Alverca, mais tarde foi bombeiro e ajudou a criar a fanfarra. “E há mais mas a história é muito longa”, confessa. Pelos serviços prestados a Alverca recebeu a medalha de mérito da cidade em Julho de 2004. “O meu avô tocava o búzio para reunir as pessoas e depois fazia o pregão seguido de rimas na presença das pessoas, em Arruda dos Vinhos. Isto foi uma herança que ele me deixou. Era uma pessoa pobre, que só tinha a quarta classe, mas tinha muita sabedoria”, recorda.O livro demorou vários anos a compilar. “Tinha muitos papelinhos numa gaveta e depois lembrei-me de os juntar e acrescentar a outros”, explica. Com a ajuda dos funcionários do núcleo de Alverca do Museu Municipal os textos foram passados a computador, paginados e o livro nasceu. “Não tenho patrocínios nenhuns, é tudo suportado por mim. Tenho trabalhado por Alverca a troco de mãos vazias. Este livro foi uma carolice e agora vou tentar dá-lo a conhecer. O pregão em Alverca está hoje muito escondido e é algo que vai desaparecer com o tempo, infelizmente”, confessa Joaquim Agostinho, que aspirava ensinar a juventude a tocar os búzios.“Eu vou bairro abaixo/ e a novidade vou dizer/ ao encontro da Lezíria/ para que fiquem a saber. Um grande acontecimento/ pela força do destino/ a Ana Maria vai casar/ com o Manuel Campino”, escreveu um dia a convite do Círculo Cultural Scalabitano, de Santarém, do qual fez parte. O livro é apresentado no dia 3 de Dezembro no Núcleo Museológico de Alverca pelas 15h00 horas.VilafrancadaFalando de Vilafrancada/ a corte abandonada/ D. João VI muito virilCobardia e pelo povo despojado/ o país abandonado/ fugindo para o Brasil.D. Miguel chega a Vila Franca/ apoiado por gente franca/ com a sua justa razãoO absolutismo instaurou/ e a esta terra chamou/ Vila Franca da restauração.D. Miguel criou acções/ entregando-se às tradições/ e ao repicar dos sinosAs ruas engalanadas/ ia às touradas/ conversava com campinos.Adorava este povo/ ainda era muito novo/ obrigado a fazer guerraSeu pai ao infante obedeceu/ Vila Franca lhe agradeceu/ tornando-se filho da terra.Entre pai e filho/ guerrilhas e grande sarilho/ desta obra nasceu frutoD. Miguel as cortes dissolveu/ e este a Vila Franca lhe agradeceu/ proclamado rei absoluto.Mal ou bem eu não sei/ foi o texto que encontrei/ o passado que me admira/ para todos com memória/ ficando assim na história/ Vila franca de Xira.
Livro sobre pregões do concelho de Vila Franca escritos em verso

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