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Sebastião Alves foi exemplo de “cidadania e responsabilidade social e cultural”

Comendador e presidente do grupo Atral Cipan faleceu aos 91 anos
Edição de 25.01.2012 | Sociedade
O secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, manifestou pesar pela morte do comendador Sebastião Alves, presidente do grupo Atral Cipan, e além de salientar o seu trajecto como empresário realçou o seu “pioneirismo e empenho no campo da edição literária”. Francisco José Viegas recorda que “Sebastião Alves criou, na década de 50, duas casas editoras de relevo para a história da cultura portuguesa dos anos seguintes, a Editorial Arcádia e, mais tarde, a Verbo, além de ter mantido uma empresa gráfica, a Gris, que esteve sempre ligada à impressão de livros. Independentemente das suas ideias políticas, as suas casas editoras publicaram sempre autores dos diversos quadrantes sem olhar à cor política de cada um”. Foi “um exemplo de cidadania e de responsabilidade social e cultural”, realçou.Sebastião Alves, presidente do grupo Atral Cipan, na Vala do Carregado, na Castanheira do Ribatejo, concelho de Vila Franca de Xira, faleceu durante a manhã de quarta-feira, 18 de Janeiro, aos 91 anos devido a insuficiência respiratória. O funeral realizou-se na quinta-feira, 19 de Janeiro, em Amoreira, Proença-a-Nova, de onde era natural. Sebastião Alves contou numa entrevista concedida a O MIRANTE em 2006 que aos seis anos guardava gado na aldeia Natal. Anos depois liderava um dos maiores grupos da indústria farmacêutica. Foi pintor de construção civil, seminarista, estudante de medicina, deputado e empresário de um império construído a pulso. Com nove décadas de vida Sebastião Alves ainda era o rosto de uma das maiores multinacionais na produção de medicamentos.Aos 21 anos rumou a Lisboa para cumprir o serviço militar como enfermeiro. Concluiu os sete anos de liceu como trabalhador estudante em apenas dois anos. Inscreveu-se no curso de medicina e chegou ao terceiro ano. Enquanto estudava trabalhava num laboratório de uma farmácia e escrevia contos que vendia a 150 escudos cada a um jornal diário. Foi nas traseiras de uma farmácia de Lisboa que encontrou o “ovo de Colombo” que o fez singrar na vida e transformar-se num dos homens mais poderosos do sector em Portugal.Nasceu no dia 25 de Abril, mas a data da revolução não lhe traz boas recordações. Tem três filhos e vários netos. Foi empresário da indústria de celulose e do ramo imobiliário e deputado mas nunca se inscreveu em qualquer partido e garantia em 2006 que “as políticas de esquerda se confundiam com as da direita”.

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