uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante
Jaime Grilo filho e neto de avieiros

Jaime Grilo filho e neto de avieiros

Edição de 08.02.2012 | Primeiro Plano
Os dias em que não pode ir ao Tejo não são bons dias. Jaime Grilo, 79 anos, tem uma relação umbilical com o rio que atravessa o Ribatejo. Quase todos os dias vai pescar com a esposa, Maria Fernandes, três anos mais nova, e também ela descendente de avieiros. Como a carrinha em que se deslocam não tem tracção às quatro rodas são obrigados a descer, pelo próprio pé, o cais improvisado de acesso ao Tejo com o motor do barco. Filho e neto de avieiros Jaime Grilo diz que os barcos avieiros foram o seu berço. Nasceu numa casa avieira, feita de madeira assente sobre estacas, na aldeia do Patacão, em Alpiarça, e com poucos dias de vida já passava os dias, e as noites, no barco, ao sabor dos caprichos da natureza, com os pais. Viveu em Alpiarça até aos oito anos, altura em que os pais se mudaram para a vila da Chamusca, perto do Porto do Carvão.O barco com que ainda navega pelo Tejo está atracado no Porto da Cortiça, na Chamusca. Uma embarcação de madeira construída pelo próprio com recurso a pinho bravo e pinho manso. Pintado de verde para passar despercebido por entre os salgueiros. O seu pequeno barco foi construído há dez anos. É, segundo o próprio, o último barco de um avieiro na Chamusca. Está a pensar construir um novo mas não sabe se tem “coragem” para o fazer.Mais velho de sete irmãos, cedo teve que começar a ajudar os pais. Como a mãe tinha que ficar em casa com os irmãos ainda pequenos, ia com o pai para o Tejo. “Passei a ser o companheiro do meu pai no rio”, recorda. Jaime Grilo confessa que foram tempos difíceis e como não conseguiam viver apenas do sustento do rio passou a fazer searas. Passava o dia a trabalhar no campo com a esposa e à noite, depois de jantar, iam para o rio à pesca. Também chegaram a vender nos mercados de Torres Novas e Entroncamento o que produziam no campo e apanhavam no Tejo. Apesar de tudo garante que nunca passou fome.No dia em que O MIRANTE falou com Jaime Grilo já este tinha apanhado oito fataças durante a manhã. Nem o vento frio e intenso o afastou da sua rotina. O filho acompanha-o algumas vezes mas só por diversão. Os afazeres e a vida agitada dos netos afastam-nos do prazer de pescar. Os tempos mudaram mas o último avieiro da Chamusca continua fiel aos seus rituais.Ana Isabel Borrego
Jaime Grilo filho e neto de avieiros

Mais Notícias

    A carregar...