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Homenagem aos forcados de Vila Franca com críticas a ganadeiros e empresários

Homenagem aos forcados de Vila Franca com críticas a ganadeiros e empresários

Grupo está a comemorar 80 anos de existência e tem duas dezenas de jovens a aprenderem a arte

Antigos e actual cabo do grupo partilharam memórias do grupo e teceram críticas ao estado da tauromaquia e ao facto de os toiros para as corridas serem impostos pelos ganadeiros.

Edição de 08.02.2012 | Sociedade
Os forcados amadores de Vila Franca de Xira têm actualmente duas dezenas de jovens a aprenderem a ser forcados. O grupo está a comemorar os 80 anos de existência e foi homenageado pelo Clube Taurino Vilafranquense numa cerimónia que juntou três dos anteriores cabos e o actual, Ricardo Castelo, que partilharam memórias de muitas tardes e noites de pegas e lançaram várias críticas aos ganadeiros e empresários tauromáquicosJorge Faria, cabo entre 1992 e 1998, considera que “o que hoje falta na festa é o toiro. Vemos as ganadarias a imporem os seus toiros aos empresários. Há menos vergonha hoje em dia”, lamentou. Faria mandou também recados para o interior do grupo “Temos pergaminhos para seguir. Se o grupo ficar mal no futuro tem de voltar a pegar novilhos, é como na vida”, disse. Vasco Dotti continuou com as críticas. O cabo entre 2002 e 2009 diz que o grupo “tem sido prejudicado por empresários que se servem de esquemas para montar os seus plantéis”.Vasco Dotti considera que não faz sentido criar outro grupo de forcados no concelho. O actual cabo, Ricardo Castelo, diz que todos os jovens começam a pegar novilhas e vacas mas que, mesmo ao fim de cinco anos de evolução, “se sentem parte do grupo”. Ricardo Castelo diz que não se fazem forcados “à pressa” e não se veste a jaqueta só para dar nas vistas. “Não há tempo para errar. Se doer não podem sair da arena a chorar. Se dói têm de ter tempo e bagagem para aguentar”, defendeu.José Carlos de Matos, cabo entre 1973 e 1982, recordou o tempo em que a tourada era “uma demonstração de virtude, valor e brio” ao invés de um negócio. Cabo durante uma década, José Carlos de Matos lamenta que actualmente exista um desejo forte de cada terra ter um grupo de forcados. “E depois dá no que vemos, com gente a entrar na arena mal fardada e sem jeito para fazer pegas”, criticou. Uma das memórias mais fortes do grupo é a de uma imagem que corre mundo na Internet, onde um forcado é derrubado pelo toiro no momento da pega e os outros dão o corpo para o proteger enquanto está deitado no chão, num exemplo de união que tem merecido relevo no mundo taurino.O auditório da junta de freguesia da cidade encheu-se para a cerimónia e algumas tertúlias da cidade quiseram juntar-se à homenagem, como a Cirófila, Alhandra a Toureira, Os Farras, O Aficionado, O Estoque, Zás e Vira e Passe por Alto.
Homenagem aos forcados de Vila Franca com críticas a ganadeiros e empresários

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